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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Travessia Annapolis-Florida - Etapa 8 Brunswick (GA) - St. Augustine (FL)

Em 31/10, um sábado às 16:07h, deixamos o cais de abastecimento da Brunswick Landing Marina abstecidos de água e diesel para cumprirmos a etapa até St. Augustine, na Florida. A manhã do sábado foi usada para irmos ao mercado comprar itens perecíveis e conhecer um pouco de Brunswick, que além da ponte e da marina não tem nada que chame a atenção. Saímos nessa hora para não pernoitarmos na marina e pagar mais uma diária.


Voltando do mercado com a bicicleta emprestada da marina

Navegamos até 18:45h quando ancoramos mais uma vez num riozinho lateral, o Floyd Creek, em frente a Cumberland Issland, com 2,6 m de profundidade. Escolhemos estes pequenos rios, quando eles tem calado, para fugir da corrente maior no rio principal e a ancoragem ser mais segura. Passamos pelo St. Andrews Sound mais um dos vários desta região Sul da Geórgia que tem uma larga abertura para o mar, tendo o balanço característico das ondas.


Por do Sol na Cumberland Island 

Este cara passou a noite neste caiaque, amarrado no pau da marca

Dia seguinte (01/11) era domingo e fim do horário de verão (Daylight) nos Estados Unidos. Não da para chamar de horário de verão pois ele vai de Março a Novembro. Recuamos 1 hora e agora, com o horário de verão brasileiro, passamos a estar 3 horas "atrasados" para o Brasil. Dia quente com muito vento contra, do quadrante Sul, entre 16-20 nós e corrente contra. Ainda pela manhã antes de sairmos da Georgia passamos por um trecho de 5 mn de Safety Zone, onde a velocidade precisa ser reduzida, por causa de uma base de submarinos atômicos da US Navy, que fica estas 5 milhas rio adentro no St. Marys Sound.


A base naval 

Fort Clinch na barra do St. Marys Sound com o mar

E entramos na Florida, nosso sexto e último estado, por Fernandina Beach. À tarde cruzamos  a região de Jacksonville com muitas lanchinhas e jets-skys azucrinando. afinal era domingo. Vimos os primeiros golfinhos em substituição aos Botos, que são numerosos no trecho da Florida. Ancoramos a 2 horas de St. Augustine em Pine Island, num rio mais espaçoso e com vários outros cruzeiristas.


Na Florida a paisagem muda. Muito mais urbana...


A ancoragem em Pine Island, num afluente do Tolomato River

Segunda (02/11) zarpamos as 06:45h para chegarmos a uma poita da St. Augustine Municipal Marina,  às 08:50h, não sem antes passar a linda e basculante Bridge of Lions. St. Augustine como já escrevi aqui é a cidade mais antiga dos EUA, fundada pelos espanhóis que estiveram ali por mais de 300 anos, conserva em seu Centro Histórico muita coisa da sua história. Principalmente o Castillo de San Marcos, o forte que garantiu a presença espanhola por tanto tempo. E a marina municipal fica bem no Centro Histótico ao lado da Bridge of Lions.


A marina municipal de St. Augustine com a Ponte dos Leões ao fundo


Um exemplo da arquitetura histórica em St. Augustine

domingo, 28 de junho de 2015

St. Augustine (FL) to Annapolis (MD)

Como dito no post anterior partimos no catamaran TinguaCat (Lagoon 380S2 2007) da Bridge of Lions, bem no downtown de St. Augustine, no dia 09/06 às 13:35h. Na tripulação além de mim, os amigos Carlos Augusto Kidlein (Guto), Luiz Carlos Poyer (Polaco) e seu filho Gustavo Husadel Poyer. Saímos no estofo da maré alta pela barra do  Rio Matanzas. A barra que não é comercial estava bem tranquila com mar flat e vento SE de 15-17 nós, num rumo 65° para nos afastarmos da costa e pegarmos a Corrente do Golfo.

A barra não é comercial, mas é tranquila e sinalizada

No inicio da noite enquanto víamos relâmpagos no horizonte, tanto na proa como na popa, com muita chuva (nós tivemos só uma rápida "pancada") o vento cresceu para 19-23 nós e o mar ficou  muito mexido. A tripulação mareou e, como confessaram depois, veio a mente a pergunta: "O que que eu estou fazendo aqui?".  O vento acalmou por volta das 4h da manhã, tornando-se um SW fraco e logo o mar voltou a ficar tranquilo.

Navio cruzando a proa

Mais ou menos por essa hora chegamos na famosa Gulf Stream. Eram 4.1 nós de corrente a favor. Mesmo utilizando um motor a 2000 rpm andávamos a 7-8 nós. Quando amanheceu pudemos ver a cor da água. Na Gulf Stream ela é de um azul violeta muito lindo. A temperatura da água também passou de 23.8° para 28.5° C.

A foto não consegue retratar com perfeição a cor da água

No inicio da tarde (10/06) cruzamos com um cargueiro bem na proa e passamos a rumar NE. Acabamos por perder a corrente por volta das 18h. Voltamos ao rumo 65° e fomos lentamente recuperando-a. A noite foi de vento SSE entre 6-9 nós. Até que por volta das 6h da manhã da quinta feira (11/06), rumando 67°, chegamos a 4.7 nós de corrente. Uhauu!

4.7 nós de corrente

Como no dia anterior de manhã o vento era SW de 3-6 nós e lá pelas 11-12 horas rodava para SSE e aumentava para 14-17 nós. Nesta tarde (11/06) "voamos baixo" chegando a 10.9 nós. Com mar baixo, tripulação já acostumada, estava bom demais. Os dois primeiros almoços eu fiz, nos outros o Polaco já desempenhou. Almoço com mesa posta na sala ou no cockpit. Aliás, teve até banho de chuveiro no box da cabine do comandante. 

"Voando baixo"

Pelas 17h do dia 11/06 estávamos a mais de 100 milhas náuticas da costa das Carolinas e começaram a cruzar lanchas de pesca em direção a terra.  No dia seguinte cedo elas cruzaram-nos na direção do mar aberto. Este pessoal vai longe para pescar.

Lancha de pesca cruzando pela popa

A 01h da sexta feira (12/06) cruzamos o Cabo Hatteras, na costa da Carolina do Norte, e precisamos mudar radicalmente o rumo para 345° e lá se foi a Gulf Stream rumo leste, o "rio no mar" como a chamavam os espanhóis que descobriram a Florida. Nesta sexta, quando completamos três dias inteiros de travessia o vento continuou num padrão bem parecido, tivemos feijão vermelho com arroz e folhas verdes de almoço e até chá da tarde, preparado pelo Guto.

Cruzando com um veleiro 

Não faltaram os golfinhos

Vento, mar, corrente, tudo a favor e um por do Sol estes não tem preço

Ao nos aproximarmos da entrada da Chesapeake Bay a corrente passou a ter influência da maré. Chegamos na sua boca por volta das 18h, 600 mn e 76,5 horas depois da partida (média de 7,84 nós), e foi um "sufoco" com a quantidade de navios entrando e saindo. São dois canais de duas mãos entrando (Sul e Norte), uma área de "cruzamento" e dois canais que seguem baía adentro, um para o Sul para os portos de Norfolk, Portsmouth, etc. e o outro para o Norte para Annapolis e o movimentado porto de Baltimore. Logo que se adentra a baia tem a Chasepeake Bay Bridge Tunnel, uma enorme ponte que cruza a baia e tem dois trechos em tuneis para a passagem dos dois canais.

Navios "plotados" na carta pelo AIS

Cruzando com navio na entrada da Chasepeake Bay

Bendito AIS. Foi fundamental na entrada da baia e na "negociação" para podermos cruzar o canal Sul, o mais movimentado, Parece que todo mundo combinou de entrar e sair na mesma hora, tinha até submarino. Recomendo chegar a entrada da baia mais distante da costa e pegar o canal Sul com maior tranquilidade.


AIS mostrando navio em rota de colisão

Tínhamos planejado parar numa marina em Little Creek logo após a entrada da baia, mas pelo horário não ia ter ninguém na marina, então, como estava tudo bem e estávamos adiantados na nossa previsão, decidimos continuar no rumo de Annapolis e fazer uma parada em Solomons Island, um dos lugares mais falados da Chesapeake. As 10 da noite navegávamos pelo York Spit Channel (o canal para o Norte) de exatos 182 m de largura, Gustavo e Eu no turno, quando o AIS sinalizou um navio em rota de colisão. Era nada mais nada menos que um enorme transatlântico, todo iluminado com os passageiros nos convés.

Cruzando com o Grandeur of The Sea

Chegamos na Island Harbor Marina pelo meio dia. Banho, almoço caprichado do chef Polaco no cockpit, sesta, caiaque na água, uma noite inteira de sono num lugar muito agradável... Zarpamos no domingo cedo para as últimas 48 mn até Annapolis. O vento pouco ajudou, a corrente era sempre contra então fizemos 5 nós de média com um motor a 2400-2600 rpm.

Almoço em Solomons Island

Chegamos em Annapolis às 16h com muitos veleiros na água, na Horn Point Harbor Marina, na península de Eastport bem na entrada do Back Creek. Foi a melhor travessia que já fiz, pelas condições favoráveis que tivemos. A época escolhida ajudou bastante. No próximo post falarei de Annapolis.

Farol na Chasepeake Bay 

Chegando em Annapolis com muitos barcos na água

TinguaCat na marina em Solomons Island





segunda-feira, 15 de junho de 2015

Chegamos em Annapolis

A tripulação chegou no domingo (07/06): Carlos Augusto Kindlein, o Guto, e Luiz Carlos Poyer, o Polaco, já participaram de várias regatas no Tinguá e de uma Semana de Vela de Ilhabela, mais o Gustavo Poyer, jovem engenheiro, filho do Polaco, marinheiro de primeira viagem.

A tripulação: Guto, Polaco e Gustavo

A volta do TinguaCat para a água estava agendada para a primeira hora de segunda feira, que na St. Augustine Marine é 7 am. Mas eles foram enrolando e só as 11:15h estávamos com ele amarrado a um pier flutuante. Fomos então para o Walmart fazer o mercado para a travessia e próximos dias. Depois eles me ajudaram nos últimos preparativos.

Na água novamente

Saímos da marina por volta das 11 horas de terça feira (09/06) para abastecermos de diesel na St. Augustine Municipal Marina, passarmos a Bridge of Lions, bem no downtown de St. Augustine, que é basculante e abre a cada 30 minutos e, então sair na barra do Rio Matanzas para o Oceano Atlântico no estofo da maré enchente.

Partiu...

Vou fazer um post relatando a travessia em detalhes, mas fizemos uma ótima travessia levando 76.5h para fazermos as 600 mn de mar aberto até a entrada da Chesapeake Bay. Como chegamos no início da noite resolvemos continuar até o amanhecer, pois dali ainda tinhamos mais 130 mn até Annapolis. Optamos por fazer uma escala na Harbor Island Marina em Solomons Island, uma agradável cidade náutica num creek logo no começo do Patuxent River, para descansar e ter uma noite inteira de sono. Chegamos lá por volta do meio dia.

Solomons Island

Saímos no domingo (14/06) cedo para cumprir as últimas 48 mn até Annapolis. Chegamos em Annapolis com muitos veleiros na água. As 16 h estávamos atracados na Horn Point Harbor Marina, na Eastport peninsula, inicio do Back Creek.


Back Creek, Annapolis

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

St. Augustine, Fl

Saímos  da ancoragem no Halifax River, em Daytona Beach, às 7:45h pois queríamos fazer uma parada em Matanzas Inlet para conhecer o Fort Matanzas e eram 43 mn até St. Augustine, nosso destino final. Amanhecer lindo, céu limpo, sem vento nenhum com as imagens sendo refletidas na água, rendendo belas fotos.

Reflexo perfeito, captado pela esposa 

 Esta também, já no Halifax Creek

Quando estávamos na altura de Smith Creek bem no início do Fox Cut, um pequeno trecho artificial para cortar algumas curvas do rio, batemos de repente em pedras no fundo e ficamos com o casco de boreste encalhado. Vinhamos dentro dos limites do canal a mais de 7 nós, num trecho com profundidades de 3,5 a 4 m. A ICW  é super bem sminalizada mas não tinha nenhuma sinalização neste local. Na foto abaixo nossa posição (29º 31.920' N, 081º 9.386' W) na carta náutica Navionics do iPad, atualizada há poucos dias. A maré estava quase ao final da vazante, então esperamos umas duas horas  para o barco flutuar inteiro novamente. Nenhum dano constatado, a não ser arranhões na mini-quilha de boreste, como constatamos mais tarde ao retira-lo da água para a storage.



O estrago do encalhe. O barco é forte...

Com este contra tempo desistimos da parada no Fort Matanzas, que pelo que pudemos observar de longe não perdemos muito. Principalmente depois que conhecemos o Castillo de San Marcos, em St. Augustine. Por falar nela, a corrente ajudou e chegamos às 15:15h na St. Augustine Municipal Marina, onde havíamos reservado uma poita. Foi bom, uma vez que a previsão previa chuva para a parte final do dia, o que realmente aconteceu.

O pequeno Fort Matanzas 

A boa marina municipal de St. Augustine esta localizada ao lado da Lions Bridge bem no centro do Historic District. A cidade é a mais velha dos Estados Unidos fundada pelos espanhóis em 1565. É muito turística com uma área histórica grande e muito interessante (vide o próximo post). Também é uma cidade com um número grande de marinas e estaleiros (boatyards), com bastante área navegável e saída para o Oceano Atlântico.


A marina municipal


TinguaCat na poita 3

Amanhecer com o Farol de St. Augustine de um lado...

...entardecer com o Historic District de St. Augustine do outro lado

No domingo (08/02), quando estávamos em Daytona Beach, havia a programação de lan çamento de um foguete pela NASA, em Cape Canaveral. As 6 da tarde, hora programada, ficamos de prontidão mas não vimos nada. Pois na quarta feira (12/02) quando chegávamos na marina de um passeio, sem esperar vi o foguete subindo. Como não tem morro na Florida e o céu estava limpo deu para ver muito bem. Não sabíamos que o lançamento tinha sido reagendado.


Com a surpresa, foi só o que deu para pegar do foguete

O que não foi legal neste período foi o frio. Pegamos uma semana fria, com mínima de 2º C fora e 6º C dentro do barco na sexta feira. Em compensação foram dias muito bonitos.


42º F dentro do TinguaCat

Deixamos o TinguaCat guardado no seco na St. Augustine Marine Center, um dos vários estaleiros (boatyard) da cidade, especializado em catamarans, na terça feira (17/02). Ventava muito de SE desde à noite  e na hora de docar começou a chover. Faz parte. Uma etapa encerrada.


Tingua indo para sua vaga