terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Passeio a Ganchos

Neste final de semana participamos com o Tinguá do passeio a Ganchos (oficialmente, município de Gov. Celso Ramos) organizado pela Diretoria de Cruzeiro do ICSC-Veleiros da Ilha, através de seu diretor, o amigo e comandante do Kyriri Ete, Giovani Dal Grande.

A Praia de Calheiros em Ganchos
 
Zarpamos (Jorge Calliari, Luiz Carlos "Polaco" Poyer e Eu) no sábado (17/12) pela manhã da sede Centro para um trajeto de 22 mn que cumprimos em cerca de 3,5 horas. Dia maravilhoso com ventos do quadrante norte, variáveis em intensidade e direção, que nos permitiram bons trechos de velejada em orça apertada.

 Bom papo no churrasco na praia
A ancoragem foi na Praia de Calheiros onde descemos em terra e churrasqueamos em baixo das árvores. Boa carne, cervejas geladas e bom papo com as tripulações dos nove veleiros participantes. No final da tarde retornamos ao Tinguá e mesmo com a ausência de vento  havia uma ondulação fraca mas desagradável o que fez com que a maioria dos veleiros seguissem para outros locais. As enseadas de Ganchos são voltadas para o norte. Nós, seguindo o Vento Solar, fomos para a Praia do Tinguá. Chegamos por volta das 19:30h quando as lanchas já estavam se retirando. À noite nosso chef a bordo Polaco preparou um risoto de linguiça, rúcula e vinho tinto que apreciamos junto com o Cmte. Jorge Silveira e a esposa Fátima, do Vento Solar. Lá pela tantas percebemos uma lancha pegando fogo, encalhada na areia da praia. Nesta hora haviam somente uma meia dúzia de lanchas e três veleiros ancorados na pequena enseada.

 
O que sobrou da lancha queimada
 
Na manhã seguinte  na praia ficamos sabendo que alguns elementos depois de tentarem afundá-la e de ter jogado partes da mesma na água a encalharam. Muito provavelmente voltaram, já escuro, e atearam o fogo. Qual o motivo permanece uma incógnita.

O Tinguá ancorado na baía que lhe deu o nome
A pequena Praia do Tinguá é muito calma (com ventos de N a E) e deliciosa. Mas nos fins de semana após as 12:00h lota de lanchas e jet-skys. É a hora limite para se mandar. Almoçamos e tomamos o caminho de volta a sede centro numa gostosa velejada com NE de 11-13 nós de popa. Nas proximidades do Mangrulho o vento rondou rapidamente para ESE e completamos as cerca de 5 mn faltantes velejando em orça. 

Ao meio-dia as lanchas já são muitas no Tinguá

domingo, 11 de dezembro de 2011

Volta À Ilha Rapidinha

Neste sábado aconteceu a 43ª edição da Regata Volta à Ilha de Santa Catarina, promovida pelo ICSC-VI, a maior e mais tradicional prova da vela de oceano do estado. Em cerca de 70 mn circunda a Ilha de Santa Catarina no sentido contrário aos ponteiros do relógio. Neste ano com ventos S e SE o veleiro Manos Champ bateu o recorde da prova, que era do Catuana Kim (Thor12.5) desde 2003, com o tempo total de 08:43:10h.

Participei na tripulação do veleiro Revanche (Fast345), do Cmte. Celso Farias, completando a regata em 11:15:04h. Foi a melhor das minhas poucas Volta à Ilha, pela primeira vez com vento sul, numa velejada muito gostosa. Aliás, todos os tripulantes que chegavam ao clube após completar a regata eram só sorriso e satisfação. Minhas outras participações foram sofridas, com a interminável "subida" da costa leste contra o  nordestão, o mar e a corrente. 

 No inicio da regata fazendo escora

Largamos às 10:05h com vento S de 8-10 nós que a medida que "descíamos" a Baía Sul ia aumentando até os 16-18 nós. Fizemos peeling da genoa para 10 minutos depois retornar a genoa 1 com a diminuição do vento. Saímos na Barra Sul às 13:20h com o vento voltando a subir e na altura da Praia dos Açores subimos a vela balão num quase través. Até contornarmos a ponta Sul da Ilha de Santa Catarina às 13:50h a velejada foi tensa pela intensidade do vento, o mar mais mexido devido ao costão e as rajadas provocadas pelo embate das Ilhas Três Irmãs. Subimos a costa leste com média de mais de 8 nós e surfadas de mais de 10 até o vento baixar para 12-13 nós em frente a Praia do Santinho. Descemos o balão ao cruzarmos a Ponta do Rapa (o ponto mais ao norte da ilha) e seguimos velejando de través até entrarmos na Baía Norte para o último trecho, em contra-vento. Cruzamos a linha às 21:15h.

 Em frente a Praia do Forte, já na Baía Norte

Fotos e clip em www.esportesdomar.com.br.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Acidente com Galdo no Caribe

Neste inicio de semana fomos surpreendidos pelo acidente com Andy e Galdo, do veleiro Baleeiro (Corbin39). O casal realizava serviços de manutenção no veleiro, no seco, em uma marina em Chaguaramas, em Trinidad e Tobago, quando o mastro de mezena (segundo mastro menor a ré do principal, nos veleiros armados em ketch) do mesmo caiu e tocou na rede elétrica vitimando Galdo (Geraldo Aguiar). Andy (Andréa Passos) chegou a ser hospitalizada, mas passa bem.


Andy e Galdo, como eram conhecidos entre os cruzeiristas, eram gaúchos e estavam no Caribe desde 2004 velejando e morando a bordo do Baleeiro, fazendo charters ou mesmo trabalhando em outros veleiros, como skipper e chef, na alta temporada do Caribe.  Amantes da natureza e dos animais eram ativos na defesa dos mesmos, em especial aos golfinhos, através do Projeto Escotilhas. Conheça mais o que este casal fez junto acessando www.andygaldo.com e lendo seus blogs.


Lamentável este acidente. Não conheci o Galdo pessoalmente, mas no final do ano passado quando fui para o Caribe, no Guga Buy, com o  Cmte. José Zanella, tão logo chegamos a Trinidad & Tobago eles me enviaram email colocando-se a disposição no Caribe para informações, dicas, etc. Na ocasião vi o Baleeiro "hibernando" numa marina próxima a que ficamos, em Chaguaramas.
 
Barcos e redes elétricas não são compatíveis e eletricidade com água muito menos. Além da possibilidade do mastro tocar em redes, o que também já causou acidentes aqui em Florianópolis, outro perigo é com relação ao uso da eletricidade em reparos no barco com a presença da água por perto. Notadamente no uso de ferramentas e equipamentos elétricos. No final da década de 80 perdi um amigo eletrocutado quando utilizava uma furadeira para fazer um reparo em seu barco.


(Com informações de veleiroplanetaagua.blogspot.com e maracatublog.wordpress.com )

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Angra no Inverno ou no Verão?

Muitas vezes tenho ouvido comentários sobre a melhor época para cruzeirar de veleiro na região de Angra dos Reis, mais apropriadamente na Baía da Ilha Grande, que abrange Angra, Paraty e a própria Ilha Grande. Depois de ter experimentado o verão e o inverno, em cada época o Tinguá permaneceu por cerca de quatro meses lá, já posso opinar. Vamos abster o fato de que aqui em Santa Catarina o inverno não é favorável para velejar, o que daria um ponto a favor de levarmos nossos barcos para Angra/Paraty nesta estação.

Verão: a Enseada da Tapera no Sitio Forte, lugar de veleiros

Pela minha experiência  as duas estações foram ótimas, cada qual com vantagens e desvantagens. No verão é muito quente o que incomoda para dormir e permanecer no barco no período de sol mais forte, no entanto no inverno a água é mais fria. No verão venta menos e temos as trovoadas de fim de tarde. Já no inverno temos maior constância de bons ventos, mas também os SW fortes nas entradas das frente frias. No verão chove mais e a quantidade de barcos motorizados é enorme. É preciso chegar cedo nos lugares mais procurados e sair por volta do meio dia quando chegam as lanchas. E aqui não se trata de preconceito, mas fato comprovado por quem quizer. A maioria das lanchas não respeitam limite de velocidade, as outras embarcações, a natureza, as regras de trânsito no mar e muitas não sabem, mesmo com marinheiros que deveriam ser habilitados, ancorar. É lógico que existem muitos condutores de lanchas e iates habilitados e conscientes, mas infelizmente eles ainda são minoria.

Inverno: Saco do Mamanguá em dia típico

Dizem os moradores da região que a melhor época não é o verão, nem o inverno e sim o outono. Esta estação ainda não experimentei, mas chego lá. Uma certeza eu já tenho: é a melhor região do Brasil para se curtir num veleiro.

domingo, 13 de novembro de 2011

Regata Ele & Ela da Avelisc

A Regata Ele e Ela para veleiros minioceano, na Lagoa da Conceição, já é uma tradição. É uma regata festiva realizada pela Avelisc em novembro após o encerramento do ranking anual, numa confraternização entre os velejadores e suas famílias. Ontem ocorreu a edição 2011.

O tempo não ajudou desta vez com um dia nublado, feio e mais frio, com vento sul na casa dos 12 nós. Na classe Bruma19 novamente só o Mutley e o Imagine, assim combinamos de levarmos além da Ela também nossos filhos menores.
Clip do www.esportesdomar.com.br sobre a regata

Diante do receio da família com o vento mais forte (na marina onde o Mutley fica o sul entra bem de frente sem obstáculos) optei pela genoa 3 o que veio a ser mostrar um erro. Mesmo porque o percurso era um popa só desde as proximidades da Avenida das Rendeiras até a Costa da Lagoa, na altura do Restaurante Coração de Mãe.

Chegamos na frente mas não levamos. No início da regata quanto estava armando a "asa de pombo" meu filho Gabriel no timão deu uma encostada, bordo com bordo, no Imagine. Então há poucos metros da chegada, desfiz a "asa de pombo" e paguei a penalidade. Cruzamos a linha ainda com 10s de vantagem, mas perdemos por 6s no tempo corrigido. Parabéns ao Gustavo e família que estiveram sempre no nosso lado ou muito perto.

A "Família Avelisc" confraternizando após a regata


Depois da regata uma gostosa confraternização entre os participantes, como também é tradição, na linda Costa da Lagoa.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estações de Vento do Frank

Cada um tem a sua preferência em termos de informações meteorológicas. Uns preferem as cartas sinóticas, outros os meteogramas do CPTEC, alguns outros as previsões da NOAA ou do BuoyWeather, tem os que adoram o WindGuru e por aí vai. Eu prefiro consultar várias fontes que podem variar conforme o propósito: velejar nos arredores da Ilha de Santa Catarina, fazer travessias em mar aberto, velejar na Lagoa da Conceição nas regatas da Avelisc, viajar por terra ou simplesmente saber como vai se comportar o tempo nos próximos dias. No caso de ir velejar na Lagoa, com meu Bruma19 "Mutley", incluo entre minhas consultas as informações on line das estações de vento do pessoal do vôo livre, wind e kite disponíveis em www.frank.ihas.com.br, site do amigo Frank Iha. 



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Voltando Pra Casa - Parte 2

No post Voltando Pra Casa - Parte 1 contamos como foi a nossa travessia Bracuhy - Florianópolis até Santos, onde tivemos que interrompe-la devido ao mau tempo. Pois bem, uma semana depois estávamos de volta ao ICS, em Santos, para completarmos a travessia. Eramos Nei Bittencourt, Saul Capella e Ricardinho Henrique Dias no Aquaviva, Beto Larsen e Geraldo Garcia no Parangolé e Luciano Pacheco e Eu no Tinguá. Devido a janela de tempo a travessia seria direta, sem a parada desejada na Ilha do Mel ou das Peças.
Disputei a regata de minioceano na Lagoa e às 19:00h, junto com o Luciano, pegamos o ônibus para Santos. Chegamos no Tinguá ajeitamos as coisas, esperamos dar 8 horas para o posto abrir e completarmos o tanque de diesel e às 08:30 estávamos zarpando. Agradeço ao Iate Clube de Santos e seus funcionários, clube conveniado com o nosso ICSC, que sempre nos recebe muito bem quando por lá passamos, seja na sede Guarujá seja na de Ilhabela.

 
Esperando o posto de combustivel do ICS abrir (Foto: Luciano Pacheco)

 
Saindo na Baía de Santos

Optamos por uma rota mais próxima a costa, mesmo aumentando a distância em cerca de 20 mn, pois o BuoyWeather previa ventos fortes em algumas regiões de mar aberto e assim estaríamos mais perto para procurar abrigo se necessário. No primeiro dia (23/10) saímos com vento SW de 11-12 nós "na cara" e mar de 1,8-2m com amplitude média na bochecha de bombordo. Mais tarde o vento rondou para nosso través a 8-9 nós e à noite para a popa até ficar uma aragem. Sempre que subo ou desço a costa com o Tinguá encontro golfinhos, em especial na região da Ilha da Queimada Grande. Desta vez não foi diferente. Eles nos brindaram com suas evoluções ao redor do Tinguá no início da noite à cerca de 20 mn após a Queimada. 

 
 Parangolé no través da Ilha Queimada Grande


 
Sol se pondo no mar, sempre muito bonito

No amanhecer do segundo dia (segunda, 24/10) tínhamos rumo 245º com vento fraco novamente pela proa e mar de 1-1,5m longo. Após às 11 horas foi chegando um E que custou a se firmar nos 6-7 nós. Só pela uma da tarde o E cresceu para 9-10 nós e o mar de SE agora de través e com menor amplitude. Ao anoitecer, no que colocamos o primeiro rizo o vento, rondando lentamente para NE, cresceu para 18-19 nós com rajadas de 21. A noite toda o vento se manteve em 9-10 nós, com muitos períodos curtos intercalados de 12-13 e 15-17 nós. O mar é que virou o "capeta" com ondas de 3m ou mais, curtas e de través. Já saímos querendo chegar na terça-feira (25/10) pela manhã pois havia uma frente fria chegando à noite (aqui no sul geralmente elas adiantam), quando na metade da tarde, no través da Ilha de São Francisco escutamos na rádio costeira um aviso de fortes ventos NNW previsto para em torno das 10 horas da terça. Aí então era preciso chegar rápido sob pena de ter de arribar para buscar proteção em alguma baía da região. Como tinha gasto diesel com parcimonia, aceleramos mais e empurrados pelo vento de popa literalmente "descemos morro abaixo". Até chegar andamos com média acima dos 7 nós. 

Os pesqueiros foram um capítulo a parte. Sempre os encontramos mas nesta travessia ao cair a noite, na região entre Armação do Itapecorói e Itajaí, como que num passe de mágica o mar ficou qualhado deles. Eram muitos e próximos uns dos outros arrastando suas redes, vários bem grandes com uma quantidade enorme de luzes. Foram algumas horas de muita atenção e adrenalina.



Foi na conta certa. Atracamos no pier norte da sede Centro do ICSC-VI às 04:55h com NE de 8-9 nós, após 44:25h e 271 mn. Antes das sete horas já era N com cerca de 18 nós e às oito, já em casa, o tal NW chegou e por uma boa meia hora roncou acima dos 30 nós, com rajadas acima dos 40.


Bem, o Tinguá esta em casa novamente depois dos ótimos quatro meses na região de Angra dos Reis e Paraty. Tenho uma lista de coisas a ajeitar, mas logo estará pronto para outra.


Video com imagens da travessia  
Fotos em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao/angra2011.

Mutley é Tetracampeão

Estávamos a espera de uma janela de tempo para trazer o Tinguá que ficou em Santos e ele veio bem no fim de semana. Bom que encaixou certinho e consegui disputar a 8ª e última etapa do Ranking de Minioceano 2011, a tradicional Regata Armazem Naval, da Avelisc, sempre na Lagoa da Conceição.

Difícil foi arrumar proeiro, pois o meu imediato Guto Kindlein viajou, Érico Couto parceiro nos primeiros anos do Mutley tinha curso, Daniel Zohar companheiro de tantas regatas está na fisioterapia e mais um sem número de amigos com quem contatei ou já estavam ambarcados ou tinham algum compromisso. Mesmo com a previsão de forte NE fui para a marina para fazer a regata em solitário. Quando já havia montado o Mutley com a grande rizada e a G3 (meio estranho pois naquela hora o NE era bem fraco) eis que o Maurity, timoneiro do Bilitote, me avisa que havia um tripulante a procura de barco para a regata. Tratava-se de Pedro Bernardi, que já conhecia, um ótimo velejador. Estava salva minha regata. Melhor ainda que o NE realmente roncou nos 16-18 nós durante a regata e o meu adversário do ano, o Gustavo do Imagine, veio com o reforço do meu amigo Daniel Pastorino, excelente velejador, natural da Sardenha, que já fez várias regatas na tripulação do Tinguá.

Mutley (Bruma19) na disputa da regata
 
Resumindo com o Pedro fizemos uma excelente regata, vencemos e o Mutley levantou seu quarto título do ranking em seis disputas. Disputamos seis das oito regatas e vencemos todas, claro que ajudados pela pequena concorrência na classe neste ano.

 Com o Pedro Bernardi (esq.) recebendo a premiação da regata

Fotos de www.esportesdomar.com.br onde tem mais fotos, video e súmula.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Salve o Pier do Saco da Ribeira

Tenho acompanhado, principalmente através do grupo ABVC no Yahoo, a situação do Pier Público de Ubatuba, no Saco da Ribeira. A praticamente inderdição do pier tem provocado enormes transtornos e prejuízos aos pescadores, as escunas de turismo, aos velejadores e prestadores de serviço ali baseados. Com atitudes autoritárias, até truculentas, e sem transparência por parte dos órgãos governamentais envolvidos ninguém sabe ao certo no que vai dar. Vão adequar a área as exigências ambientais (muitas descabidas) do Ibama e a área vai retornar aos seus usuários até em melhores condições? Ou existe interesses ocultos de grandes capitais por área tão nobre? ou...Nenhum de nós sabe ao certo.

No último dia 13/10 retornando do Bracuhy para Florianópolis com o Tinguá e os veleiros Parangolé e Aquaviva, constatamos in loco a "interdição" do pier. Estranhamos também o valor de 50 reais pedido pelo funcionário da AUMAR para pernoite numa poita. No caribe o preço médio é de 25 dolares e muitas vezes dá direito a água e as vezes até um saco de gelo. Em Paraty pagamos 60 reais de diária em marina no pier, com energia, água e banho.

 Tinguá chegando no Saco da Ribeira

O que interessa é que a comunidade náutica de Ubatuba começa a se mobilizar e está, dentre outras ações, fazendo um grande abaixo-assinado. Faça como eu e assine-o em http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N15326

sábado, 15 de outubro de 2011

Voltando Pra Casa - Parte 1

Chegamos no Tinguá, no cais D da Marina Bracuhy, por volta de 19:30h depois do vôo da Azul (Floripa-Campinas-Rio) e o bus da Costa Verde, do Rio até a entrada da marina. Na terça-feira (11/10) pela manhã desencapamos o Tinguá, trocamos óleo e filtros do motor, água no tanque e zarpamos da Marina antes das 14:00h. Fomos direto a Marina Piratas, no centro de Angra, para fazer mercado, velejando num SSW de 16 nós na Baía da Ribeira. No final da tarde ancoramos na Praia do Vitorino, na Ilha da Jipóia onde pernoitamos.


Luciano e as compras de mercado, na Marina Piratas (Foto:Giovani Dal Grande)

Na quarta cedo fomos até a Marina 1, no fundo da Baía da Ribeira, para abastecer com diesel Verana e para o Giovani e Luciano conhecerem. No retorno ancoramos em Itanhangá para almoçar e aguardar os veleiros Aquaviva (com Nei, Jorge e Saul) e Parangolé (com Beto Larsen), também do ICSC-VI para retornarmos juntos a Floripa. Aproveitamos para limpar o fundo do Tinguá. A água estava a 30º C.

Tinguá no posto flutuante da Marina 1

No inicio da tarde partimos os três veleiros para a Ilha da Cotia velejando numa orça apertada no SW de 14-17 nós. Na Cotia pernoitamos amadrinhados.O Giovani Dal Grande é o atual Diretor de Cruzeiro do ICSC e Eu o vice-presidente da ABVC para Santa Catarina, então na conversa à noite no cockpit começamos a desenvolver a idéia de fazermos um cruzeiro entre Floripa e o Bracuhy para incentivarmos os nossos colegas cruzeiristas a fazerem como nós e trazerem seus veleiros para a região da Baía da Ilha Grande no inverno. O clima do inverno no sul nos limita muito para cruzeirar. O deste ano então foi especialmente frio e chuvoso. Sairíamos de Floripa em tempo de participar do Encontro Nacional da ABVC e retornaríamos em outubro ou novembro como estamos fazendo agora. A idéia ganhou até o apelido de "Mané Cruzer".


 
Nei, na Cotia, escutando o jogo do Avai no "radinho" (Foto:Luciano Pacheco)

Saímos da Cotia às 6:45h, orçamos até contornarmos a Ponta da Juatinga com um mar baixo mas um pouco desencontrado e vento de 10-12 nós. Mais tarde na altura da Ponta Negra, com o vento já na casa dos 8 nós, de popa, cruzamos com os veleiros do Cruzeiro Costa dos Tamoios, da ABVC. Nos dirigimos para a Praia de Picinguaba, com o vento tendo rondado 180º e crescido um pouco de intensidade. Ancoramos na aprazível Picinguaba onde preparamos nosso almoço.

Picinguaba, no litoral norte de São Paulo
 
Continuamos no inicio da tarde, o Aquaviva e o Parangolé direto para a Ilha Anchieta, a 22 mn dali, e nós fomos antes conhecer o ancoradouro da Ilha das Couves. Chegando na ilha fomos cercados por dezenas de golfinhos que " brincaram"  por bons 20 minutos ao redor do Tinguá. Muito lindo. Chegamos na Anchieta por volta das 17h e nossos companheiros preferiram ir pernoitar no Saco da Ribeira. Lá ancorei próximo a Praia da Ribeira, no meio de muitas poitas, com os outros dois amadrinhados. Saul e Giovani prepararam um gostoso carreteiro de charque e calabresa, acompanhado de bons vinhos e cerveja.


 Vídeo dos golfinhos na Ilha das Couves


Participantes da edição piloto do "Mané Cruzer" reunidos no Tinguá

Os companheiros sairam antes direto para Ilhabela, nós fomos até a Baía das Palmas, na Ilha Anchieta, e depois navegamos na Enseada da Fortaleza antes de rumar para Ilhabela. Logo ao passar pela Ilha do Mar Virado entrou um SW com rajadas acima dos 20 nós. Pegamos um ângulo e seguimos numa orça apertada. Este passou rápido em cerca de uma hora. Quando já estávamos próximos da Ponta das Canas o SW retornou. Velejando chegamos a proteção da Praia da Armação onde ancoramos para preparar o almoço. Depois de uma rápida sesta seguimos, com SW de 13-14 nós e rajadas até 19, direto para o posto de combustível, nom Pier dos Pescadores, para abastecermos os tanques de diesel e água. Em seguida pegamos uma poita no Iate Clube de Santos (ICS), clube conveniado com o nosso. Depois de um bom banho fomos passear na Vila com direito a café no Ponto das Letras, pizza e sorvete no Rocha.

 Enseada de Santa Teresa, na sempre linda Ilhabela (Foto:Luciano Pacheco)


Com as previsões nada favoráveis iniciamos as discussões sobre a continuação da viagem. Ao final mesmo com as previsões de algum SW e muita chuva decidimos sair no dia seguinte (15/10) cedo, eles direto para Santos, onde poderíamos deixar os barcos bem protegidos no pier do ICS. Nós resolvemos sair em direção a Ilha da Queimada Grande para sentir as condições de seguir viagem ou não. Depois de sair do Canal de São sebastião velejamos por três horas numa orça apertada com  vento E de 13-15 nós e rajadas de mais de 20. As rajadas foram ficando mais raras e o vento rondando para SE, até vir de proa com 12-14 nós. Tudo com muita chuva e mar pequeno. Depois de poucas horas com vento na proa avaliamos que não seria nada "agradável" fazermos mais de 200 mn apartir da Queimada Grande com ventos na "cara" de até 15 nós. Alteramos o rumo para Santos onde chegamos às 19:20h.

 Orçando no rumo de Santos
   
Em menos de um minuto decidimos que deveríamos deixar os barcos no ICS e retornarmos mais tarde com previsão favorável, pois até dia 21-22 teremos ventos de S e SE. Estamos em outubro e as frentes frias continuam longas...Compramos as passagens na internet, preparamos uma janta coletiva e amanhã rumo a Floripa by bus.

Tinguá na sede Guarujá, do ICS


Veja mais imagens em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao/angra2011
Video dos golfinhos no YouTube aqui.

domingo, 9 de outubro de 2011

Indo Buscar o Tinguá

Chegou a hora do Tinguá voltar para casa. O clima tá esquentando aqui no sul e já não chove tanto. Amanhã embarco para o Rio e de lá para a Marina Bracuhy, onde está o Tinguá. Devemos iniciar a descida rumo a Floripa na quarta-feira (12/10).

Tinguá na Marina Bracuhy durante o IX Encontro Nacional da ABVC
 
Comigo vão o Giovani Dal Grande, comandante do MC20 Kiriri Ete, e o Luciano Pacheco, comandante do Bilitote. Vamos iniciar o retorno com dois outros barcos do ICSC-VI que também estão no Bracuhy. O Parangolé (Van der Stadt29), do Beto Larsen, e o Aquaviva (Velamar32), do Nei Bittencourt.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Valeu Guga!

Hoje vou sair do objetivo deste blog para comentar a entrevista (vale a pena ler) que o tenista Gustavo "Guga" Kurten deu ao jornal local Diário Catarinense, na última terça-feira onde se queixou do caos que está Florianópolis, sua terra natal. Guga chegou a afirmar que do jeito que está indo a situação poderá até ir morar em outro lugar. Tem muito a ver comigo pois vim morar em Floripa há 40 anos por me apaixonar por esta cidade. Infelizmente hoje já tenho planejada minha saída da cidade, justamente por conta dos problemas abordados na entrevista.


Guga é um ídolo do esporte brasileiro, o maior atleta catarinense em todos os tempos, aqui chamado de "manézinho da ilha" por sempre, mesmo depois da fama, ter defendido Florianópolis, seu jeito simples de ser, seus costumes, seu time de futebol (o Avaí), seu ar provinciano e pacato. Acontece que esta Florianópolis não existe mais. A cidade explodiu nas duas últimas décadas, ficou famosa internacionalmente (muito graças ao próprio Guga), sofreu grande e rápida expansão populacional e não soube "administrar" isto. Hoje temos todas as mazelas das grandes metrópoles e, o que realmente deve estar preocupando o Guga, não se faz nada, não se planeja, não se tem nenhuma perspectiva que ao menos possa atenuar esta escalada do caos, como bem disse o Guga.

A entrevista provocou uma repercussão enorme na cidade. Todo mundo dando sua opinião, mídia, população, políticos, cidadãos comuns, redes sociais a mil (Guga criou a tag no twitter #SalveFloripa). De maneira geral a população, que sofre estes efeitos danosos apoiando, e os políticos e outras autoridades, como é de seu feitio, minimizando os fatos. Nosso alcaide, grande especialista em se escapar dos inúmeros processos que seus atos, digamos assim "pouco republicanos", provocam, diz que temos mais esgoto que outras capitais (50% da população segundo ele, só se ele contou as com esgoto 3x) e por aí. Um dos coronéis da PM (que já teve uma gravação sua divulgada ordenando a subordinados para não atender ocorrência numa rua próxima a um shopping por ser de "bacanas") justificando que em outras capitais é maior, citando dentre elas o Rio, como seu Rio pudesse ser comparação. É para a situação do Rio que estamos caminhando em passos céleres. Infelizmente o que aconteceu com o Rio não tem servido de exemplo a ser evitado.


Guga Kurten é um ídolo, assim como Ayrton Senna, Pelé e, agora, Torben Grael, porque além de grande atleta sempre se preocupou com seu país e seu povo, dá exemplo de carácter e cidadania. Diferentemente dos "ídolos de barro" do nosso futebol, fabricados as dezenas. E por isto suas palavras tem peso e provocaram tanta repercussão.

Parabéns, Guga!

domingo, 2 de outubro de 2011

Não Tivemos Concorrente mas a Velejada foi Ótima

De novo na 7ª etapa do Ranking de Mini-oceano da Avelisc, ontem na Lagoa da Conceição, corremos sozinhos na classe Bruma19. Já falamos anteriormente aqui que a classe minguou este ano. Desta vez o forte vento Sul (16-18 nós) de antes da largada dificultou a saída dos barcos que ficam na Marina Verde Mar, como o Mutley, e nosso concorrente Imagine não foi para a raia. Nós (Guto Kindlein, Rodrigo Evangelista e Eu), no Mutley, conseguimos sair, mas com bastante dificuldade pois estávamos sem motor.

 Mutley (balão branco, à esq.), Bilitote (Velamar18) e Sopravento (Microtonner)

O vento diminuiu para 8-10 nós, com muitas variações e rondadas, ainda antes da largada. Não tínhamos concorrente mas velejamos bem, largando legal e montando a primeira bóia entre os primeiros dos 16 participantes. Foi uma velejada gostosa com dois ótimos companheiros na tripulação. Utilizamos o balão nas pernas de popa, o que não vinha fazendo desde 2009, para deixar a disputa equilibrada com os concorrentes da classe. Chegamos na frente de vários barcos maiores e mais rápidos.

Esta regata foi comemorativa ao 19º aniversário da Avelisc - a Associação de Vela e Preservação da Lagoa da Conceição - completados no último dia 23/09. É ela quem promove e organiza com muito sucesso o campeonato de mini-oceano na Lagoa da Conceição, supervisionado pela federação de vela.

A acima e outras fotos no www.esportesdomar.com.br

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Como Passar as Pontes de Floripa com um Veleiro de 40´?

Para aqueles que não sabem Florianópolis fica em parte na Ilha de Santa Catarina e parte no continente, sendo estas duas partes ligadas por três pontes. A antiga, há 20 anos desativada e em permanente reforma ponte pênsil Hercílio Luz e as mais modernas pontes em concreto Colombo Salles e Pedro Ivo. Estas últimas duas possuem um vão máximo entre 17-18m na maré baixa, sendo um obstáculo aos veleiros maiores. Como o ICSC-Veleiros da Ilha fica na Baía Sul e as pontes (aproximadamente) no encontro entre as duas baías o trânsito de veleiros entre o clube e a Baía Norte é limitado pelo tamanho do mastro.  Ocorre que a região ao norte é a mais demandada pelas embarcações e tem uma barra extremamente tranquila, ao contrário da  barra sul.  A alternativa para os veleiros com mastros maiores é contornar a ilha, num aumento de quase 60 mn no trajeto. Na prática este fato tem limitado o tamanho dos veleiros a faixa dos 40´, mesmo assim precisando de maré baixa para transpor as pontes. Ou na falta desta de alguma " engenharia" como esta abaixo da tripulação do Zeus, um Beneteau First 40.7´.




No vídeo a seguir, descoberto pelo Capitão Roberto Bruno Fabiano, do Veleiro Gaia, uma engenhosa tranposição de uma ponte, nos EUA, com 65 pés de vão livre pelo Alden58 Aratinga com 80 pés de altura ao topo do mastro. Fica aí uma dica...


domingo, 25 de setembro de 2011

Camiseta 2

Não temos novidades. O clima continua frio, temos mais chuvas que sol, um dia é nordestão, no outro " porranca"  de sul, até a etapa do Campeonato de Mini-oceano da Avelisc de ontem foi transferida por conta da frente fria que entrou. Estamos aguardando uma boa janela de tempo para trazermos o Tinguá de volta para casa.

There's More To life Than Just Sailing - Let Me Know When You Find It
 
 Para movimentar o blog mais uma estampa de camiseta de velejador. Esta ganhei dos amigos Ana Paula e Guto, em St.Maarten.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Camiseta

Não é politicamente correta, até um tanto radical, mas gostei da camiseta que ganhei da minha filha Fernanda.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Com a Stefane a Bordo

No sábado (03/09), mais um dia ensolarado, depois do café da manhã rumamos para a Marina Bracuhy para embarcar a Stefane, filha do Jorge, e o namorado Ernane. Saímos velejando com vento SE de 6-8 nós, com uma pequena ajuda do motor (precisávamos carregar as baterias), mostrando algumas atrações da região. Assim passamos em frente ao Frade, por entre as ilhas das Palmeiras, Itanhangá e Paquetá e rumamos para a Praia do Dentista. Agora numa orça com vento já nos 13-15 nós.

Dentista em sábado de inverno

Depois do trecho de contra vento no lado de fora da Ilha da Gipóia chegamos no Dentista que mesmo com o vento gelado já tinha muitas lanchas e outras mais chegando. Demos uma volta e retornamos para almoçar no Canto das Canoas, na Praia do Vitorino. O vento deu uma parada e em seguida voltou mais forte (16-18 nós), rondando para ENE. Foi uma boa velejada até o Vitorino.



No Vitorino

Depois do almoço velejamos mais um pouco e fomos pernoitar no Saco da Vila Velha. Ancoragem protegida, chef Jorge assumiu novamente a cozinha de bordo e preparou um gostoso Pene degustado com bons vinhos. O Jorge, que aprecia Whisky, nem abriu o Johnny Walker Gold Label (18 anos) que o genro lhe trouxe...


 
 Entardecer no Saco da Vila Velha (Foto Jorge Calliari)

Na manhã seguinte depois do café a bordo rumamos para as Ilhas Botinas para fazer snorkel. O dia estava novamente ensolarado, bonito, mas praticamente sem vento. A água não estava tão transparente como de costume e um tanto fria. Só o Ernane se animou no snorkel. Dali rumamos de volta ao Bracuhy passeando pelas praias das Flechas e Fazenda. Na Baía da Ribeira pudemos velejar com um ENE de 6-8 nós.

Nas Botinas

Chegando no Bracuhy, Tinguá na vaga e toda a faina para deixá-lo pronto para mais uma temporada parado. Ernane, que mora no Rio, nos deixou no Galeão para retornarmos a Florianópolis.

Mesmo sendo poucos dias e mais frios foram ótimos. Boas velejadas, companhias, paisagens, comidas e bebidas...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Bímini Novo

Sexta-feira (02/09) amanheceu bonito e ensolarado. o pessoal da Bailly chegou às 8:30h instalou o bímini e confeccionou os moldes das membranas, como eles chamam o prolongamento para unir o bímini ao dog house e as abas laterais.

Jorge e o Tinguá de bímini novo

Foi só eles terminarem e partimos para o Piratas, em Angra, junto com o Beto Larsen no Parangolé. Logo na saída do Bracuhy o Beto teve problemas na bomba d'água e ficou para resolver o problema. Com um bom vento SSE fomos até o Piratas onde almoçamos e fizemos as compras de mercado.

Com a bandeira da Semana de Vela de SC de 2012

Abastecidos rumamos para a Ilha de Paquetá para pernoitar pois na manhã seguinte iríamos até a marina pegar a Stefane, filha do Jorge, e o namorado. Mais uma gostosa velejada ainda com SSE, agora nos 15 nós. O Beto já nos esperava depois de ter trocado o rotor da bomba d'água. Em Paquetá entrava muito vento então fomos ancorar em frente ao paredão de pedra da Ilha de Itanhangá. Peguei uma poita do antigo bar-restaurante e o Parangolé amadrinhou no nosso BB. Ao baixarmos a grande um dos cabos do Lazy Jack escapou da fixação na retranca e subiu ao mastro. Lá fui Eu, pela primeira vez, mastro acima de "cadeirinha" para buscar o "fujão".

 
Subindo no mastro
 
Ancoragem tranquila chef Jorge preparou um delicioso camarão com queijo Gongorzola que comemos com duas garrafas de Tempranillo espanhol.

 
Beto e Jorge "traçando" o camarão

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Novamente no Tinguá no Bracuhy

Jorge e Eu chegamos ontem no final da tarde ao Tinguá, na Marina Bracuhy. Chovia muito e assim foi até a madrugada. Ninguém merece! Depois de todos os dias de chuva em Floripa, a chuva nos acompanhou. Hoje está nublado mas já não chove mais. As previsões prometem que a partir de amanhã o tempo começa a limpar, com um fim de semana de muito sol. Tomara pois já vamos retornar no domingo à noite.

Em veleiros sempre há o que fazer

Era para a Bailly instalar um bímini novo hoje pela manhã, mas virão só amanhã. Enquanto isto fizemos algumas manutenções, como o conserto do furo no bote. Precisei chamar o Paulo "Mergulhador" para dar uma limpada no casco, pois acordei de manhã escutando o barulho característico das cracas. Aliás, na última noite que dormimos na Cotia, no final de julho, achei ter ouvido cracas.  Realmente, já havia cracas no leme, quilha e logo abaixo da linha d'água, além de limo. A tal da tinta anti-incrustante InterClene não aprovou. Já sabia que sua duração era de no máximo uns 6 meses, mas fazem só 2,5 que foi aplicada.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Mutley Corre Sozinho

Neste sábado aconteceu a 6ª etapa do Campeonato de Mini-oceano da Avelisc/FEISC, na Lagoa da Conceição, e mais uma vez vencemos com o Mutley, na classe Bruma19. Depois de não ter participado da 4ª e 5ª etapas por estar em Angra com o Tinguá (na 4ª o Carlos Kindlein correu com o Mutley e venceu) voltei com o Daniel Zohar, meu parceiro no ano passado. Em contraste com os dias muito frios e depois muito chuvosos tivemos um dia ensolarado, quente e com ventos de 12-15 nós de WNW, perfeito para uma ótima regata. Mas foi sem graça, não tivemos adversário. Até o Imagine o outro único Bruma19 presente não participou por problemas no estaiamento ainda antes da largada.

Daniel e Eu na 6ª etapa


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Preventer Simples e Barato

Há bastante tempo queria instalar um sistema de prevenção de jibe da vela grande no Tinguá. Minha opção foi por uma sugestão postada no grupo de discussão da ABVC, que utiliza um freio 8 grande (ou oitão) de resgate, peça utilizada em alpinismo, que precisei encomendar. Instalei o sistema e o utilizei pela primeira vez na travessia Floripa-Bracuhy, em junho passado.
Conforme a foto, trata-se de um sistema simples e barato. Um oitão de alpinismo (custo entre 120 e 250 reais conforme o material utilizado, ou até menos se comprado usado no Mercado Livre), um cabo de preferência de 10 mm no comprimento adequado para o barco (deve permitir a máxima abertura da retranca para os dois bordos), dois moitões que instalei nas argolas existentes para instalação dos barber hauls da vela balão e dois mordedores já existentes para os mesmos barbers (pode-se usar cunhos, stopers ou até catracas já existentes).


Não testei ainda com ventos fortes de popa, mas com ventos fracos e médios funcionou bem, freando adequadamente o jibe da grande. O único senão é que se o cabo não estiver tensionado ele escapa dos "chifres" diminuindo a frenagem o que para ventos fracos e médios mostrou-se até melhor, não deve ser o caso para ventos fortes. Acontece que no veleiro os cabos ficam mais abertos, então o ideal seriam esses "chifres" serem mais fechados. Além da função principal o sistema ajuda muito para evitar o balanço da retranca em mar agitado com pouco ou nenhum vento. Eu já o considero aprovado.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Férias de Inverno em Angra - 2

A última vez que a Claci esteve em Paraty foi em 2001, com o Gabriel que tinha 1 ano de idade. Depois de atracarmos no cais da Refúgio das Caravelas, ligar a energia do cais e tomarmos banho fomos para a cidade, passear no centro histórico. Paraty é sempre um charme transpirando cultura, história e bom gosto.

A família numa das ruas de Paraty
Na quarta-feira (27/07) saímos de Paraty para conhecer a região. Mais um dia maravilhoso, como tem sido desde segunda, ensolarado, céu azul sem nuvens, temperatura nos 25-27 ºC. Fomos costeando passando pelo Saco do Bom Jardim, do Jurumirim, Ponta Grossa, Praia Vermelha, uma volta pela costeira da Ilha do Algodão e então ancoramos no Saco da Velha.

 Dias lindos, como este começando em Paraty

 O Saco da Velha, um dos lugares listados para conhecermos nesta viagem, é um enseada bem abrigada com duas pequenas praias e algumas poucas habitações, numa das praia de veranistas e na outra, onde ancoramos, de nativos onde existe um bar e restaurante rústico. A água é bastante limpa e a temperatura dela estava em 25,5 ºC. Tomamos banho, andamos de botinho explorando a costeira a procura de um lugar para snorkel, mas havia poucos peixes.

Tinguá ancorado no Saco da Velha

No meio da tarde suspendemos âncora e fomos conhecer a Enseada de Paraty-mirim. Passamos pela vila, o único lugar onde se chega de carro nesta região, que tem uma pequena e histórica igrejinha na praia e percorremos todos os recantos deste belo lugar. Uma enseada que se alonga continente a dentro com muitos recantos, prainhas e pequenas baías. No final da tarde voltamos do fundo da enseada velejando de genoa a 2-3,5 nós num mar e céus azuis com o sol descendo rumo ao horizonte. Num destes momentos que não tem preço. Chegamos no super abrigado ancoradouro da Ilha da Cotia (situada na entrada da enseada) já com o sol escondido atrás das montanhas do continente.

Paraty-mirim, a enseada, vista do fundo para a entrada

A histórica Capela de N.Sra. da Conceição de Paraty-mirim
  
Na quinta-feira o dia amanheceu nublado, mas pelas nove horas o céu já estava limpo de novo. Gabriel que vinha tentando pegar algum peixe sem sucesso, mesmo com o camarão comprado em Paraty, "desencantou" nesta manhã na Cotia pegando vários com a isca artificial de peixinho. A maioria devolvidos a água. Por volta das nove horas rumamos para o Saco do Mamanguá.

 
 Gabriel e os peixinhos da Cotia

Há muito tempo que desejava conhecer o Saco do Mamanguá, de veleiro. Já passei ao longo de sua entrada muitas vezes, até já estive na Ilha da Cotia, ali pertinho, sempre sem tempo. Não desta vez. Passamos pela primeira vila logo na entrada e fomos ancorar na segunda, a Vila do Cruzeiro, ao pé de sua formosa montanha, como a famosa e não menos formosa, chamada de Pão de Açúcar. Passeamos na vila, conversamos com alguns nativos, fizemos uma picanha no barco com vista para a montanha e à tarde fomos conhecê-lo até o final. Com um vento fraco de popa pudemos ir curtindo seus encantos velejando calmamente. Como a Enseada de Paraty-mirim o Saco do Mamanguá é uma baía ainda mais estreita e alongada que avança continente adentro com montanhas em sua margens, lembrando um fiorde escandinavo. Por isto costuma ser chamado de fiorde brasileiro e fiorde tropical.

O Mamanguá visto da entrada
 
 
Assando uma picanha na frente de Cruzeiro

Ficou uma frustração, ou melhor um motivo para voltar. Não subi ao Pão de Açúcar pois avaliei que a trilha até o seu topo, pelos relatos que tivemos, seria muito pesada para o Gabriel que insistia em ir. Dormimos ancorados nas proximidades do pé do Pão de Açúcar.

O Mamanguá visto do fundo para a entrada

A sexta (29/07) novamente amanheceu nublada e mais uma vez as nuvens sumiram rapidamente. Rumamos para conhecer a Enseada do Pouso de Cajaíba e suas praias. Ancoramos na maior delas a Praia Grande de Cajaíba. Ainda dentro da Baía da Ilha Grande mas voltada para o mar aberto aqui temos sempre presente a ondulação do mar, muito tranquila neste dia. 

Praia Grande de Cajaíba

 
A baía da Praia Grande de Cajaíba, na Enseada do Pouso

Vila do Pouso

No final da tarde, depois de percorrer toda a Enseada do Pouso optamos por pernoitar na Ilha da Cotia. Desta vez, véspera de final de semana, haviam cerca de 10 veleiros na ancoragem.  Aqui o único senão destas férias, furei uma das bananas do botinho ao bater em uma pedra chegando à remo na prainha.

 
Gabriel pescando no final de tarde na Ilha da Cotia
Entardecer na ancoragem da Cotia

No sábado (30/07) zarpamos às 7:00h pois teríamos cerca de 25 mn para retornar a Marina Bracuhy e, queríamos ter a tarde para limpar o barco e prepará-lo para mais uma temporada sozinho.  Contrariando a previsão do CPTEC fomos surpreendidos por um vento sudoeste (SW) pela popa que rapidamente aumentou para os 18-20 nós. Estávamos com a grande toda em cima e o piloto não dava conta. Rumei para a Ilha de Paquetá, a umas 2 milhas, para baixar a vela a sotavento da ilha. As fortes adernadas nas rajadas deixaram a família assustada. Depois vi que o anemômetro registrou 29,8 nós de velocidade máxima do vento.

Velejada tranquila voltando da Enseada do Pouso

Colocar o Tinguá na vaga do cais D do Bracuhy não foi nada fácil, naquela porranca. O espaço para manobra entre o nosso cais e o seguinte é muito pequeno e só consegui colocar o Tinguá de popa, sem maiores contratempos, porque um casal num inflável nos ajudou  empurrando na aleta de BE, além de juntarem uma bóia que havia "voado" para a água. Como é fantástica a solidariedade dos navegadores.

Tinguá pronto para mais um período de "hibernação"


Acabou. No outro dia o pior das férias, enfrentar os mais de mil quilômetros de estrada até em casa. Principalmente de São Paulo em diante onde as estradas pioram e pegamos muita chuva. Mas valeu!

Mais fotos em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao/angra2011.