terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Regata Volta à Ilha

Neste sábado às 10:00h largou a 44 Regata Volta à Ilha de Santa Catarina, a mais tradicional regata do estado, válida pela oitava e última etapa da Copa Veleiros de Oceano do Veleiros da Ilha. Participamos no Tinguá, mas na regata curta, uma prova paralela que larga junto mas é disputada nas baías internas para os veleiros menores e este ano também pela nossa classe dos cruzeiristas, chamada de Proa Rasa.

Preparativos para a largadsa

Este ano a regata foi disputada somente na Baía Sul devido as obras de recuperação da Ponte Hercílio Luz. A regata iniciou com vento SSW na casa dos 15 nós, com rajadas de 18 nós, mas na altura da Ilha do Largo foi diminindo para 5-6 nós de intensidade direção SSE. O Tinguá liderou até a caida do vento quando fomos alcançados e ultrapassados pelo Delta21 Cecris, que de balão e sem hélice, bímini, dog, enrolador era mais rápido (não podemos usar balão pelas nossas regras). Na tripulação somente o Luiz Carlos "Polaco" Poyer, o Eduardo e Eu.

A Volta à Ilha este ano teve vento favorável mas fraco e até calmaria de modo que o Fita Azul levou 12:15h e o último a chegar mais de 27 horas.

Fotos e clip em www.esportesdomar.com.br

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Visita a Wind Náutica

Em julho passado durante a Semana de Vela de Ilhabela conheci o veleiro Wind34, que está sendo construido em São José dos Pinhais (PR) pela Wind Náutica. Na ocasião o  James Bellini, proprietário, me convidou para conhecer o estaleiro. Como gostei muito do veleiro fiquei de faze-lo.

 Um Wind34 praticamente pronto

Ontem cumpri a promessa. Junto com meu parceiro Jorge Calliari estivemos em São José conhecendo as instalações e visitando os barcos em construção. Ficamos contentes em verificar a organização da Wind Náutica e a preocupação com a qualidade, pós venda e desenvolvimento. Do que vimos destaco o setor de desenvolvimento que constantemente melhora os produtos, principalmente com informações da equipe de manutenção e dos proprietários, a máquina CNC de corte de peças e a cabine de pintura com temperatura e humidade controladas. Gostamos bastante do que vimos, a Wind Náutica passa segurança a seus atuais e futuros proprietários.

 Um Wind34 em construção

No estaleiro o Wind34 de nº 13 praticamente pronto e mais os de números 14, 15 e 16 em construção. Também com o casco já desmoldado o primeiro Wind44, construido a partir dos moldes argentinos do Wind43.

 O casco do primeiro Wind44

O Wind34 é um projeto moderno de Nestor Volker, muito espaçoso e bonito, com um padrão europeu de acabamento e muitas soluções avançadas como o sistema da dinamarquesa Jefa que elimina o tradicional quadrante no sistema de roda de leme. Também é o primeiro veleiro nacional com holding tank de série.

 Bucha GRP do sistema da leme da Jefa

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Chegamos 2 Vezes na Regata Mormaii

Neste último sábado (10/11) o Tinguá voltou a disputar uma regata após 6 meses. Foi a 11ª Regata Mormaii, já uma das mais tradicionais da Copa Veleiros da Ilha de Oceano. A largada foi na Baía Norte, em frente à Av. Beira Mar, às 10 horas de um dia chuvoso com vento ENE fraco a médio. Com menos de meia hora de regata o vento já havia crescido bastante e se manteve ENE variando entre 17 e 26 nós, no restante da regata de 13,9 mn. Largamos atrasados e mal posicionados, mas fomos melhorando numa velejada hard, com contra vento forte, maré contra, chuva esparsa e com falta de escora, pois estávamos só em quatro tripulantes.

Tinguá logo após a largada
 
No início da tarde de sexta feira (09/11) as direções das flotilhas e o patrocinador, o velejador Luiz Carlos Schafer, optaram por alterar o percurso da regata. Deste modo a Flotilha de Cruzeiristas, que correm na classe Proa Rasa não mais contornaria a Ilha do Francês por boreste antes da chegada próximo a Sede Oceânica em Jurerê. Estive no Veleiros da Ilha naquele final de tarde e fui avisado pelo amigo Saul Capella da alteração. Aconteceu que o árbitro da regata não aceitou (?) a alteração e o AR3 saiu com o percurso pela Ilha do Francês.

Tripulação na confraternização: Eduardo, Guto kidlein, Eu e Jorge Calliari

Ao nos aproximarmos da chegada eramos os primeiros na classe e estávamos a frente dos veleiros da RGS C e Cruzeiro que costumam fazer os percursos mais curtos como nós. Assim, sem referência e vendo que o Maskote nosso mais próximo seguidor ainda não havia cambado para fazer a Ilha do Francês optei por cruzar a linha direto. Não recebemos o sinal de chegada da Comissão de Regatas. Após alguns minutos de discussão se voltávamos ou recebíamos a desclassificação, com a tripulação já cansada mais propensa a parar por ali, cambei o Tinguá  e coloquei todo mundo em ação para ajustar as velas e sair em perseguição ao Maskote que se mandara. Até tiramos muito da diferença e o trecho final com vento de popa entre o Francês e a linha de chegada foi divertido, mas não deu para ultrapassá-los, que dirá tirar a diferença de tempo corrigido.


Toda essa confusão tem origem na intransigência da Comissão Técnica da FCVO, conforme já comentamos no post Regata Cidade de Florianópolis.
Fotos e clip do www.esportesdomar.com.br onde tem também a sumula.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Social Good Brasil

Saí um pouco da rotina e da "tribo" dos velejadores para participar de um evento novo e diferente para mim, o Seminário Social Good Brasil, realizado no Teatro do Centro Integrado de Cultura de Florianópolis, nos últimos dias 6,7 e 8 de novembro, no qual me inscrevi e fui aceito na "categoria" de blogueiro.


Uma imagem do Social Good Brasil, no Teatro do CIC


Trata-se de um seminário voltado para o uso da tecnologia e da inovação para a transformação social. O objetivo era conectar diferentes públicos com ideias e ações para juntos identificar oportunidades para construir uma sociedade mais justa. Na programação palestrantes nacionais e internacionais que são referência nas áreas sociais e de tecnologia. Nos três dias (terça à noite e quarta e quinta feiras à tarde) discutiu-se como as tecnologias, as novas mídias e o pensamento inovador podem ter grande impacto social. Participaram organizações, empresas, voluntários, líderes comunitários, os grandes nomes (nacionais e internacionais) de tecnologias para o terceiro setor.

Eu que gosto muito de tecnologia e inovação e trabalhei com elas nos últimos anos de minha vida profissional, gostei muito. Fiquei surpreso com o uso da tecnologia e inovação na área social, conheci algumas ações fantásticas e me surpreendi, mais ainda,  com o envolvimento dos jovens com as questões sociais. A maioria dos participantes eram jovens... antenados, conectados, colaborativos, cheios de ideias.

sábado, 27 de outubro de 2012

Cruzeiro Floripa - Angra - A Volta 3

Soltamos as amarras do pier do ICParanaguá exatamente às 15:45h da quarta (24/10), não sem antes fazer algumas tentativas mais de contatar o Kyriri. Seguimos pelo Canal da Cotinga com vento SE na proa e corrente contra. Quando já estávamos no Canal da Galheta, próximos a Ilha do Mel, o Giovane liga no meu celular. Que alivio! Acabara de ancorar na Encantada. Durante a primeira trovoada, próximo a Queimada Grande, entrou ar no sistema de alimentação do motor e eles ficaram à deriva até passar o temporal. Para piorar Rafael, o companheiro de Giovane, estava mareado. Após a tribuzana velejou em direção a terra e ancorou quando chegou a 20m de profundidade. Então descansaram e conseguiram fazer o motor voltar a funcionar, seguindo  a viagem. Aconselhei-o a ir ancorar na sub sede do ICP, ainda mais que precisaria abastecer de diesel e passei-lhe as previsões.


 Paranaguá vista do Rio Itiberê com o ICP

Logo mais cruzamos com eles e continuamos nossa travessia aliviados. A saída do canal estava com ondas de quase 2 m e saímos dele por volta das 18:40h, não sem antes sermos ultrapassados por um enorme cargueiro, pegando o rumo SW com vento SE de 14-16 nós. O mar estava com no máximo 1 m e mexido. Fizemos uma boa travessia com ventos SE e depois E variando entre 9 e 17 nós, conforme o trecho, com mar baixo, tudo de acordo com as previsões. Somente nas proximidades de Ganchos, a cerca de 3 horas do destino, o vento mudou para S com 6-8 nós. Este sim não estava em nenhuma previsão. Na última hora o vento acabou. Chegamos ao Veleiros da Ilha com uma leve garoa às 14:35h da quinta-feira 25/10.


As pontes de Floripa
Completamos mais uma jornada. Ficam o aprendizado, as lembranças e as histórias para contar. Meus agradecimentos aos amigos-tripulantes que participaram  comigo nas diversas etapas: Antônio Moura, Giovane Dal Grande, Jorge Calliari, Luiz Carlos Poyer, Elberto Larsen e Jorge Silveira. E a minha família.

Mais imagens AQUI.

Cruzeiro Floripa - Angra - A Volta 2

Giovane ainda não havia "enytrado"no horário de verão, de modo que saímos de Ilhabela com alguma chuva fraca, às 08:45h, da segunda 22/10. Descemos o Canal de São Sebastião com corrente contrária e vento fraco. Após sair do canal a chuva parou, o vento firmou em 10-14 nós de ESE com mar baixo de ondas longas, permitindo uma velejada gostosa. Até fizemos um penne com molho Pesto Rosso (pronto, que ninguém cozinhava nada a bordo). À tarde o vento aumentou de intensidade, conforme as previsões, e rizamos a mestra para uma velejada mais confortável. O mar cresceu um pouco e foi ficando cada vez mais mexido. Passamos pela Laje de Santos ainda com luz do dia.

Alcatrazes com mar calmo, pela manhã
Laje de Santos, no final do dia
 
Já na região da Ilha Queimada Grande com o vento leste nos pegando de popa, o mar mexido e o piloto já tendo "pedido água" há um bom tempo resolvemos tirar as velas para descansar. Assim o piloto levava o barco sem maiores problemas. Pouco depois, por volta de 01:30h (da terça-feira 23/10) entrou a primeira trovoada, com 35 nós de cara. Foi uma sequência impressionante de quatro trovoadas, durante mais de três horas, sendo que mais de duas horas só com vento e relâmpagos, sem chuva. O vento acima dos 30 nós, chegando a velocidade máxima de 39,6 nós (72,5 km/h). Entre uma trovoada e outra caía para 26-28 nós e pensávamos estar acabando. Aí vinha a próxima e lá ia ele para os 33-35 de novo. Andamos contra o vento (no nosso rumo) ajustando a rotação do motor para o mar, muito agitado aquelas alturas, mantendo um deslocamento de 1,8 a 2 nós. O Tinguá se comportou maravilhosamente e vencemos o temporal sem qualquer avaria. O prejuizo foi a perda de nossa pequena placa solar esquecida presa com velcros e um cabo branco fino sobre o dog house. Ela simplesmente sumiu, não vimos nem quando.

Pela manhã o vento voltou a ser leste com 12-14 nós e o mar agitado, com um metro e pouco a um metro e tanto. Por volta das 11 horas outra trovoada se formou rapidamente, na altura da Ilha do Bom Abrigo, e chegou já com chuva torrencial. O vento SW chegou a 36,2 nós mas durou cerca de 20 minutos. Mais uma vez nos saimos muito bem, adotando a árvore seca e correndo contra o vento só no motor.

A trovoada chegando

 
A trovoada chegou

 
A trovoada passou
 
Tudo melhorou quando nos aproximamos da Ilha do Mel: o mar baixou, o vento era na medida, o sol apareceu se pondo no horizonte carregado eaté os golfinhos vieram nos saudar. Adentramos o Canal da Galheta, na Barra da Baía de Paranaguá por volta das 20:30h. Maré de pouca variação enchente e as 21:40h chegamos ao nosso destino a Enseada da Encantada, na Ilha do Mel. Sabíamos pelas previsões que na madrugada entraria vento Sul, daí a razão de irmos até Paranaguá nesta perna. Devido a pouca profundidade daquela região não conseguimos ancorar na proteção dos morros e a corrente também estava bem superior ao vento. Decidimos então ir para a sub sede do Iate Clube de Paranaguá, na Ilha da Cotinga, ainda mais que por medida de segurança iríamos pegar mais diesel. Pegamos uma poita na sub sede por volta da meia noite, fizemos uma massa com vinho e desmaiamos até as 07:15h da manhã.

Golfinhos nas proximidades do Ilha do Mel

 
Chegando na Barra de Paranaguá
 
Durante o café da manhã confirmamos as previsões, que se mantinham. A estratégia era sair por volta de 16:00h pois quando saíssemos do Canal da Galheta, por volta das 19h, o vento já seria SE rondando para E durante a noite. Apesar de um aviso no site do CIRAM e da Paranaguá Rádio informar mar agitado com 4m de onda no mar aberto e 2,5m próximo ao litoral, confiamos no BuoyWeather e no CPTEC onde este mar ia só até a altura do Cabo de Santa Marta.

A tranquilidade do Canal da Cotinga

Demos uma geral no Tinguá , tomamos banho e rumamos para o centro de Paranaguá, ali perto, pelo Rio Itiberê. Compramos mais diesel e depois atracamos no pier do ICParanaguá onde almoçamos e descansamos. Uma boa coisa nestas travessias é os convenios que o nosso Veleiros da Ilha tem com vários clubes, que invariavelmente nos recebem muito bem.

A preocupação era com o Kyriri-ete de quem ainda não tinhamos notícias. Ele vinha mais lento e não conseguiamos contato pelo rádio. Nem depois com a estação do ICP. Deixamos vários recados no celular, que até a metade da tarde permanecia sem sinal.
Mais imagens AQUI.

Cruzeiro Floripa - Angra - A Volta 1

Chegada a hora de retornar para casa para os dois últimos participantes do Cruzeiro Floripa - Angra que ainda estavam na região da Baía da Ilha Grande. No dia 18/10 na companhia de Jorge Silveira (Comte. do Vento Solar) e Elberto Larsen (Comte. do Parangolé) tomamos o avião para o Rio e de lá o ônibus até a Porto Marina Bracuhy, em Angra dos Reis, para encontrar o Tinguá.

Beto nas "lidas domésticas"

Na sexta (19/10) preparamos o barco, demos baixa na marina e quando ligamos o motor notamos um som diferente do habitual e verificamos que não estava jorrando a água de refrigeração. Pensamos logo no rotor da bomba d'água, mas constatamos que era a correia que estava laceada, quase rompendo. Falha minha, que na revisão das 1000 horas substitui a correia do alternador e acabei por esquecer desta, ainda original. Menos mal que o problema se manifestou ainda na marina e não no meio de um mar revolto...

Deixando o Bracuhy rumo a Floripa
Correia substituida zarpamos rumo a Paraty às 13:50h, após completar o diesel no posto. A travessia foi com tempo chuvoso e ventos médios do quadrante sul. Chegamos a Marina Refúgio das Caravelas por volta das 17:20h, ocupando uma vaga no pier ao lado do Kyriri Ete, do Comte. Giovane Dal Grande. Depois do banho fomos para a cidade jantar e fazer o mercado. Giovane que ficou boa parte destes últimos meses em Paraty, nos levou num lugar bem legal, a Esfiharia e Cervejaria Camello.
 
 
Muitos golfinhos no caminho para Paraty
No sábado com Jorge e Giovane dei uma caminhada até a Marina Farol de Paraty para vermos os veleiros clássicos que estavam participando da 1 Regata de Veleiros Clássicos - etapa Paraty, naquele final de semana. Mais tarde fomos, com oTinguá, assistir a regata nas proximidades das Ilhas do Bexiga e Mantimento. Colocamos uma picanha para assar no forno que saboreamos ancorados na Enseada de Jurumirim. 

Marinas Farol e Engenho, em Paraty

Regata de veleiros clássicos

 
Escuna Dália, na regata de clássicos
 
No domingo (21/10) deixamos a marina, o Tinguá e o Kyriri-ete, às 04:50h rumo a Ilhabela, onde chegamos exatas 12 horas depois. O mar estava baixo mas mexido e vento tivemos só antes de dobrar a Juatinga e nas proximidades da Ilhabela. Fomos direto ao posto de abastecimento completar o tanque e mais uma bombona de 20l. O Kyriri com um problema na fixação do motor teve que manter um ritmo mais lento e chegou por volta das 19 horas.


Uma traineira de pesca, nas proximidades da Baía de Jurumirim

Ficamos em poitas do YCIlhabela, clube conveniado com nosso ICSC. Depois do banho e da janta no Manjericão, conferimos as previsões e marcamos a partida rumo a Ilha do Mel, na Baía de Paranaguá, à 200 mn, logo após a abertura do posto para o Kyriri abastecer.

O Cisne Branco, na Ilhabela


Mais fotos e imagens AQUI.

sábado, 6 de outubro de 2012

Navegando com Tablet

Nesta última semana um dos assuntos dominantes no grupo de discussão da ABVC, no Yahoo, foi a utilização de cartas náuticas digitais em smartphones e tablets. Já existe a disposição, tanto para a plataforma iOS (Apple) como Android vários aplicativos para navegação digital, bem como encontramos à venda uma infinidade de acessórios para facilitar a sua utilização, tais como suportes, capas a prova d'água, carregadores 12V e muito mais. Assim como aconteceu com os localizadores por satélite pessoais tempos atrás agora os navegadores estão descobrindo as possibilidades de uso dos seus smartphones e tablets para a navegação náutica. Vou contar minha experiência.

A exemplo dos localizadores por satélite pessoais, como o SPOT, sem dúvida o mais popular entre nós, em contra ponto aos sistemas de localização Epirb, a navegação com smartphones e tablets versus chartplotters tem alguns aspectos muito interessantes. Com o desenvolvimento e popularização destes equipamentos, notadamente em suas capacidades de processamento e inclusão de GPS puros - isto é que utilizam diretamente o sinal do sistema GPS sem depender de outro tipo de sinal como wifi ou celular - o seu uso na navegação náutica passou a se difundir. Tenho um tablet iPad2 (o da maçã mordida) e optei pelo aplicativo da Navionics por ser uma empresa tradicional no segmento, desenvolvedora de cartas náuticas digitais compatíveis com equipamentos da Furuno, Lowrance, Hummerbird e outros. Meu GPS primário de navegação no Tinguá é um Garmin 76CSx com cartas digitais CCD Gold. Então não optei pelo uso no smartphone pois manteria a principal desvantagem do meu Garmin que é o tamanho reduzido da tela. 

Para não me alongar muito, vou logo dizendo que estou gostando muito. Por US$ 49,99 (a versão com as cartas do Caribe e Amécia do Sul, lado do Atlântico) a mais que o custo do meu tablete (que não foi adquirido pensando neste uso) tenho um chartplotter com tela de 10 polegadas touch screen, contra milhares de dólares dos equipamentos tradicionais (no Brasil mais de dezena de milhares de reais). Calma! Sei que os equipamentos tradicionais oferecem mais como maior numero de informações, adequação ao uso náutico, integração, robustez, confiabilidade, etc. Mas, para o uso da maioria de nós em travessias e cruzeiros costeiros e relativamente curtos, atende muito bem, com uma excelente relação custo x benefício. Tenho uma visão excelente da carta com os recursos de navegação (zoom, deslocamento) nativos dos tablets, traço e edito uma rota rapidamente com toques na tela, se tiver sinal de wifi ou celular tenho informações meteorológicas e de marés on line, flexibilidade podendo usá-lo no cockpit ou na cabine, na mão ou num suporte.

 
 Navionics no iPad

Outro ponto forte é o rápido desenvolvimento destes aplicativos. Tenho o meu  há 7 meses e a evolução vem sendo muito rápida. Novos acessórios também vem sendo desenvolvidos como, por exemplo, um hardware para comunicação wifi - NMEA, que permite a integração com outros equipamentos, como o piloto automático.

 Com o novo módulo de navegação (á direita na tela) que ainda não testei no mar

Naturalmente o utilizo como um complemento a navegação, nunca deixando de lado meu GPS náutico, bússola e as cartas em papel. Por outro lado a carta da Navionics não possui, no caso da América do Sul, o nivel de informação da CCD Gold ou da GPSMapas, que implementam muitas informações adicionais, atualizações checadas por navegadores, rotas recomendadas para a entrada em barras e portos, que nos auxiliam muito na navegação. Resta torcermos para que estes últimos também desenvolvam seus sistemas para os smartphones e tablets.

Um detalhe para quem for comprar o iPad. Para funcionar o GPS puro precisar ser de um dos modelos com wifi + chip de celular (parece uma contradição, não).

Alguns exemplos de capas a prova d'água e outros acessórios aqui e acolá.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Novamente na Ilha Grande

Depois de um mês retornei para uma curta temporada de uma semana no Tinguá, no último dia 26 de agosto, na companhia dos amigos Jorge "Gico" Calliari e Luiz Carlos "Polaco" Poyer. Chegamos na Marina Porto Bracuhy no meio da tarde e já começamos a preparar o Tinguá. Período tão curto não dá para ficar na marina.

 Abastecendo a dispensa de bordo

Na segunda cedo trocamos o óleo e filtros do motor. Uma "bobeada" minha permitiu a entrada de ar no sistema de alimentação do motor e então levamos quase uma hora para solucionar o problema. Abastecemos de diesel no posto da marina, que (boa notícia) a partir de setembro estará com a bandeira Petrobrás e terá o Diesel Verana. Dali direto para o Piratas para novo abastecimento, agora da dispensa. Dispensa abastecida rumamos para a Tapera do Sitio Forte, na Ilha Grande, onde chegamos ao final da tarde.

 Praia da Tapera, no Sitio Forte, um encanto só

Gico e Polaco vão muito bem na cozinha. Então esta parte ficou ao encargo deles que no domingo à noite discutiram o cardápio e fizeram a lista dos mantimentos a serem adquiridos. E foi só ancorar na Tapera que o Polaco já começou a se preocupar em preparar um Bifum (macarrão oriental de arroz) de frango. Que ficou delicioso e foi consumido com um bom vinho como convinha a temperatura amena. E assim tivemos vários pratos deliciosos preparados por um ou outro. Eu só entrei na brincadeira quando foi para assar a picanha, na Lagoa Azul.

Os barcos dos pescadores no Saco do Céu

O mês de Agosto foi especialmente quente e seco neste ano, mas justo nesta semana entrou uma frente fria. Pegamos a segunda e a terça nubladas e com alguma chuva, felizmente mais na madrugada, e temperatura mais baixa. De quarta (29/08) em diante foram dias ensolarados com temperatura acima dos 25º C durante o dia. A água do mar é que foi a mais fria que já peguei na região, na casa dos 21º C. Os ventos (tivemos ventos quase sempre) foram de S e SW até a quinta feira, mudando para E e NE na sexta.

 Depois da trilha ainda tinha que remar até o Tinguá...

Na terça o Giovani Dal Grande e seu Kyriri-ete chegaram de Paraty para nos acompanhar nas andanças pela Ilha Grande. Giovani que também não é fraco na cozinha teve seu dia de chef preparando uma excelente moqueca de camarão.

A Lua cheia se pondo no amanhecer da Ilha de Itanhangá

Foi uma ótima semanada na companhia de grandes e velhos (nos dois sentidos, ahahah) amigos. Nos dividimos entre a Enseada do Sitio Forte, Abraão, Palmas com Lopes Mendes, Saco do Céu e Lagoa Azul. Mais uma vez as condições meteorológicas não permitiram conhecer mais do "lado de fora" da Ilha Grande. Na próxima vez deve dar...


Lavando o convés
Na última noite (31/08) fomos no final da tarde dormir em Itanhangá, próximo a marina, para chegar cedo no sábado e preparar o Tinguá para mais um período de hibernação.

 Com as malas prontas esperando o transporte para pegar o avião no Rio

Mais imagens aqui.


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Olha Nós no Almanáutica

Por solicitação do Ricardo Amatucci - empresário, velejador, blogueiro, Diretor de Comunicação da ABVC, e não sei mais quantas outras atividades - enviei algumas notícias da nossa região para o primeiro número do novo jornal náutico Almanáutica. E não é que a "manezada" do Veleiros da Ilha no primeiro Cruzeiro Floripa - Angra emplacou com foto e tudo, na edição de estréia.


Pois é, Ricardo somou mais uma atividade, estando a frente do Almanáutica um jornal "para quem tem o mar na alma", isto é voltado para o mundo náutico. O primeiro número foi distribuido no início de julho passado. Sim, o jornal é de distribuição gratuita nos pontos náuticos, como marinas, lojas e clubes náuticos. O segundo número está saindo nos próximos dias. Desejamos sucesso e vida longa ao Almanáutica.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Férias de Inverno na Ilha Grande

No ano passado nas férias escolares de inverno optamos por velejar na região de Paraty que conhecíamos pouco. Neste ano, na terceira temporada do Tinguá na região da Baía da Ilha Grande, escolhemos a Ilha Grande com a perspectiva de conhecermos o lado de fora da ilha. Não deu para conhecer lugares como Parnaióca e Dois Rios pois o mar esteve com ondas de S durante todo o tempo, do dia 18 ao 27 de julho. Não eram altas na maioria dos dias, mas o Guilherme Moraes (do Vivere Aude) e Eu achamos melhor não arriscar, já que as "comandantas" não gostam muito de balanço e adernadas.

 Ancoragem da Praia da Tapera ao amanhecer

Em compensação a partir do dia 20 os dias foram maravilhosos com temperaturas próximas dos 30ºC, ensolarados, com poucas nuvens e água limpa, a excessão do dia 25 quando ventou forte no Abraão e a tarde chegou a chover um pouco.

 Os meninos pescando na Praia da Tapera

Ficamos entre a Praia da Tapera no Sitio Forte, Saco do Céu e Abraão. Aliás, na Tapera aconteceu no sábado (21/07) o Festival Sitio Forte organizado por Jorge "Paragon", com churrasco vegetariano, de carne e fondue de chocolate com banana e marshmallow. Estavam lá nesta primeira edição os veleiros MaraCatu (com Hélio e Mara), Desgarrado (com Guilherme Estrela e Josefina), Vivere Aude (Guilherme, Solange, Erik e Isadora), Martina (Mauro e Márcia) mais o Bubi (Viviane, Rúbia e Sérginho de Itacaré) e Livre (Rosana e Rogério D'Ávila), do Veleiros do Ilha, que vieram especialmente de Paraty.

 Tapera vista da trilha para Ubatubinha 

Aproveitamos também em terra explorando as trilhas próximas a Tapera e na terça feira (24/07) indo conhecer a bela Cachoeira da Feiticeira, fazendo 01:45h de trilha desde o Saco do Céu pela trilha Saco do Céu - Abraão. No caminho conhecemos as praias de Perequê e Camiranga, na Enseada das Estrelas.

A Cachoeira da Feiticeira
Clique AQUI para clip

A quarta (25/07) foi o dia "complicado". Havíamos pousado no Abraãozinho e logo de manhã com dia ainda bonito o vento NW acelerava nos morros chegando em torno dos 20 nós, mais do que nas previsões, e foi se mantendo durante toda a manhã, contrariando as previsões. Por volta das onze horas nossa ancora estranhamente garrou. Resolvi então mudar a ancoragem para a pequena enseada de Abraão Pequeno, bem mais abrigada, só que foi bem no "pico" da porranca com a intensidade do vento chegando aos 30 nós. Finalmente tranquilos numa poita no Abraão Pequeno eis que acaba o gás, menos mal que a "comandanta" havia terminado o almoço. Depois de almoçar fui trocar o botijão para fazer o café. E nada. O botijão de reserva recarregado antes de sair de Floripa estava vazio. Ficou a dúvida se foi mesmo recarregado ou se vazou o conteúdo. O lado positivo foi que em razão da ventania não fizemos o churrasco programado que assim ficou para o dia seguinte, resolvendo o problema de fazer o almoço sem gás.

A caminho da Lagoa Azul

Para o café da manhã e outras necessidades de uso do fogão resolvemos com um "fogareiro" improvisado com uma latinha de cerveja e álcool gel. Portanto, não deixe de ter cerveja em lata à bordo...


Latinha de cerveja é fundamental à bordo

Preocupado em substituir o botijão de gás, que no Tinguá só pode ser os de 2 kg, fiz vários contatos entre eles com o Assis Ribeiro, do catamaran Craca-a-toa, baseado no Bracuhy. No dia seguinte o Assis me enviou email informando que meus problemas haviam acabado pois já tinha comprado um botijão carregado para mim. Puxa, este é o espírito dos velejadores cruzeiristas. Mais uma vez muito obrigado Assis.

Mas, na quinta (26/07) tudo voltou ao normal: dia espetacularmente lindo rumamos para a Lagoa Azul. mais linda que nunca, com água muito limpa ela foi praticamente só para nós neste dia. Depois de fazer snorkel com meu filho Gabriel assei o prometido churrasco, que modéstia parte ficou muito bom.

 Churrasco na Lagoa Azul

Gostaria de elogiar os empresários dos restaurantes Recanto dos Maias, na Praia da Tapera, e Coqueiro Verde, no Saco do Céu, que disponibilizam poitas e água aos navegantes, sem se preocupar se os usuários vão consumir em seus estabelecimentos, o que acaba acontecendo.

Saindo da última ancoragem, na Ilha de Paquetá

Dormimos a última noite na Ilha de Paquetá e cedo na sexta (27/07) rumamos para a Marina Bracuhy. Manhã de muito trabalho para deixar o Tinguá em novo período de hibernação. depois do almoço seguimos para passar o final de semana no Rio de Janeiro, para os meninos conhecerem.

 Mais imagens aqui.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Meu Neto Pedro a Bordo

No inicio da noite de domingo (15/07) chegaram a Paraty minha filha Fernanda, com o marido Marcelo e o filho Pedro, meu neto mais velho (5 anos). No dia seguinte, já com chuva constante, fomos a cidade para tirar os pontos na cabeça que o Pedro arrumou em sua passagem por Floripa. Depois do almoço zarpamos no rumo do Bracuhy, sempre com chuva. Pernoitamos na Ilha Sandri.

Centro Histórico de Paraty em dia de chuva

Marcelo que além de ser Engenheiro de Pesca é pescador dos bons veio preparado e foi pegando alguns peixes. Na terça (17/07) o dia amanheceu ensolarado, contrariando a previsão. Fomos para Piraquara de Fora, onde a água é mais quente devido a descarga da água de refrigeração das Usinas Nucleares, e descemos na praia. Para o almoço Marcelo assou os peixes na churrasqueira. Antes do final da tarde fomos para a Ilha Itanhangá para pernoitar.



 
Marcelo e Pedro e um Marimba
 
De manhã cedo, com chuvas esparsas, rumamos para a Marina Bracuhy pois minha esposa e os meninos chegavam no inicio da tarde para aproveitar as férias escolares de inverno. Roupas para a lavanderia, uma passada na padaria para comprar alguns produtos básicos e uma geral no Tinguá. Almoçamos no Bowteco onde encontramos o povo da vela, Hélio e Mara, do MaraCatu, e Guilherme e família, do Vivere Aude, mais D. Lu Casagrande.


 
Pedro, Rafael e Gabriel pescando no rumo da Ilha Grande
 
Na quinta (19/07) deixamos a marina cedo, num dia nublado, navegando para mostrar algumas das atrações da região para a filha até ancorarmos na Praia da Tapera, no Sitio Forte. Marcelo com auxilio dos cunhados Gabriel e Rafael pegou mais alguns peixes. Depois de almoçarmos uma fraldinha no forno com rizoto de tomate seco que a "almiranta" Claci preparou, rumamos para o Saco do Céu, passando na Lagoa Azul no caminho. Pela primeira vez dormimos em sete no Tinguá: 2 na cabine de proa, 2 na sala e na cabine de popa que é bem larga Eu, a esposa e mais o Rafa.



Fernanda, Marcelo e Pedro no Saco do Céu
  
O dia amanheceu maravilhoso e logo cedo fomos passear na prainha junto ao mangue, onde vimos uma enorme estrela do mar laranja. Pelas dez horas seguimos para a Marina Piratas para desembarcar a filha e família, que seguiu para o Rio, e reabastecer a despensa de bordo. Dali retornamos a Praia da Tapera.

Mais imgens aqui.

sábado, 21 de julho de 2012

Minha Primeira Travessia em Solitário

As condições meteorológicas eram favoráveis e minha filha mais velha, genro e neto desceriam de São Paulo para Paraty, então parti da Ilhabela ainda na madrugada de domingo (15/07). Coloquei o alarme do celular para as 02:30h mas estava ansioso pois seria minha primeira travessia em solitário e pela uma e pouco já estava desperto. Minha experiência anterior em velejadas em soliotário limitava-se as inúmeras vezes que fiz o trecho entre a sede centro e a oceânica do Veleiros da Ilha e uma pequena travessia Paraty - Bracuhy, com outros veleiros.

Zarpei às 02:25h com a mestra no primeiro rizo sem vento. Algumas milhas após a Ponta das Canas o vento apareceu mas sempre muito inconstante, variando de W a SE, pelas alhetas e popa do Tinguá, nunca mais de 10-11 nós. Abri e enrolei a Genoa várias vezes. O mar tinha ondas longas de metro e pouco, mais mexido entre as pontas Negra e Juatinga.

A surpresa foi o vento mais forte e constante após dobrar a Juatinga. Pelo través de bombordo com 13-14 nós, chegou a 17-18 nas passagens pelas entradas do Mamanguá e Paraty-mirim. Pouco antes da Ilha do Mantimento passou a "dar na cara", sempre nos 13 nós.

 A Ponta Negra

Pretendia ficar na Marina Farol de Paraty mas pediram 12 reais o pé no cais com energia e 9 sem pela diária. O quedaria R$ 360,00 para o Tinguá. Nestes valores são 90 reais pela energia elétrica. Não consigo imaginar como um 30 pés vai conseguir gastar 90 reais de energia elétrica num único dia. Para efeito de comparação a diária no pier com ãgua e energia na Marina Bracuhy está 4 reais o pé. Não entendo a política comercial destas marinas que ao invés de trazerem potenciais clientes os espantam, e eles tem bastante vagas. Fui então para a já conhecida Refúgio das Caravelas pagando 3 reais o pé no pier (com energia e água), o que também nãO é barato pelas condições que oferece.

Cheguei "são e salvo" após 11:50h de uma navegada sem maiores problemas, quebrando mais um paradigma.