sábado, 24 de dezembro de 2016

Nova Temporada no TinguaCat

Chegamos em Miami no último dia 18/12 para uma nova e curta temporada no TinguaCat. Infelizmente, compromissos profissionais da esposa, dos filhos adolescentes e meus com o término da construção do nosso Neomarine HS38 em Florianópolis. Não dá para ficar muito tempo longe nesta fase final do barco, pois somos nós que contratamos os serviços e compramos as peças e equipamentos. Viemos a esposa, o filho mais novo Rafael e Eu. Gabriel esta no Canadá no intercâmbio.

Dormimos em Fort Lauderdale onde tínhamos algumas tarefas a fazer e seguimos viagem, by car, para St. Augustine (são 450 km) onde chegamos à noite. Na terça feira (20/12), com o tempo virando completamente para frio, nublado e úmido e com vento norte congelante, fomos cedo para a St. Augustine Marine Center, onde o TinguaCat  ficou mais uma vez, guardado em terra.

Até o final da manhã de sexta feira (23/12) foi só trabalho. Mil e uma tarefas que só quem deixa seu veleiro parado por meses sabe bem. O TinguaCat desceu para a água na quinta pela manhã, já com o Sol aquecendo novamente. Como não havia vaga nos piers da SAMC, pois o pier maior esta quebrado desde o Furacão Matthew em Outubro passado, fomos para a River's Edge Marina cerca de 1,5 mn San Sebastian River acima. Marina simples mas muito agradável e organizada onde estamos muito bem instalados, perto do centro histórico e ao lado da US-1 onde estão os principais comércios. Preço honesto e ainda 25% de desconto para sócios da BoatUS. Recomendamos fortemente.

No final da quarta o sol voltou e tivemos o último por em terra 

TinguaCat voltando para seu habitat

Na River's Edge Marina

Vista da English Landing com a River's Edge ao fundo, no San Sebastian River

St. Augustine como já dito em outros posts tem um Historic District muito bonito, pois foi fundada pelos espanhóis em 1565 (é a cidade mais velha dos EUA), e muitas atrações turísticas com intenso movimento de turistas. Nesta época de Natal está especialmente enfeitada com muitas luzes, o que eles chamam de Nights of Lights. Então resolvemos passar nosso Christmas Eve aqui. depois seguiremos rumo Sul.



Charrete uma das muitas maneiras de conhecer a cidade 


A antiga St. George a rua do comércio turístico, com muitas
lojas inusitadas e bares 



Boas Festas

Lembrando as palavras de John Lennon em Merry Xmas desejamos a todos os amigos e leitores deste blog um Feliz Natal e um ótimo Ano Novo!

video


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Primeiro Neomarine38 na Água

Na manhã da última sexta feira (09/12) colocamos na água o primeiro veleiro Neomarine HS38, o Argonauta3. Esta primeira unidade pertence ao Cmdte. Celso Muller de Farias. Celso que junto com o construtor Alexandre Meinecke foram os idealizadores deste empreendimento que iniciou há mais de 3 anos com a contratação do projeto junto ao escritório argentino HS Design, do projetista Hernán Salerno. A fabricação iniciou no dia 28/07/2014, portanto foram 28 meses de trabalho até o Estaleiro Neomarine confeccionar as formas e finalizar a primeira unidade.


 Lançamento na Praia de Fora, em Palhoça, na Grande Florianópolis

Trata-se de um cruiser-racer moderno, que segue as atuais tendências de projeto européias, muito bem construído por processo de infusão com várias soluções técnicas atuais e inovadoras como o sistema de leme e o de acionamento da quilha, que permite um calado entre 1,0 - 2,4 m. Oportunamente trataremos das características do barco em um post específico. Até Maio de 2017 teremos outras 4 unidades na água.


Neomarine HS38 no pier do Veleiros da Ilha

No sábado o Argonauta3 já disputou a 48ª Regata Volta à Ilha de Santa Catarina, última etapa da Copa Veleiros da Ilha de Veleiros de Oceano, mesmo sem tempo para treino ou ajustes e sem medição. Neste primeiro teste o veleiro se comportou muito bem e mostrou seu potencial, mas acabaram desistindo depois de um longo tempo sem vento.



Imagens na disputa da Regata Volta à Ilha

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Furacão em Florianópolis?

Bem, não foi um furacão mas chegou perto. Tecnicamente um ciclone sub-tropical ou uma tempestade sub-tropical. O fato é que na madrugada do último domingo (04/12) a região de Florianópolis foi atingida por ventos com rajadas de até 118 km/h, seguidos de muita chuva. Foram inúmeras ocorrências com muitas árvores quebradas ou arrancadas do solo, destelhamentos, placas publicitárias derrubadas ou entortadas, rede elétrica com muitos postes derrubados e fios partidos de modo que foram 260 mil unidades consumidoras sem energia elétrica. Em alguns locais a energia elétrica não retornou ainda.





Havia previsão da entrada de uma frente fria com ventos fortes e muita chuva. O que ocorreu no entanto foi que o tal ciclone sub-tropical que estava em alto mar mudou de direção, na noite de sábado, tocando a costa. Nossos recursos técnicos ainda são insuficientes para prever tais movimentos com a antecedência desejada e não temos sistemas eficientes de aviso a população (como os alertas em todos os celulares dos EUA). Some-se também uma certa incredulidade pelo fato de serem ocorrências atípicas para a região. 

Mas o que queria tratar aqui era das consequências ao mundo náutico. Foram muitos problemas no ICSC-Veleiros da Ilha com barcos se chocando nos trapiches, algumas lanchas danificando suas plataformas de popa contra os mesmos, velas rasgadas. Um veleiro de 41 pés soltou-se de uma das poitas ao arrebentar seu cabo de amarração a poita e foi encalhar a poucos passos das pedras, levando junto uma traineira. Felizmente com danos de pequena monta.





Já no campo de poitas da Marina Santo Antônio, em Santo Antônio de Lisboa, os estragos foram muito maiores. Dez veleiros foram dar na praia, de encontro a pedras ou encalharam próximo as margens. São 2 ou 3 perdas totais e inúmeros outros prejuízos. A principal causa foi a abertura das genoas enroladas de alguns destes veleiros que provocaram o rompimento de cabos ou arrasto de poitas levando outros pelo caminho, como um strike no boliche.






O Arthegas, ex-Guga Buy, e o Free Flap

Dentre os barcos destruídos esta o Arthegas, um Van de Stadt 29, que já foi o Parangolé do Cmdte. Beto Larsen, e antes o Guga Buy, o primeiro, do Cmdte. José André Zanella e seu filho Eduardo Zanella. Muitas milhas fiz como tripulante deste valente barco. Foram travessias, regatas, uma subida da costa do Brasil no Cruzeiro Costa Leste de 2008, a Regata Recife - Fernando de Noronha, a regata de volta a Natal...Não merecia este fim. 

Guga Buy entre Santo André e Ilhéus, no Cruzeiro Costa Leste 2008

domingo, 16 de outubro de 2016

O Primeiro Furacão

No início da semana passada começamos a ficar apreensivos com a trajetória do furacão Matthew, que estava sendo "empurrado" por outro furacão o Nicole para a Costa Leste da Florida a partir da sua região central.  Como dito aqui o TinguaCat esta na St. Augustine Marine Center, na cidade de mesmo nome bem no norte da Florida, uma região muito pouco afeita a furacões.

Os dias foram passando e as previsões se confirmando até que no final da manhã de sexta feira (07/10) o Matthew, um furacão de categoria 4, atingiu St. Augustine, com muito vento e chuvas que provocaram inundações na histórica cidade. O TinguaCat estava em terra preso por cintas, as hurricane straps, e lá também estava o Bulimundu, do amigo John Vieira, mas só conseguimos ter notícias na segunda feira quando a marina nos informou que os barcos estavam bem. Um grande alívio mas ainda ficavam muitas dúvidas: Algum destroço levado pelo vento poderia ter danificado alguma coisa? Será que o sensor de vento aquentou? E as placas solares que são móveis? E o dingue?

Estas perguntas só foram respondidas hoje quando estivemos na marina e encontrei o TinguaCat em perfeito estado, sem nenhum arranhão, com tudo em seu lugar, nem mesmo as capinhas das catracas foram perdidas. Muito bom! O Bulimundu também não sofreu nenhum dano.

TnguaCat em perfeito estado

Mas o Matthew não foi fraco, não. Houve inundação na área da marina e vários dos galpões sofreram estragos, principalmente nos telhados. Em outras marinas da região também ocorreram muitos problemas, em especial com barcos que ficaram em piers com mais de dez veleiros afundados.

E a cerca da marina virou rede... (Foto de Zack van der Berg)






Estragos na marina municipal, no centro da cidade

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Eleições no Veleiros da Ilha

Como tradicionalmente acontece no mês de Agosto a cada dois anos, no sábado dia 6 tivemos concorridas eleições no meu clube náutico, o ICSC-Veleiros da Ilha. Só que desta vez havia novidades. Conforme estipulado pelo novo estatuto do clube, aprovado em Novembro de 2015, as eleições não serão mais em chapa única. Objetivando dar independência aos Conselho Deliberativo e Fiscal os membros destes dois conselhos passam a ser eleitos por votação individual. Sou membro do atual Conselho Fiscal e desta vez me candidatei ao Conselho Deliberativo e tive a honra de ser um dos eleitos, para o biênio 2016-2018. O Comodoro Alexandre Back e seus Vice-Comodoros foram reeleitos para mais um mandato de 2 anos.



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Conheça o Aventura

Como já contei aqui, participei da última Semana de Vela de Ilhabela na tripulação do veleiro Aventura, do Comandante José Guilherme Bastiani, o Chicão, competindo na classe Clássicos. Foi a segunda vez que o evento de Ilhabela contou com os clássicos em uma classe própria. Nos últimos anos tem havido um interesse maior no Brasil por estes veleiros. De tal modo, que vários veleiros legendários tem sido recuperados do abandono e restaurados, exemplo de alguns classe Brasil. Houve uma organização por parte dos proprietários destes barcos que criaram uma associação (https://www.facebook.com/abvclass/) e um calendário de eventos, notadamente regatas, onde se destaca a regata de clássicos de Búzios, disputada no final de novembro de cada ano.

Velejar num veleiro clássico, como o Aventura, é bastante diferente. Quer pelos conceitos de construção, como armação e quilha por exemplo, quer pelos equipamentos e ferragens. No Aventura não há self tailing nas catracas, stoppers ou mordedores. Mesmo deslocando cerca do dobro de um veleiro moderno de mesmas dimensões ele tem bom desempenho no través e nos ventos médios em diante e é bastante seco para seu perfil baixo.

O Aventura é um projeto de muito sucesso do famoso escritório naval norte americano Sparkman & Stephens. É o desenho 1054, conhecido por Finisterre (nome do primeiro barco construído), um yawl centerboard de 38' 8" (um 12 m). Foi construído em Porto Alegre entre 1955 e 1957 pelo competente engenheiro naval alemão Robert Funk, todo em madeira (como Cedro Rosa e Cabreúva), inclusive os mastros,  para o jornalista Breno Caldas. Conheça mais deste verdadeiro clássico da vela brasileira nestes links:

http://sparkmanstephens.blogspot.com.br/2011/03/design-1054-finisterre.html

http://sparkmanstephens.blogspot.com.br/2011/06/design-1198-aventura.html

http://www.sparkmanstephens.info/doc/xxxxxm2FgKofLBMqvVwg1wx5arXyMH2Y.pdf

http://www.popa.com.br/docs/cronicas/aventura.htm

Um vídeo para conhecer mais do Aventura:



A seguir várias fotos do Aventura, na Semana de Vela de Ilhabela de 2016:

Foto: Instagram Hélio Viana 








terça-feira, 12 de julho de 2016

Voltando de Ilhabela no Terroso

Esta Semana de Vela de Ilhabela foi especial. Além da oportunidade de participar na tripulação do veleiro clássico Aventura, do Comte. José Guilherme Bastiani (Chicão), na ida de Florianópolis para lá levei o catamaran Lagoon450 (veja post aqui) do amigo e Cmte. Guilherme Stark Bernard. Para completar, tive a oportunidade de voltar também navegando. Foi no Terroso, um Carabelli53, do Comte. Carlos Augusto de Matos que disputou a classe IRC.

Terroso competindo na SVIlhabela, onde foi 3° na IRC A

O convite partiu do amigo e Comte. Saul Capella, responsável por trazer o veleirão de volta a Floripa. Na tripulação mais o amigo Thiago Farias e o Andreis Castro. Pena que com o pouco vento pudemos velejar poucas horas, Mas a travessia foi muito boa e rápida. Saímos do Yacht Clube de Ilhabela após a festividade de premiação, às 22:55h de sábado (09/07) e pegamos a poita do Terroso, na Sede Jurerê do ICSC-Veleiros da Ilha, às 08:20h de segunda feira (11/07). Foram 35:20h para as 280 milhas náuticas (cerca de 520 km).

Aproveitando o vento fraco com a genoa

Por do Sol no mar, sempre maravilhoso

Como em todas travessias que faço nesta região a visita dos golfinhos




segunda-feira, 11 de julho de 2016

43ª Semana de Vela de Ilhabela

Depois de três anos ausente voltei a disputar a Semana de Vela de Ilhabela, no período de 01 a 09/07, desta vez na tripulação do veleiro clássico Aventura, do comandante José Guilherme Bastiani, conhecido por Chicão. O Aventura é um yawl de 38 pés modelo Finisterre, projetado pelo famoso escritório naval Sparkman & Stephens, construido em 1957, do qual falarei mais num próximo post. Na tripulação, além do Comandante Chicão e Eu, o casal Hélio Viana e Mara Blumer, nossa proeira Renata Liu, Diogo Nunes e Antônio Felipe de Lima e Silva que revezou com José Ricardo Malheiros.


O Aventura na poita

Foram seis regatas, iniciando pela longa, a Regata Ilha de Toque Toque por Boreste, de 45 km. A qual não concluímos pala parada do vento, Depois fomos terceiros colocados em todas as outras, exceção da terceira regata onde nossa tática não funcionou e fomos os últimos. Uma alegria ter ido ao podium em Ilhabela mais uma vez com o terceiro lugar na classe Clássicos.

Aguardando a hora de largar 


Em plena regata 


Hora do lanche na Regata Ilha de Toque Toque (Foto de Hélio Viana)


Com a vela balão na regata


Ricardinho no tope do mastro do Aventura trocando a lâmpada de fundeio (Foto: Hélio Viana)



AriesIII, um lindo German Frers 43', vencedor da Clássicos, tripulado pelo casal e dois filhos



A tripulação depois da premiação. Hélio Viana está atrás do celular.

Navegar um veleiro clássico tem suas peculiaridades. O Aventura é todo em madeira, inclusive os mastros e os moitões, não tem  self tailing nas catracas, nem stoppers e mordedores, tem um segundo mastro na popa que usa uma vela chamada de mezena. Mas, mesmo com velas bastante usadas e cerca de 11.000 kg de deslocamento tem uma velocidade surpreendente.

Catracas do Aventura

A maior parte da tripulação ficou numa casa alugada, onde a Mara comandou alguns ótimos jantares, os cafés da manhã e os sanduíches nas regatas (sempre variando o recheio), contando com o auxílio da Renata. Vantagem de ter a presença feminina na tripulação. Mas o comandante salvou a ala masculina fazendo um ótimo churrasco.

Registro ainda a presença dos 8 veleiros do ICSC-VI que conquistaram os dois primeiros lugares no Campeonato Brasileiro e na Semana de Vela na classe C30, a mais competitiva. Mais um vice na RGS Geral e RGS C, terceiro na IRC A (com o Terroso). E no vencedor da classe ORC Geral o timoneiro e mais dois tripulantes também eram do Veleiros da Ilha. Além de outras colocações abaixo do podium.

Zeus Team, do Veleiros da Ilha, Campeão Brasileiro e Vice na Semana de Vela na C30

Foi uma semana excelente com dias lindos, nenhuma chuva, temperatura agradável em alguns dias e mais fria em outros, ventos fracos, médios e fortes. E a satisfação de estar outra vez em Ilhabela - um lugar que eu amo - cada dia mais bela e melhor. Agora com todos os ônibus do transporte coletivo novos, com wifi e ar condicionado e, em processo de instalação, transporte público marítimo e internet pública nos principais locais da cidade.

Caminhadas matinais pela linda orla de Ilhabela

Navio Escola Cisne Branco prestigiando o evento (Foto: organização)