quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Charter nas Grenadines no Cascalho 2

Na quinta (19/12), nosso quinto dia a bordo, saímos cedo de Hillsborough em Carriacou para Clifton Harbour em Union Island, que vem a ser a primeira ilha pertencente a St. Vincent and Grenadines para quem vem do Sul, a 11 milhas náuticas. E, portanto, tínhamos que fazer a entrada no país e pagar as taxas (cerca de 45 XCD por maior de 12 anos).

Union Island com Clifton Harbour ao fundo à direita

Saint Vincent and Grenadines também é um país insular com 389 km² e cerca de 125 mil habitantes, de lingua inglesa, com renda per capita de US$ 6.380,00 e usa o mesmo Dolar do Caribe Oriental (XCD) como moeda, com cotação fixa de 2,67 XCD por 1 USD.

Chegando na ancoragem com chuva

O vento continuava acima dos 20 nós e mais para NE, então tivemos de bordejar um pouco. Chegamos em Clifton debaixo de um pirajá (temporal rápido) e ancoramos no lagoon, protegido de mar e não de vento. Fomos para a terra fazer a entrada no pequeno aeroporto, que como quase todos no Caribe, tem uma cabeceira na base de um morro e a outra na beira do mar. Depois de cumpridas as formalidades burocráticas-arrecadatórias fomos conhecer a cidade. Como atração, a "piscina" de tubarões lixa do Anchorage Yacht Club (veja mais no clip).


 Os tubarões lixa

 Clifton e um pequeno avião pusando no "apertado" aeroporto

A ancoragem em Clifton protegida do mar pelos recifes

Em todos os locais de grande atracação de veleiros encontram-se as Yacht Provisioning que são pequenos empórios onde se encontra tudo de bom em termos de alimentação do mundo todo, naturalmente com preços bem salgados para quem recebe em moedas como Real ou Dolar do Caribe Oriental. Invarialmente, tais locais são de propriedade de estrangeiros de além Caribe e os nativos só entram ali como empregados. Em Hillsborough era a Pati's Deli aqui em Clifton a Captain Gourmet. Aproveitamos para comprar pão francês, mas novamente não haviam baguetes por conta de um problema com o forno, naquele exato dia.


Boas comidas e bons vinhos

Depois de almoçarmos a bordo seguimos para a Palm Island logo em frente, onde tínhamos programado de pernoitar. Palm tem realmente uma praia belíssima mas a ancoragem estava um pouco mexida. Decidimos antecipar a ida para Tobago Cays há apenas  3 mn dali, mas com ventão "na cara".


A linda praia de Palm Island

A aproximação de Tobago Cays pelo Sul é mais difícil e é preciso ficar muito atento com as cabeças de coral que quase afloram a superfície. Chegamos perto do por do sol e ancoramos entre as ilhotas de Petit Rameau e Petit Bateau. Ali forma-se um canal bem em frente a única pequena abertura no recife que protege as ilhas de modo que havia uma corrente de uns 3 nós com aquele vento. Menos mal que o local é paradisíaco, a água transparente, nenhuma marola e o barco ficava afilado.

 A aproximação a Tobago Cays precisa ser cuidadosa

O arquipélago e os dois pontos onde ancoramos

Vista dos recifes da nossa ancoragem

Todos os dias com este por do sol

Tobago Cays é um parque nacional e então é proibido pescar, pegar qualquer coisa, etc. e paga-se 10 XCD por dia por adulto para permanecer no parque, que é cobrado na própria embarcação pelos Rangers (guardas parque).

Na ancoragem em frente a Ilha de Baradel

Foram 3 dias maravilhosos, mesmo que o vento continuasse acima dos 20 nós. Na manhã seguinte após a primeira noite fomos ancorar em frente a Baradel, onde existe uma área demarcada com ancoragem proibida para proteção das tartarugas. Fizemos snorkel ali e vimos várias tartarugas tranquilamente comendo a vegetação do fundo. Bem como diversos peixes, arraias, lagostas. Fizemos várias outras sessões de snorkel em frente a ilha de Patit Bateau no lado voltado para os recifes e nas proximidades da nossa ancoragem, pois voltamos para a ancoragem inicial onde permanecemos até irmos embora, pois neste segundo ponto havia um pouco de swell que pegava o barco de lado.

A praia de Petit Bateau ao lado de nossa ancoragem

Lagostas no snorkel

Iguana na Ilha Petit Bateau

Enquanto Gabriel preferia mergulhar...

...Rafael se divertia na água

Outra característica das ancoragens na região são os nativos em seus coloridos botes motorizados oferecendo poitas e produtos variados como peixes, lagostas, camisetas, pães. Após muito negociar, compramos duas lagostas vivas por 100 XCD para o jantar. Por falar em alimentação, a amioria das refeições foram feitas a bordo, com as chefs Mauriane e Claci fazendo deliciosos pratos práticos. Para acompanhar cerveja do Caribe no almoço e vinhos chilenos no jantar, também lá o melhor custo/benefício.

Em Tobago Cays finalmente consegui a baguete, mas a 15 XCD

Café da manhã

Almoço

Janta

No dia 22/12 (9º dia) depois do café da manhã seguimos para mais um paraíso, a enseada Salt Whistle Bay ao norte da Ilha Mayreau, a 3 mn de distância, percorridos rapidamente só com 50% de genoa aberta. Trata-se de um istmo com a enseada calma de águas transparentes do lado de dentro e com poucos passos entre coqueiros a enseada para mar aberto, propícia para Wind e Kite Surf. Não há cidade, apenas um hotel fechado e alguns quiosques de nativos. Um lugar para ficar um bom tempo só na "vadiagem".

Não é linda?

Cascalho ancorado próximo a praia

Enquanto Gabriel capturava um perigoso Lyonfish...

...Eu e o Rafa fazíamos exercício no caiaque inflável do Cascalho

No próximo post os últimos dias...

Mais imagens aqui e clip no YouTube.


 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Charter nas Grenadines no Cascalho 1

Em posts anteriores falei bastante aqui do catamaran Cascalho, um Lagoon380S2 do casal de amigos Luiz Fernando Silva e Mauriane Conte. Pois bem, eles andam pelo Caribe desde outubro passado e reforçam o caixa alugando um dos cascos, com duas ótimas cabines e um banheiro entre elas. E nós (Eu, esposa e os filhos Gabriel e Rafael) fomos os primeiros inquilinos. Contratamos duas semanas pela região conhecida como Grenadines, no Caribe Oriental, na região das Ilhas de Barlavento (Windward Islands). As Grenadines são parte de dois países: cerca de um terço, mais ao Sul, é Grenade e os outros dois terços compõe o país chamado Saint Vincent and Grenadines.



A maneira mais barata que encontrei de chegarmos na região foi voando pela Gol, pois podemos usar milhagem, que possui voos semanais para Barbados, Curaçao-Aruba e Punta Cana (Rep. Dominicana). Pelo combinado e a programação que montei para o charter embarcaríamos em Grenade. Gostaria de ter ido por Curaçao, pois já conhecemos Barbados, mas a conexão para se chegar a St. Gerorges, capital de Grenade, não era com vôo direto, então fomos por Barbados. Chegamos por volta das 19h (locais, -2 horas com o nosso horário de verão) do sábado 14/12/13, pernoitamos e na manhã seguinte voamos pela LIAT até St.Georges, num vôo de pouco mais de 40'.


Prickly Bay vista do avião, ao fundo St.Georges

Grenade é um país insular com 344 km² e cerca de 95 mil habitantes, de lingua inglesa, com renda per capita de US$ 7.110 e tem como moeda o Dolar do Caribe Oriental (chamado EC), com cotação de 2,67 XCD por 1 USD. É dividido em 6 paróquias (parish) e 1 dependência a ilha de Carriacou.

 St.Georges com a carenage à esquerda e o lagoon em frente ao fundo

O Cascalho estava ancorado na Prickly Bay, no Sul da ilha, próxima a St.Georges. Encontrei-o "nos trinques", mais branquinho do que nunca, depois do período de manutenção por que passou em Chaguaramas, em Trinidad e Tobago. Na segunda feira (16/12) fomos cedo para St. Geroges de maxitaxi, que são vans que fazem o transporte público pois não há ônibus. Visitamos as principais atrações como a via a beira mar (Carenage), o antigo Sendall Tunnel, o Fort George e o centro comercial. Também estivemos nas lojas náuticas Island Water World e Budget Marine, as duas com filiais em vários locais do Caribe, a última situada junto a Spice Island Marina, onde deixamos o dingue em Prickly Bay. Aproveitamos ainda para comprar um SIM card de celular pré pago da companhia Digicel. Por 15 XCD tinhamos o mesmo valor de crédito e mais 50 MB de dados por dia, durante 7 dias. A Digicel opera em vários países do Caribe e América Central e não cobra roaming entre eles.

Ancoragem em Prickly Bay

Na terça cedo zarpamos de Prickly Bay para St. Georges onde paramos no Grenade Yacht Club, situado no lagoon junto a cidade, para abastecer de diesel, água e gelo, enquanto as mulheres foram, ali próximo, ao FoodLand SuperMarket fazer as compras. Este é um dos melhores mercados e fica em frente ao lagoon com um pequeno pier para se chegar de dingue. Não é fácil encontrar vaga para ancorar no lagoon, nós nem procuramos ficamos no pier do iate clube.

Cascalho no pier de abastecimento do GYC, no lagoon de St.Georges

Abastecidos partimos para Tyrell Bay na Ilha de Carriacou, a maior velejada de nosso charter com cerca de 40 mn. A semana estava com previsão de ventos acima dos 20 nós de E a NE. Pegamos NE com 25-30 nós, o que nos obrigou a dar alguns bordos, e nos trechos sem proteção das ilhas mar bastante mexido com 2-3 m. Com a grande no primeiro rizo levamos cerca de 8 horas. Claci, minha almiranta, passou com galhardia pelo seu maior teste de marinização.

Tyrell Bay, em Carriacou, na proa

A abrigada Tyrell Bay estava povoada de veleiros e fomos gentilmente orientados por um velejador a ancorar próximo a praia. De madrugada fomos acordados por outro velejador batendo no costado avisando que estávamos garrando. Aprendemos duas lições: a primeira é que em muitos locais o chão é duro, com uma pequena camada de areia em cima de um solo coralíneo e possui muitas áreas cobertas com uma espécie de vegetal semelhante a uma hera que eles chamam weed, onde é mais difícil ainda unhar. A segunda é que a nossa popular âncora Bruce não é a mais adequada para o Caribe. Depois de duas tentativas frustradas fomos ancorar na entrada da baía onde conseguimos unhar bem e em caso de garrar novamente iríamos baía a fora, sem perigo de bater em outro barco.

Ancorado em Tyrell Bay

Na quarta (18/12) tomamos café e fomos para a Sandy Island, um pequeno cay a menos de 3 mn, para fazermos o primeiro snorkel. O vento fora do abrigo das baías continuava roncando acima dos 20 nós. Depois do almoço a bordo ancoramos próximo ao pier de Hillsborough, a maior vila de Carriacou, ali pertinho, para fazermos o custom (alfândega) e imigração de saída de Grenade, que fechavam às 16h, como a maior parte do comércio. Tinhamos uma indicação de excelentes baguetes francesas na Pati's Deli, mas pelo horário encontramos o cesto das tais baquetes completamente vazio. Também não conseguimos ver as famosas camisetas da Fidel Productions (de boa qualidade com estampas de artistas caribenhos, fabricadas ali). Depois de uma caminhada pelos arredores voltamos para o Cascalho, jantamos e dormimos nesta ancoragem.

 
Sandy Island

 
Moréia no snorkel em Sandy Island
Na próxima postagem entraremos em outro país, St. Vincente & Grenadines.

Mais imagens aqui e clip no YouTube.






domingo, 12 de janeiro de 2014

De Volta ao Nosso Tinguá

Chegamos na noite de 29/12 do charter no Caribe e já na tarde do dia seguinte estávamos limpando e abastecendo o Tinguá para a temporada de verão. Nesta época sempre levo o Tinguá para uma das poitas da sede oceânica do Veleiros da Ilha, em Jurerê. A região é ótima para velejar e os principais passeios ficam por perto. E uma das vantagens da poita é que é só subir no barco e soltar o cabo.

Nossa visão do Show de fogos

Antes de Jurerê, passamos a virada do ano na Baía Norte em frente a Av. Beira Mar onde aconteceram as festividades e o show de fogos. Foi muito bonito. De manhã levei a esposa e o Rafael até o clube e Eu e o Gabriel rumamos para Jurerê.

Ilha do Francês, pequeno paraíso

Estes primeiros dias do ano tem sido quentes alternando dias bonitos com outros nublados, pouco vento com muito vento, trovoadas de final de tarde, enfim típico do nosso verão.A família é que achou o Tinguá acanhado depois de duas semanas num catamaran de 38 pés...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Charter nas Grenadines

Estou ausente do blog porque fomos, a família toda, fazermos um charter no Caribe. Desta vez nas Grenadines. Embarcamos no Cascalho, o Lagoon380S2 do Luiz Fernando Silva e Mauriane Conte, na Prickly Bay em Grenade. Desembarcamos após duas semanas maravilhosas na Blue Lagoon em St. Vincent.



Passamos por lugares paradisíacos como Tobago Cays, Carriacou, Sandy Island, Salt Whistle Bay, Palm Island, Canouan, Béquia. Velejando, nadando, mergulhando, "caiacando", comendo, bebendo, observando, passeando. Mar, praia, sol, areia, lua cheia, terra, barco.


Nos próximos dias publicarei alguns posts relatando e passando algumas dicas. Para quem se interessar AQUI tem um monte de imagens.



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O ECO UFSC60

Fazem cerca de oito anos que um grupo de professores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) planeja a construção de um veleiro de grande porte. Este ano com o aporte de recursos de R$ 1,5 milhão da Agência Brasileira de Inovação (Finep) foi iniciada a construção por alunos e professores da Engenharia Mecânica, em um estaleiro improvisado no Sapiens Parque, em Florianópolis.

O veleiro, denominado de ECO UFSC60 (ECO de Expedição Científica Oceanográfica), é o único no Brasil que vai possibilitar uma estrutura completa para experimentos e coleta de material em expedições. Com isso, o curso de Oceanografia da UFSC, com apenas cinco anos de existência, será o terceiro do Brasil a ter um barco para ensino, pesquisa e extensão.

O casco do ecoUFSC sendo virado

E que barco. Concebido para ser inovador, são 60 pés de comprimento com casco em alumínio naval e interior em compósitos moldados por infusão, calado flexível para adentrar em áreas rasas, como mangues e regiões costeiras. Resistente o suficiente para se deslocar até os polos com pesquisadores do Curso de Oceanografia. Além de ser construído por alunos, a embarcação terá a aplicação de equipamentos desenvolvidos pelo departamento de Engenharia Mecânica.
 



A ideia era de que o motor fosse híbrido: a diesel e elétrico. No entanto, o recurso do Finep não foi suficiente para concretizar o planejado. Segundo o Prof. Jair Dutra, do LabSolda, o barco, que no início seria de 40 pés, passou para 60 pés e a mudança consumiu a verba disponível. Para que o motor híbrido seja possível será preciso investir mais de R$ 600 mil. O veleiro teria de armazenar meia tonelada de baterias, que seriam carregadas por energia solar, eólica e hidrogeração. Por enquanto, o veleiro terá motor convencional. Mas, poderá mudar depois ou ainda antes de ir para a água se alguma empresa se dispuser a patrocinar.

 Construção do convés, casario e mobiliário interno


Estágio atual da construção, com término previsto para final de 2014

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O Exemplo de Murillo Novaes

O jornalista e velejador Murillo Novaes publicou um texto em seu site Coluna do Murillo e nas redes sociais, relatando o acidente e posterior naufrágio do veleiro Fratelli. O que chama a atenção e me fez republica-lo abaixo é o texto sincero, humilde, ético e comovente de uma pessoa se desculpando e assumindo corajosamente um erro cometido. Algo muito pouco comum nestas terras brasilis. Parabéns Murillo, que o seu relato servi de exemplo.

#ihdeumerda. Das grandes. Comigo. E quase morri (e matei meu filho e um amigo).


Em Cabo Frio o Velamar 32
Em Cabo Frio o Velamar 32 "Fratelli" e meu filho Pedro em sua primeira (e quase última) travessia a vela.
Bom dia amigos e amigas, hoje escrevo porque sinto que tenho o dever de compartilhar com todos o que aconteceu comigo, com meu grande amigo Fábio Collichio e com meu filho Pedro na noite de sábado. Mais precisamente por volta da 12:06 de domingo.
Fábio, meu melhor amigo em Cabo Frio, companheiro de inúmeras velejadas de Micro 19 e o feliz proprietário de um novo (para ele, claro) Velamar 32, o “Fratelli”, me chamou para trazer o barco de Cabo Frio para o Rio neste sábado para subi-lo no Clube Naval Charitas e fazer a pintura de fundo do veleiro, que ele estava terminando de reformar. Convoquei meu filho Pedro, de 13 anos, para fazer sua primeira travessia no oceano e por volta de 7:30 da manhã partimos do píer internacional de Cabo Frio.
Fábio havia me dito que soubera de um aviso de mar grosso no Rio, que, por rádio, tentamos confirmar com a atalaia de Cabo Frio, mas a moça nos disse que havia expirado, pois era de 24 horas. Eu, como navegador que sou, havia estudado a previsão e sabia que os ventos seriam de, no máximo, 14 nós, de E-NE, e haveria um swell grande residual da grande tempestade que tinha passado 48 horas antes pela costa do Rio. Mas nada muito preocupante já que tudo iria nos empurrar para o destino final. Zarpamos.
A viagem, apesar de lenta, por conta do casco sujo, dos ventos fracos no início e do motor que sempre procuramos deixar em uma rotação mais baixa (havia sido reformado há pouco), seguia tranquila. Pedrinho, depois da excitação inicial, como é típico dos adolescentes, foi para a cabine dormir. E fora um ou outro momento, passou boa parte do dia lá dentro, no sofá “da sala”, cochilando o tempo todo.
Eu e Fábio nos revezávamos no timão e assim foram passando as agradáveis horas do sábado nublado com sol esparso. Fomos por dentro do Boqueirão, em Arraial do Cabo, o que é sempre lindo. Pouco antes de Saquarema o vento aumentou e desligamos o motor. Velejávamos com o vento pela popa a 5 nós de média (com picos 6,5) e como não tínhamos balão íamos ziguezagueando e jaibando para manter o vento pela alheta e a velocidade por aí mesmo. Tudo seguiu na paz dos deuses.
Já de noite, no contorno das ilhas Maricás eu verifiquei a carta (nesta altura no Navionics do iPhone, pois o iPad já estava sem bateria. E sim, tínhamos a carta em papel também e outro GPS reserva) umas três vezes pois sei que à noite as distâncias enganam e tal. Passamos a sotavento das ilhas (com o perigo à barla) e seguimos com a proa em Niterói, nas ilhas do Pai e da Mãe. Nosso ETA (hora prevista de chegada) estava por volta de uma da manhã na entrada da baía de Guanabara. Normal.
Ao chegarmos às proximidades de Piratininga o mar ficou mais mexido e mais desconfortável e resolvemos ligar novamente o motor e baixar a genoa para ir só de grande e com o possante, o que daria mais segurança e nos permitiria ir direto ao ponto, sem jaibear ou manobrar muito. Claro que tivemos um probleminha com a refrigeração do motor, mas Fábio safou tudo e lá fomos nós na boa.
Meu plano inicial era passar entre as ilhas do Pai e da Mãe e ir direto para a boca da barra. Como o mar estava bem chatinho, com o swell mais alto, resolvi entrar logo entre a Mãe e o continente para ficar mais abrigado e aproveitar um pouco o embate das ilhas. Além do mais, já havia corrido “trocentas” regatas que montam o Pai e a Mãe, passara por ali dezenas (centenas?...) de vezes e aquilo não era mistério algum.
Depois de mais de 16 horas navegando, precisamente às 12:04, pois lembro que Fábio me disse as horas (e depois verifiquei no celular), resolvi ligar para meu filho mais velho, Gabriel, que fazia 25 anos no dia 8/12 e por tradição sempre nos falamos logo depois da meia noite. O telefonema foi super agradável, óbvio, e me lembro de ter dito a ele que: “só falta agora montar a Mãe, dobrar a última esquina e depois baía de Guanabara e casa”.
No meio da ligação Fábio me interrompeu dizendo que vira uma rebentação e que parecia uma laje. Eu, automaticamente e tirando onda (o arrogante sempre se ferra. E merece!), respondi que já havia montado aquela ilha em regata um monte de vezes, que tinha uma laje sim, mas que ele não se preocupasse. Gabriel ouviu minha bazófia pelo telefone e também nem deu muita importância. Mas aquilo ficou na minha cabeça. Sem perder tempo desliguei rapidinho e comecei a olhar em volta.
Demorei talvez uns 40 segundos ou um minuto para tentar me localizar, pois o celular, claro, havia me distraído bastante. Estava perto demais da ilha? Da laje? Uma linha de espuma a nosso bombordo confirmou. Estava do lado da laje!! Falei com Fábio que estávamos ali, ele reclamou que havia me avisado, nem tive tempo de responder. Guinei fortemente o barco para boreste. Neste momento uma parede íngreme de água de quase 3 metros (havia sim um aviso de ressaca no Rio e o swell vinha de 2 a 3 metros mesmo) nos pegou em cheio pelo través (de lado certinho, a pior condição possível para qualquer embarcação). Ainda sentimos que quando a onda sugou a água para quebrar, nossa quilha deu uma batida seca na pedra no fundo. Tudo apagou.
Na minha próxima lembrança já estou embaixo d´água lutando contra cabos e velas (e também o mastro quebrado, eu perceberia depois) para subir à superfície. Lutando pela minha vida. Na minha cabeça esses foram intermináveis momentos de angústia total. Lembro-me que só pensava: “eu não posso morrer aqui, pois tenho que salvar meu filho que está dentro da cabine”. Para mim foi uma eternidade a ponto de me lembrar de Horacinho Carabelli, dias antes, no Match Race Brasil, me contando como Andrew Simpson morreu no acidente do “Artemis”, na Copa América, preso embaixo do barco. O terror! O horror!!
Não tenho a memória de como voltei a bordo. Apagou. Mas me recordo de estar no cockpit novamente, na gaiúta principal, gritando pelo Pedro. Ele tinha acordado na confusão e, ainda atordoado, me perguntava o que tinha acontecido. Respondi que tínhamos capotado, mas estava tudo bem. A água, dentro da cabine, estava na cintura dele e demos a mão para que ele saísse. Nesta altura Fábio já me ajudava a tirar o Pedro de dentro do barco e vi que estava tudo bem com ele também. Graças a Deus!
Pusemos o menino sentado no cockpit, imediatamente vestimos um colete nele, outros em nós e eu expliquei que se tivéssemos que abandonar o barco iríamos nos amarrar os três juntos e derivar para a praia de Camboinhas ou Piratininga em frente (apontei as luzes) ou tentar subir na ilha ao lado. Por sorte, não foi preciso.
O “Fratelli” era o próprio caos. O mastro quebrado, caído para bombordo, uma zona total de cabos e estais, a gaiutinha do topo da cabine estourada, uma rachadura grande no topo da cabine à bombordo, outra no costado no encontro do casco e do convés, as vigias de bombordo da cabine quebradas, o bimini retorcido e nós ainda em cima da laje recebendo onda atrás de onda pela proa. Para piorar, a noite nublada e, claro, as baterias mortas embaixo d´água, deixavam tudo no breu total. E ainda tive tempo de ver nossa lanterna, acesa, afundando.
Fábio entrou na cabine e percebemos que a água não estava subindo. Vi que ainda tínhamos leme e tentamos, no instinto (jamais daria certo, claro), ligar o motor. Amarrei outro colete salva-vidas no Pedrinho e falei com ele que ficasse tranquilo, pois a água era quente e poderíamos boiar horas sem problemas, se fosse preciso. Meu filho me deu uma lição de bravura. Jamais entrou em pânico, nos ajudou no que foi necessário, até nos consolou dizendo que estava tudo bem e que ficaríamos bem também e disse que estava preparado para fazer o que fosse preciso. Choro só de lembrar...
Pedro também, milagrosamente (mesmo!), achou meu celular. Como, não sei. Pois acho que caí no mar com ele na mão. Enfim. Peguei o telefone, que tinha uma capa à prova d´água recém-adquirida para minha travessia do Atlântico, e liguei novamente para Gabriel apesar dos 4% de bateria. Apenas 6 minutos depois do primeiro telefonema (às 12:11, sendo que o primeiro telefonema durou um minuto). Disse o que havia acontecido, nossa localização, a possibilidade de termos que “abandonar o navio” e para onde iríamos possivelmente e pedi que ele avisasse a Marinha, os bombeiros, Vanessa, mãe do Pedro (com quem havia falado duas horas antes dizendo que estava tudo ótimo), minha tia (que é minha mãe).
Fábio havia me mandando um SMS antes de irmos, pedindo para eu levar meu VHF portátil à prova d´água. Levei. Sorte! Logo que percebi que tudo estava relativamente bem, com todos a bordo sãos e salvos, antes mesmo de tentar achar o celular, já peguei o radinho e comecei a ladainha no canal 16: “mayday, mayday, veleiro Fratelli capotado na laje da ilha da Mãe, 3 tripulantes a bordo, uma criança, preciso de socorro imediato. Mayday, mayday”. Os minutos de silêncio antes de achar meu telefone foram angustiantes. Nem uma resposta sequer.
Claro que um rádio portátil tem um alcance limitado, mas como explicar que uma hora depois eu falava alto e claro, ainda do barco, com Rio Rádio por aquele mesmo aparelho e também com a lancha da Marinha? Lembro que quase uma hora depois do acidente, um cara identificado como Mar Dive fazia uma ponte desesperada no rádio, gritando que nós precisávamos de socorro e que já havia passado muito tempo, que tinha criança a bordo e ninguém respondia. Foi aí que a moça da Rio Rádio entrou na fonia. Nesta altura, agradeci, disse que havia falado com a Marinha e que uma lancha da capitania vinha nos resgatar.
Com o veleiro aparentemente não fazendo água (ou muito pouca) eu e Fábio tentamos ajeitar as coisas a bordo. Colocamos o mastro mais para cima e o amarramos para evitar que ficasse batendo contra o casco. As ondas já haviam nos empurrado para fora da laje e estávamos à deriva, bem no embate da ilha, indo para fora. Resolvi lançar o ferro e ficamos ali, protegidos do vento e das ondas, por mais de duas horas no fim.
Pouco depois das duas da manhã tivemos a visão reconfortante das sirenes da lancha “Anchova” da Marinha do Brasil. Pelo VHF consegui os orientar e eles vieram até nossa popa. Passei imediatamente o Pedro e pela primeira vez pude sentir a dimensão da tragédia que poderia ter acontecido ao meu filho. Mas não tínhamos tempo a perder. Fábio, que havia posto sua roupa de neoprene (e até catado os pés de pato para o caso de termos de nadar), voltou para dentro da cabine para tentar resgatar nossas carteiras, mochilas, etc. Paradoxalmente só conseguiu achar a minha e a do Pedro. Nada seu...
Ele não conseguiu localizar as outras lanternas que estavam a bordo e a lancha da marinha não tinha uma lanterna sequer. Tentamos jogar a luz do holofote da lancha para dentro da cabine, mas estava tudo muito difícil com o mar mais batido. Com a ajuda da “Anchova” rebocando tentamos trazer o mastro mais para cima. Mas adiantou muito pouco e ainda serviu para afastar o barco da ilha e deixá-lo mais desabrigado de mar.
O mestre da lancha (que soube depois foi quem, no peito e na raça, mesmo com a impraticabilidade do porto pelo aviso de ressaca, resolveu sair) nos avisou que sua missão era salvar vidas e que devíamos abandonar o barco e ir. Foi o que fizemos. Antes, porém, demos o máximo de cabo possível no ferro e deixamos o “Fratelli” sozinho fundeado e avariado para trás. A visão mais triste do mundo para mim e, especialmente, para o Fábio que tanto esforço fizera para ter aquele barco e reformá-lo.
Na lancha, Pedrinho nos consolava e nem a visão do seu Playstation e seu DS (o cara é viciado em games) encharcados na mochila o atrapalhava. Um menino de ouro. Eu só conseguia abraçar meu amigo e meu filho e pedir desculpas, desculpas, desculpas pelo meu erro crasso e quase fatal para nós. Algo que um navegador digno do nome (eu não sou!) jamais poderia ter cometido.
Chegamos por volta de 4 da manhã ao píer do ICRJ onde Vanessa e os Gabrieis, meu filho e o marido de minha sobrinha Juliana que havia trazido Vanessa, nos aguardavam. Viemos para minha casa no Posto 6, tomamos um banho, colocamos roupas secas, deixei Fábio descansando com minha tia e comecei minha peregrinação para tentar rebocar o barco.
Fui ao Salvamar e nada (“nossa lancha não pode sair com aviso de ressaca e nossa prioridade não é o patrimônio e sim vidas”). Fui à capitania, onde agradeci a todo aquele plantão (não lembro os nomes, me perdoem) por nos ter salvado, mas soube que eles não podem mesmo fazer qualquer tipo de reboque. Resolvi ir ao Charitas, em Niterói, e tentar algo por lá. Tive que esperar até 7 horas quando chegam os marinheiros e o Josué, chefe da náutica, foi nota dez. Liguei para meu amigo Ricardo Ermel, que logo, como bom homem de Marinha, safou minha onça e convocou o comandante Carvalho para a faina.
Carvalhão chegou ao clube e após os ajustes necessários, que a lei de Murphy sempre proporciona, conseguiu me levar na sua lancha até a ilha da mãe por volta de 9 da manhã. O comandante Ralph Rosa, grande velejador e amigo, me emprestou o alicatão para cortar os brandais e estais (que todos sempre devem ter a bordo. Nós não tínhamos.), pegamos um cabo de reboque, um pneu para ajudar a fazer a catenária (a “barriga” do cabo de reboque) por conta do mar grosso e lá fomos nós. Minha ideia era tentar salvar o mastro, mas se não fosse possível, cortar tudo e deixar ir ao fundo. Tentei ainda arrumar uma moto-bomba ou bomba elétrica com extensão, mas não consegui (a bomba manual do barco não pôde ser acionada por falta do manete - ou algo parecido - que sumiu na confusão. E fez muita falta!)
Por volta de nove e meia do domingo, ainda sem pregar um olho, tive a segunda visão mais triste da minha vida. O “Fratelli” não estava mais lá. Uma garrafa de mate pela metade boiando (era nossa, com certeza!) e outros objetos que estavam dentro da cabine, à deriva na direção de Camboinhas foram o indício de que o veleiro tinha afundado. E há pouco tempo. Como? Não sei. Talvez um pequeno vazamento pela quilha, talvez um registro ou mangueira abaixo da linha d´água que com a pressão aumentada pelas toneladas de águas na cabine se rompeu, talvez o mar, sempre ele, batendo contra o costado que havia rachado a bombordo foi embarcando paulatinamente mais água. Não sei.
Agora estou aqui aguardando os mergulhadores que devem tentar localizar e, se houver condições, retirar o barco do fundo. Fábio voltou, arrasado, para Cabo Frio. Sem documentos, sem seus papeis, seu notebook, seu celular, sem a bíblia de sua falecida mãe, sem seu barco, com roupas emprestadas e com o sonho desfeito (mas vamos ter “nosso” Velamar 32 de volta, meu amigo, nem que seja outro. Eu prometo!). Pedro nem queria ir ao hospital fazer exames. Mas a mãe o obrigou e, apesar da pancada no quadril e no queixo que deixaram marcas, está tudo bem.
Eu... Bem eu, estou aqui refletindo sobre como pude ser tão estúpido e cometer o erro mais idiota e simples que um navegador jamais deve cometer: achar que está no ponto A, enquanto, na verdade, está no ponto B. Na era do GPS algo inadmissível. Tenho vontade de dormir e não acordar nunca mais!! Mas não posso, tenho que viver para ressarcir meu amigo de todos os prejuízos que lhe causei.
Fica o relato e a reflexão sobre o que deu errado. Primeiro e acima de tudo, acho que o celular é realmente algo que, a mim especialmente, distrai muito (rebocando, de “Lady Lou”, os clássicos 6M de Lars e Torben para Angra uma vez, saí 90 graus do rumo por conta de um torpedinho. Noutra, bati meu carro). Se eu não estivesse tão desatento, provavelmente não estaria escrevendo esta história hoje. Como pude verificar com tanta atenção a montagem das ilhas Maricás, por sotavento, e dar apenas uma conferidinha boba na carta, minutos antes, ao montar a ilha da Mãe (com sua laje), por barlavento? Por que confiei, em uma noite escura, apenas na minha visão com tantos instrumentos a bordo? Por que fui tão arrogante e babaca quando Fábio me alertou, momentos antes, sobre a laje? Jamais saberei. Claro que o fato de ser um lugar conhecido ajudou, mas jamais poderia ter entrado naquele canal estreito, com mar grosso e perigo a sotavento, sem o auxílio da carta. Jamais!
Acho que independentemente do que tenha causado o episódio inicial do acidente, o que se passou depois pode servir também a todos que navegam. Não tínhamos uma bolsa de abandono preparada (faltou uma faca decente, lanternas, o manete da bomba manual... E poderia faltar água, biscoitos, uma roupa quente, etc.). Depois que o barco deu o 360° na laje (e em qualquer capotamento, mesmo em mar aberto) a cabine vira o caos e, portanto, se você tiver ferramentas, documentos e outras coisas importantes trancadas em um armário que não se abra facilmente, alto e acessível, vai ajudar muito (nossas manicacas sumiram e não pudemos usar as catracas para auxiliar em nada, p.ex. Perdemos todos os nossos cartões e documentos. Não achamos as lanternas e por aí vai...). Quando sair, mesmo em uma aparente velejadinha simples, verifique sempre as condições de vento e mar na rota (eu sabia que havia o swell grande, mas jamais soube que era uma ressaca na barra do Rio de Janeiro porque simplesmente vi os GRIBs e a carta sinótica e não entrei na página da Marinha para ver os avisos de mau tempo. Essa desinformação não causou o acidente, mas atrapalhou o resgate). Não confie que apenas lançar um Mayday no rádio vai ser suficiente, se puder, tenha um EPIRB a bordo e o acione imediatamente. E, por fim, se estiver próximo à costa tenha um celular com bateria e capa protetora sempre à mão e amarrado (o meu não estava e foi um milagre tê-lo achado). Espero que você jamais passe pelo que passamos, mas, se for o caso, esteja preparado!
É com um gosto amargo na boca que escrevo isso tudo e sinto profunda vergonha pelo erro que cometi. Ao meu amigo querido e ao meu amado filho só posso pedir desculpas pelo risco que os fiz passar, pela minha falha e prometer jamais repeti-la. Saber que o prejuízo foi apenas material ajuda, mas não aplaca a tristeza e a desonra. Espero que Netuno, Éolo, Iemanjá, Nossa Senhora dos Navegantes, Iara e tantas outras entidades do mar e das águas continuem a nos proteger. Mas espero mesmo que todos usem sempre a ciência e os incríveis instrumentos tecnológicos que temos hoje para navegar com mais segurança. E que sempre, sempre que estiverem no timão de um barco estejam com 100% de sua atenção voltada para isso. Eu não o fiz. Quase morri. E quase matei meu filho e um grande amigo.
Murillo Novaes
murillonovaes | 09/12/2013 às 12:07

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Firulete Completou Volta do Atlântico

Por volta das 15:30h desta tarde (03/12) o veleiro Firulete, um Fast345, com o Cmte. Norberto Zaniboni e seu irmão César Zaniboni chegou ao Veleiros da Ilha completando seu Giro pelo Atlântico. Mesmo local de onde zarpou em 01 de agosto de 2012. Contando com vários tripulantes diferentes Norberto subiu a costa brasileira, fez a Refeno, a Fenat (regata Fernando de Noronha - Natal), a travessia até Trinidad e Tobago no Caribe, subiu pelas ilhas de barlavento até Sint Maarten. De lá, agora sempre com o César como companheiro, atravessou o Atlântico, no hemisfério Norte, para os Açores, fez a costa portuguesa, alguma parte da espanhola, passou por dois portos do Marrocos, as Canárias e Cabo Verde, atravessou o Atlântico novamente, agora no sentido contrário pelo hemisfério Sul, e desceu a nossa costa para retornar ao porto de origem, em Florianópolis.

Norberto e César logo após amarrar o Firulete na sua vaga, no Veleiros da Ilha

Falei desta viagem neste post, mas o blog veleirofirulete.blogspot.com conta muito bem, com muitas fotos, esta senhora aventura do valente Firulete.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Regata In Port na Transat Jacques Vabre

Esta é a 11ª edição da Regata Transat Jacques Vabre, que existe há 20 anos, e pela primeira vez se fez uma regata no porto de chegada. Nem todos chegaram, os participantes da Classe 40, a mais numerosa, começaram a chegar somente na noite desta sexta feira (29/11) e por isso não estiveram presentes. Foi mais uma atração do evento Aventura pelos Mares do Mundo que acontece no Centreeventos Itajaí, junto a Vila da Regata e ao Pier Esportivo onde os veleiros chegam, que encerra neste domingo.
 


Os veleiros da Jacques Vabre, que também participam de outras regatas como Vendée Globe e Route du Rhum, são projetados para grandes travessias e volta ao mundo em solitário ou em duplas. Suas características técnicas dificultam regatas curtas, com manobras rápidas e proximidade de terra. Mas, assim que como uma homenagem a excelente recepção de Itajaí e região aos velejadores a organização inovou com esta regata in port de ontem (30/11).

Multi50 Actual (Foto Tarcísio Mattos)

Antes da largada os barcos foram apresentados ao público desfilando em frente a Vila da Regata. A largada aconteceu às 14 horas, com ventos Sul forte, ondas, frio, chuva e visibilidade baixíssima. Participaram 12 veleiros das classes MOD70 e Multi50 (trimarans de 70 e 50 pés)  e IMOCA (monocascos de 60 pés). Mesmo assim, muita gente foi até os molhes para ver a montagem da boia colocada bem junto a entrada do canal de acesso ao porto.  Na água, muitos botes infláveis, lanchas, veleiros pequenos, médios e grandes.

IMOCA 60 com lotação completa (Foto Tarcísio Mattos)

O percurso foi curto, apenas 30 milhas (50 km), com boias e manobras em direção a Praia de Piçarras. Todos largaram juntos e a vitória ficou com o trimaran de 70 pés Oman Air-Musandam,comandado pelo francês Sidney Gavignet e o irlandês Demien Foxall. O Actual venceu na Multi50 e o Cheminées Poujoulet na IMOCA. Mas, quem venceu não importa muito. Os barcos acostumados a um ou dois tripulantes pareciam  lotação. A bordo, além dos melhores velejadores e marinheiros esportivos do mundo, um monte de gente. E não eram convidados VIPs. Estavam a bordo das máquinas alguns dos 480 alunos que se formaram nos cursos de vela, remo, arte e construção naval organizados pela ANI este ano, seus monitores, jornalistas, velejadores que pediram carona, patrocinadores, pessoal da organização de terra. Não era uma regata para ser vencida, mas uma regata de agradecimento dos velejadores à cidade de Itajai.

Com informações de Tarcísio Mattos.
Mais imagens aqui. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os IMOCA na Transat Jacques Vabre

Os veleiros da classe IMOCA (Internacional Monohull Open Class Association) não são mais rápidos que os trimarans, mas são tecnicamente os tope da Regata Transat Jacques Vabre. A classe foi criada em 1991 por um punhado de apaixonados que queriam estabelecer regras para os monocascos envolvidos na Vendée Globe (a famosa regata de volta ao mundo em solitário). Estes veleiros de 60 pés se tornaram máquinas rápidas e sofisticadas.

Os IMOCA no Pier Esportivo de Itajaí

Os IMOCA são monocascos de 18,28m atendendo a arqueação “open” deixando certa liberdade arquitetônica a seus idealizadores. Poucos limites são definidos para esta arqueação, fora do comprimento, do calado de água e do calado de ar. Ao contrário, as regras são duras em matéria de segurança: os barcos devem passar testes de virada e de estabilidade (a 180 e 90°). Aos poucos, estes barcos se tornaram verdadeiros laboratórios tecnológicos que encontram suas aplicações na área da navegação de passeio: materiais compósitos, formas de vela, eletrônica embarcada, pilotos automáticos, etc.

Maitre CoQ 3º colocado

As principais características técnicas da classe são:
Comprimento: 18,28m
Calado máximo de água: 4,50m
Calado máximo de ar: 29 m
Seis compartimentos estanques separados por paredes distantes de 5 metros no máximo
Crash box no bico de proa
Quilha lateralmente móvel
Cinco saliências no máximo (quilha, safrão, bolinas)
Tanques de lastro de água do mar para regular a estabilidade.
 

 Cocpit do Safran 2º colocado

Outro cockpit, este do Cheminées Poujoulat 4º lugar, projeto de Juan K.

O vencedor da Classe IMOCA nesta edição da Transat Jacques Vabre, que largou dia 07/11 de Le Havre (FR) e chegou em Itajaí (BR) no dia 24/11, foi o veleiro PRB tripulado pelos veteranos Vicent Riou e Jean Le Cam. Hoje chegaram os dois últimos IMOCA, faltando apenas o MACIF, de François Gabart vencedor da última Vendée Globe, que quebrou o mastro na costa baiana, quando disputava a liderança, fez uma parada em Salvador e está vindo com mastro de fortuna, mas fora da competição.

O PRB vencedor desta edição da Transat Jacques Vabre

Um vídeo de um destes veleiros em plena regata:


Mais imagens aqui.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Transat Jacques Vabre em Itajaí

A Transat Jacques Vabre é uma regata de travessia do Atlântico saindo da cidade de Le Havre, no Norte da França, até um porto nas Américas. Nesta 11ª edição pela primeira vez sua chegada está sendo na cidade catarinense de Itajaí, ela que em 2007 e 2011 chegou em Salvador. São quatro classes de veleiros tripulados em duplas. As de multicascos MOD70, os mais velozes, e Multi50. As de monocascos IMOCA, os modernos e rápidos veleiros de 60 pés projetados para grandes regatas em solitário, e a Class 40, com mais velejadores amadores.

A entrada do evento em Itajaí

Após dois adiamentos devido as difíceis condições climáticas no Canal da Mancha, os 44 veleiros participantes largaram no último dia 07/11 às 13:00h locais, da Praia de Saint Adresse em Le Havre, para percorrer as 5.450 mn (10.000 km). Mesmo assim a Classe 40 teve que fazer um weather stop em Roscoff, a 190 mn de Le Havre, para esperar passar uma grande baixa pressão na Baía de Biscaia.

O Pier Esportivo de Itajaí, junto ao Centreventos (Foto Divulgação)

Os primeiros veleiros a chegaram em Itajaí foram os dois velozes trimarans de 70 pés, da classe MOD70. Com o Edmond de Rothschild chegando em Itajaí, em primeiro, no dia 18/11 às 15:00h, no tempo de 11dias 05h 03min 54s, média 22,12 nós. O OmanAir-Musandam chegou 5 horas depois.

 Trimaran Edmond de Rothschild vencedor da classe MOD70

 Outra visão do trimaran de 70 pés

 
 O OmanAir-Musandam, por inteiro e no detalhe

 Na madrugada de sexta feira (22/11) chegou o vencedor da Multi50, o trimaran FenétréA-Cardinal que completou a regata em 14d 17h 40min 15s. Seguido pelo Actual.

 O Multi50 segundo colocado Actual

 O vencedor da Multi50 trimaran FenétréA-Cardinal

Foto exclusive que obtive para o Almanáutica dos vencedores Erwan Le Roux e Yann Eliés

Na classe IMOCA, dos fantásticos monocascos de 60 pés projetados para regatas de longo curso em solitário, como a Vendée Globe (regata de Volta ao Mundo em solitário,) o vencedor foi o PRB que chegou neste domingo (24/11) às 10:40h, em 17d 0h 41min 47s. Tripulado pelas lendas Vincent Riou e Jean Le Cam. Quatro horas depois chegou o Safran e cerca de 20 minutos mais o Maitre CoQ.


 O IMOCA60 PRB cruzando a linha em Itajaí (Foto Tarcísio Mattos)

 Riou e Le Cam olham aproximação do Maitre CoQ, Guillemont e Bidégorry (Safran) comemoram segundo lugar (Foto Tarcísio Mattos)
A recepção da população de Itajaí aos velejadores (Foto Tarcísio Mattos)

Descontadas algumas desistências ainda faltam chegar a Itajaí, nos próximos dias, mais de 30 veleiros, principalmente da Classe 40, a mais numerosa. Num próximo post vou abordar a recepção de Itajaí a Transat Jacques Vabre.

Mais imagens aqui.