segunda-feira, 20 de abril de 2015

Travessia a Itajaí para a Regata do Porto

A parada da Volvo Ocean Race 2014-15 em Itajaí (Itajaí Stopover) aconteceu de 3 a 19 de Abril. Na sexta feira (17/04) fui para Itajaí no Tinguá para assistir a Regata In Port no sábado (18/04). Saímos eu e o amigo Leone Martins Filho, comandante do Y Jurere Mirim, da sede oceânica do Veleiros da Ilha em Jurerê exatamente às 09:00h, para as 36 mn até o Saco da Fazenda, em Itajaí. Dia nublado com nuvens escuras, vento ENE e mar de SE com 1 a 1,5 m, bastante batido. O vento em torno de 11-13 nós foi crescendo se fixando na faixa dos 16-18 nós, com rajadas maiores. Fazia tempo que o Tinguá não velejava direto numa travessia e numa orça folgada.

Chegamos na barra do Rio Itajaí Açu por volta das 14:40h pegando o final da regata ProAm, com os veleiros da VOR ainda na água. Entramos surfando na barra com vela e motor. Nas proximidades da Vila da Regata saímos para bombordo para deixar um rebocador passar e aproar para baixar a vela grande quando batemos numas pedras submersas, bem em frente a baliza verde nº 12. Para resumir, adernamos o barco com as velas e conseguimos sair, só que batemos o leme e ele travou. Fomos rebocados por um inflável da Marinha até ali perto no pier da ANI, no Saco da Fazenda que era nosso destino final. Eu desconhecia aquelas pedras nas margens num canal de porto e não demarcadas nas cartas náuticas.


Réplica de um VOR65 na Vila da Regata


Os veleiros no pier 

Sexta à noite e o mastro do Mapfre sendo reparado

Na manhã seguinte constatamos que o dano no leme era pequeno e que ele travara por ter encostado no casco. Destravamos ele baixando um pouco seu eixo e fomos para a barra do rio para a Regata do Porto. Como a maré ainda estava baixa tivemos bastante dificuldade pois a profundidade era de somente 90 cm na saída do pier.

Em função do ocorrido, fui obrigado a cancelar o convite a alguns amigos que iriam assistir a regata a bordo conosco e a largada para a próxima perna no dia seguinte, ainda na sexta à noite. Decidi assistir a regata e ir pernoitar no Caixa D'Aço. Se voltasse para a ANI os horários de maré alta não eram favoráveis e ainda tinha o problema da falta de segurança no pier, que não tem vigilância e vem sendo assolado por marginais drogados.

A Regata do Porto foi a mais sem graça das quatro que já assisti devido ao vento fraco que foi diminuindo, fazendo com que a chegada fosse em câmara lenta, mas aí emocionante pela proximidade entre os veleiros.


O Azzam, da Team Abu Dhabi, de perto


 Briga em câmara lenta na regata

Fomos para o Caixa D'Aço a motor pois não havia vento e com vela forçaria mais o leme. Chegamos por volta das 17h já com poucas lanchas, para um ótimo mergulho e, com água clara, avaliar melhor o leme. Houve apenas uma leve empenada no seu eixo.


Final de tarde no Caixa D'Aço

Zarpamos para Floripa às 07:30h do domingo com vento SW de uns 6-7 nós e mar baixo de SE, mas não abri velas por medida de segurança. O vento acabou completamente e após pegarmos a proteção da Ponta das Canas o mar ficou um azeite. Em Jurerê o Leone passou para o seu Y Jurere Mirim para também levá-lo para o centro. Atraquei no pier da sede central às 13:30h.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

Abril da Vela em SC

Este mês de Abril tem sido especial para a vela em Santa Catarina, onde moro. Além das regatas de oceano e monotipo do calendário estadual temos dois grandes eventos mundiais acontecendo. Em Itajaí a parada (itajaistopover) da Volvo Ocean Race 2014-15 e na raia de Jurerê o 3 Campeonato Mundial da Classe Soto40.

Os quatro primeiros colocados da Volvo Ocean Race chegaram a Itajaí no domingo de Páscoa (05/04) no intervalo de menos de uma hora. No barco 2 colocado o espanhol Mapfre o único velejador brasileiro participante, André "Bochecha" Fonseca, catarinense de Florianópolis. A grande estrela desta parada. Na sexta feira (17/04) sigo no Tinguá para lá afim de acompanhar a Regata In Port no sábado e, no domingo, a largada da próxima perna rumo a Newport (EUA).




Desde sábado passado (11/04) até hoje aconteceu na raia de Jurerê o Mitsubishi S40 World Championship, sediado pelo ICSC-Veleiros da Ilha, com a participação de tripulações da Argentina, Chile, Alemanha e Brasil.



Tivemos ainda, nesta terça (14/04) o lançamento do livro e filme Mar Me Quer, de Isabella Nicolas, no Veleiros da Ilha. No dia 23/04 tem mais, a palestra e lançamento do novo livro de Izabel Pimentel.



segunda-feira, 16 de março de 2015

Evgeny Gvoznev, Este é o Russo

No post passado falei sobre barco pequeno versus barco grande e citei um navegador russo que passou pelo ICSC-Veleiros da Ilha circunavegando o globo num pequeno veleiro de 3,70m (12 pés), cujo nome não guardei. Pois o leitor Narcélio me passou o nome: Evgeny Gvoznev. Pesquisando no Google encontrei notícias sobre ele. Infelizmente, como já havia escutado nas rodas de conversa do clube Evgeny faleceu navegando, em 2008, já em sua terceira volta ao mundo, com um barco um pouco maior. Veja este link:






quinta-feira, 12 de março de 2015

Barco Pequeno ou Barco Grande

O velejador Airton Luciano Aragão publicou no grupo de discussão na internet da ABVC um texto retirado do livro "Sailing Just for Fun - High Adventure on a Small Budget", do velejador inglês  A. C. Stock, sobre as vantagens e desvantagens dos barcos pequenos versus os barcos grandes, que reproduzo no final deste texto.


Há mais de 10 anos passou pelo ICSC-Veleiros da Ilha um velejador russo, do qual não me recordo o nome, que estava dando a volta ao mundo num veleiro espartano de apenas 12 pés, construído pelo próprio na varanda de seu apartamento. Quem conviveu com ele, no tempo que passou no Veleiros, não esquece uma frase sua, dita no seu parco inglês: " big boat, big problem".



Esta é uma discussão antiga, tal qual outras como monocasco x multicasco, na qual não vou entrar. Porque eu acredito que nos dois casos não há vencedor. Para mim tudo depende do seu perfil de navegador, isto é de onde, quando, como, com quem, em que situações, por quanto tempo você usa seu barco, do seu tempo disponível, de quanto você quer investir e se você dispõe desta quantia.

Nosso 30 pés, o Tinguá, nos atende muito bem para as navegadas de final de semana na região de Florianópolis, com pernoites de 1 a 2 dias. Já para cruzeiros longos com a família ou amigos, com travessias e "mais mar", preferimos um catamaran de 38' que privilegiasse o espaço interno, como o TinguaCat. Enfim, cada um tem que saber qual é o número de seu sapato...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Navegando na Intracoastal Waterway

Depois de navegar mais de 400 milhas náuticas (mn) por 9 semanas na ICW - Intracoastal Waterway, na Costa Leste (Atlântica) da Florida, vou analisar alguns tópicos que podem interessar aos leitores. Nossa navegação foi realizada no catamaran TinguaCat, um Lagoon380S2 2007 com calado de 1,15 m (3' 9") e clearance - altura livre da linha d' água até o tope do mastro - de 17,32 m (56' 10"). 

Navegação

A ICW é uma via navegável interna ao longo da costa Atlântica e do Golfo do México nos Estados Unidos, composta por rios internos de água salgada, lagoons e sounds, canais artificiais, inlets (barras) e até eclusas. Oficialmente ela abrange cerca de 4.000 statute miles (stm) entre Cape Ann, ao Norte de Boston, em Massachusetts, e Brownsville, no Texas, junto a fronteira do México. O segmento mais usado é o de 1098 stm entre a Hospital Point, em Norfolk no estado de Virginia, e a Biscayne Bay, em Miami. Na Florida não encontrei tráfico de mercadorias, que já foi significativo nos primórdios desta via.


O segmento Norfolk-Miami

Aqui uma primeira dica. Na ICW no lugar da milha náutica (mn) usa-se a statute mile (stm), que é a mesma rodoviária e vale 1609,344 m (ou 5280 pés ou 1760 jardas). Não sendo totalmente preciso, podemos dizer que 1 stm x 0.87 é igual a 1 mn e 1 mn é igual a 1 stm x 1,15. Portanto, a cada 7 mn temos 8 stm.

Há duas restrições ao se navegar na ICW: o calado e o clearance. O canal navegável é para ter no mínimo 12' (pés ou 3,66 m) de profundidade no seu centro, mas há cerca de 18 pontos difíceis de manter, notadamente próximo a barras. Eu encontrei em várias ocasiões profundidades menores, sempre com 8' (2,44 m) ou mais. O problema da altura é com relação as pontes. A altura mínima das pontes fixas é 65' (19,81 m), mas há duas exceções. Uma com 64' na Carolina do Norte e a Turtle Bridge, na altura da stm 1087,1, próxima a Miami com 56'. Todas as demais pontes são de abrir (drawbridge). Abrem solicitando ao operador pelo canal 9 do VHF, mas algumas só abrem em horários determinados, em geral de meia em meia hora. Há algumas ainda que não abrem nos períodos de pico do transito na manhã e no final da tarde. 


Todas as pontes fixas tem a marcação do clearence


Ponte basculante em Júpiter

Então a ICW permite a navegação de qualquer tipo de embarcação que atenda aquelas restrições. Há relatos de iates com mais de 200' navegando nela. No entanto, veleiros (28 a 45') e trawlers (32 a 50') médios, com calado até 8' não terão nenhum problema. Ela também é muito bem sinalizada e constantemente mantida, mesmo que nos últimos anos a entidade responsável não tenha tido toda a verba necessária. Outra dica, quando se ruma ao Sul é como entrar no porto (verde-vermelho) e no rumo Norte é como sair do porto (verde-verde).


Um iate na ICW



A sinalização dos limites do canal sempre presentes


É uma navegação que exige muita atenção. Há trechos onde se sair do canal é encalhe na certa, bem como trechos estreitos e sinuosos. Isto dificulta velejar e utilizar piloto automático. Mas, na maioria do segmento da Florida as águas são mais amplas, e com profundidades melhores.

Cartas Náuticas e Guias

Tinha as cartas físicas da parte da Florida mas efetivamente não usei. Utilizei cartas digitais Navionics no chartplotter Raymarine E80 e no iPad, estas com a última atualização e opção de utilizar as cartas originais NOAA. Como backup tinha um GPSmap Garmin 78sc com cartas BlueChart. Recomendo usar um guia que te dê todas as dicas de navegação, ancoragens, marinas, pontos de interesse, etc. Eu utilizei o CruiseGuide for Intracoastal Waterway, de Mark e Diana Doyle. Muito completo e com 99% de acerto. Gosto muito neste guia da seção mile-by-mile, excelente durante a navegação.


Detalhe da seção mile-by-mile do guia


Clima

Os ventos predominantes são de Sul a Leste com um pouco de Nordeste, mas no inverno tem seguidas frentes frias com ventos gelados de Norte e Noroeste. Não é raro ventos de força 5 e 6 (17 a 27 nós), que as vezes "roncam"  a noite toda. No inverno chove pouco e pode-se pegar temperaturas abaixo de 10º C. Não tem mar, apenas marolas, e marés e correntes, principalmente próximo aos inlets com o Oceano Atlântico. Por falar em marolas, as lanchas e iates em sua maioria diminuem a velocidade ao cruzarem com os veleiros ou barcos menores.

Ancoragens

É bom programar a singradura a ser feita pois em alguns trechos há poucas opções de ancoragens, fora as marinas. Outra consideração são as correntes de maré que, dependendo do local, podem exigir o uso de ancoras na proa e popa. O guia lista todos os locais possíveis de uma boa ancoragem com todas as informações (corrente, profundidade, marés, proximidades, proteção). O fundo em geral é de boa tensa.

Marinas e Estaleiros

Falando em ancoragens, há muitas opções de marinas. No entanto, as mais interessantes são as marinas municipais que quase todas as cidades a margem da ICW possuem. São marinas simples, protegidas, com a infra-estrutura necessária: combustivel, água e pump-out sem taxa extra, energia elétrica no cais, banheiros, coin laundry, pier para dingues, sala de conveniência com bibliotecas tipo take one leave one, wifi, quiosques com churrasqueiras, coleta de lixo, algumas com poitas e loja de conveniência. Umas menores outras com mais de 300 vagas. Sempre eficientes, limpas e bem administradas. Além de serem as de melhor preço elas reunem a tribo dos cruzeiristas. Uma parada especial é a Vero Beach City Marina. Um dos principais points dos cruzeiristas é simples mas charmosa, numa localização especial, pequena no numero de slips, mas com um extenso mooring field onde na alta temporada os barcos amadrinham nas poitas pela falta de vaga.


O extenso mooring field da Vero Beach City Marina lotado

Falando em cruzeiristas, a maioria são casais de idosos americanos ou canadenses. Mas há casais jovens, com filhos e, como não poderia deixar de ser, franceses. Os barcos costumam ser bem cuidados e equipados, mesmo os  de muita idade. Os catamarans (na faixa de 32 a 40´) e trawlers são bem numerosos.


Um proa dupla

O custo das marinas fora da região Miami-Fort Lauderdale-Palm Beach é bem razoável para docagens mais longas, com preços entre 10 e 16 dolares por pé. Caro é a diária (transiente dockage) na faixa de 1,50 a 2 dolares por pé. Caro também é a eletricidade, que em geral não é medida e sim cobrada por taxa, provavelmente baseada no consumo das lanchas. Outro fato interessante é que, em geral, catamarans pagam por pé como qualquer monocasco.

Existem também vários boatyards que são estaleiros para todo tipo de serviço e não marinas, mesmo que em geral possuam algumas vagas molhadas e docagem no seco.

Pump-out

É o serviço de esvaziamento dos tanques de águas negras (ou holding tanks), obrigatórios. As leis ambientais americanas punem severamente o esgotamento nas águas internas ou próximas a costa dos vasos sanitários ou qualquer outro tipo de lixo, óleos, etc.. Em compensação, existe muita facilidade para se esgotar os tanques (o pump-out). Todas marinas tem, grátis para quem esta na marina e por taxas de menos de $10 dolares para não inquilinos. Algumas cidades possuem um serviço público que vem até seu barco por solicitação, também por uma pequena taxa.

Abastecimento

É bastante fácil ao longo da waterway. Muitas das ancoragens ficam próximas a parques na beira da via com pier para dingues e alguns até com pier municipal onde se pode atracar gratuitamente no período diurno. 

Pela nossa experiência os melhores preços são nas redes BJ´s e Walmart. O BJ´s vende em quantidades maiores (estilo Makro) e é preciso ser associado ao custo de $40 anuais. Se for fazer uma compra grande vale a pena. Conhecemos também uma rede de mercados menores, que eles chamam de disccount grocery,  com preços bem interessantes chamada Save a Lot. O melhor mercado é a rede Publix, que tem preços sempre alguns centavos mais caros que o Walmart. Mas para alimentos frescos e perecíveis vale a pena pagar. Como pão, por exemplo. O Publix tem baguettes razoáveis. Boas mesmo encontramos em dois cafés franceses, próximos a ancoragem, um no Lake Worth e outro em St. Augustine.

Transporte Público

Por falar em abastecimento, os lugares nem sempre são próximos e carro é fundamental nos EUA. No entanto, todas estas cidades tem algum tipo de transporte público que mesmo não tendo tantas frequências são eficientes e até de graça, como em Vero Beach, e não tem superlotação. Nos pagos tenha sempre o valor certo da tarifa pois eles não dão troco. Usamos em Vero Beach, Cocoa, Daytona Beach e St. Augustine. Uma bicicleta a bordo também é bem útil.


Carro da GoLine o transporte público gratuito de Vero Beach

Internet

Assim como o GPS nos dias atuais cruzeiristas não vivem sem internet. E este é um problema para o qual não consegui uma boa solução. Fora das marinas só mesmo pelo celular, mas fica muito caro ainda mais se você tiver dois adolescentes a bordo. Em Port Salerno, existe um provedor com planos semanais e mensais a um bom custo que se propôs a atender toda a waterway, mas até agora só conseguiu nesta região e na de Key West.

Tínhamos instalado uma antena BadBoy (veja aqui), da canadense Bitstorm, que tem um longo alcance e cria uma rede interna. Ajuda muito a melhorar o sinal na poita e por duas ou três ocasiões conseguimos pegar redes abertas na ancoragem.

Turismo

Há muitas opções de turismo ao longo da ICW. São centros históricos, museus, parques diversos, centro espacial, praias, fortes, faróis, o Daytona Speedway, além de que a própria waterway tem paisagens maravilhosas. Para quem gosta, tem trechos com as margens cheias de mansões espetaculares, com "brinquedinhos" a altura. A campeã no item turismo é St. Augustine (veja aqui), a cidade mais velha dos EUA, com muitas atrações da época do domínio espanhol e inglês. Além de ser um bom centro náutico com muitas marinas e estaleiros e saída para o Atlântico.


Daytona Internacional Speedway

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Neomarine38 - Primeiro Casco Infundido

Hoje foi realizada a infusão do primeiro casco do Neomarine HS38. Foram apenas 34 minutos e 260 kg de resina. (Veja mais informações nestes posts: Construindo um Monocasco de 38`, Começou a Construção e Forma em Construção).

Infusão  acontecendo



Concluido



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

St. Augustine, A Cidade Mais Antiga

St. Augustine no norte da costa leste da Flórida é a "nation's oldest city". Fundada pelo navegador espanhol Pedro Menendez Avilés em 1565 foi de importância crucial, nos Estados Unidos, para o então Império Espanhol. Passou por várias tentativas de conquista por franceses e britânicos e mais tarde pelos americanos, esteve um tempo sob domínio inglês, foi reconquistada e posteriormente, já no século XVIII, por força de um acordo, foi vendida com toda a Florida para os Estados Unidos.








São inúmeras atrações, como o Castillo de San Marcos, baluarte da defesa da cidade, muitas construções antigas, igrejas, museus, o farol. A cidade é muito visitada pelos americanos com toda estrutura turística, desde trenzinhos no estilo  sightseeing até uma imponente réplica de um galeão espanhol do século XVI. Na segunda 16 de fevereiro era feriado nacional, o President's Day, então no final de semana o movimento foi intenso.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

St. Augustine, Fl

Saímos  da ancoragem no Halifax River, em Daytona Beach, às 7:45h pois queríamos fazer uma parada em Matanzas Inlet para conhecer o Fort Matanzas e eram 43 mn até St. Augustine, nosso destino final. Amanhecer lindo, céu limpo, sem vento nenhum com as imagens sendo refletidas na água, rendendo belas fotos.

Reflexo perfeito, captado pela esposa 

 Esta também, já no Halifax Creek

Quando estávamos na altura de Smith Creek bem no início do Fox Cut, um pequeno trecho artificial para cortar algumas curvas do rio, batemos de repente em pedras no fundo e ficamos com o casco de boreste encalhado. Vinhamos dentro dos limites do canal a mais de 7 nós, num trecho com profundidades de 3,5 a 4 m. A ICW  é super bem sminalizada mas não tinha nenhuma sinalização neste local. Na foto abaixo nossa posição (29º 31.920' N, 081º 9.386' W) na carta náutica Navionics do iPad, atualizada há poucos dias. A maré estava quase ao final da vazante, então esperamos umas duas horas  para o barco flutuar inteiro novamente. Nenhum dano constatado, a não ser arranhões na mini-quilha de boreste, como constatamos mais tarde ao retira-lo da água para a storage.



O estrago do encalhe. O barco é forte...

Com este contra tempo desistimos da parada no Fort Matanzas, que pelo que pudemos observar de longe não perdemos muito. Principalmente depois que conhecemos o Castillo de San Marcos, em St. Augustine. Por falar nela, a corrente ajudou e chegamos às 15:15h na St. Augustine Municipal Marina, onde havíamos reservado uma poita. Foi bom, uma vez que a previsão previa chuva para a parte final do dia, o que realmente aconteceu.

O pequeno Fort Matanzas 

A boa marina municipal de St. Augustine esta localizada ao lado da Lions Bridge bem no centro do Historic District. A cidade é a mais velha dos Estados Unidos fundada pelos espanhóis em 1565. É muito turística com uma área histórica grande e muito interessante (vide o próximo post). Também é uma cidade com um número grande de marinas e estaleiros (boatyards), com bastante área navegável e saída para o Oceano Atlântico.


A marina municipal


TinguaCat na poita 3

Amanhecer com o Farol de St. Augustine de um lado...

...entardecer com o Historic District de St. Augustine do outro lado

No domingo (08/02), quando estávamos em Daytona Beach, havia a programação de lan çamento de um foguete pela NASA, em Cape Canaveral. As 6 da tarde, hora programada, ficamos de prontidão mas não vimos nada. Pois na quarta feira (12/02) quando chegávamos na marina de um passeio, sem esperar vi o foguete subindo. Como não tem morro na Florida e o céu estava limpo deu para ver muito bem. Não sabíamos que o lançamento tinha sido reagendado.


Com a surpresa, foi só o que deu para pegar do foguete

O que não foi legal neste período foi o frio. Pegamos uma semana fria, com mínima de 2º C fora e 6º C dentro do barco na sexta feira. Em compensação foram dias muito bonitos.


42º F dentro do TinguaCat

Deixamos o TinguaCat guardado no seco na St. Augustine Marine Center, um dos vários estaleiros (boatyard) da cidade, especializado em catamarans, na terça feira (17/02). Ventava muito de SE desde à noite  e na hora de docar começou a chover. Faz parte. Uma etapa encerrada.


Tingua indo para sua vaga


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Daytona Beach, Fl

Ancoramos numa área ao lado da ICW antes da primeira ponte de Daytona Beach às 17:30h, com profundidade de 2,5 m e bastante espaço entre os barcos ancorados ou em poitas, caso dos barcos de moradores locais.

As pontes de Daytona Beach

No dia seguinte (04/10) era aniversário do Rafael (o meu filho mais novo) e já havíamos reservado 2 dias de marina. A Halifax Harbor Marina é a marina municipal de Daytona (com exploração terceirizada), enorme com umas 500 vagas, em piers flutuantes. Super eficiente e organizada. Para se ter ideia, comunicamos nossa chegada pelo rádio, eles nos informaram nosso local de atracação e um funcionário nos esperava para ajudar a atracar, ligar a energia no cais, preencher o registro e passar todas as instruções (guias, endereços úteis, ônibus), chaves, etc. Por falar em chaves (para acesso ao pier, banheiros e lavanderia), na saída você informa a marina pelo rádio e um empregado coleta as chaves com uma destas redes de limpar piscina no cais de abastecimento. Do nosso pier até o escritório da marina daria pelo menos uns 20 minutos de caminhada.

A Halifax Harbor Marina 

Rafael entregando as chaves na saída da marina

Estes dois dias (4 e 5/10) e mais a sexta feira foram com muito vento frio do Norte (acima dos 20 nós) que acabamos ficando mais um dia na marina, pois não conhecíamos a próxima ancoragem. As marinas aqui são melhores e mais baratas que no Brasil, mas a transiente dockage, como eles chamam, é cara também. Na Halifax pagamos 75 dolares por dia.

A marina fica na região onde Daytona iniciou e ao lado de um parque completo na beira do Halifax River. Em frente a este parque, por umas quatro quadras da Beach Street fica uma interessante área comercial com restaurantes, bares, cafés, galerias, lojas de antiguidades e até uma fábrica de chocolate com visitação. Só falta um mercado próximo.

A Beach Street e sua urbanização caprichada

Eu que gosto de corridas de automóveis não poderia ir a Daytona e deixar de conhecer o Daytona Internacional Speedway, um dos templos mundiais do automobilismo. Daytona é sede da NASCAR a associação que organiza as corridas de stock car, as mais populares dos EUA. Eu gosto é das 24 Horas de Daytona uma corrrida de esporte-protótipos que usa a parte mista do autódromo e que por três vezes já teve brasileiros na equipe vencedora, como em 2014 com Cristian Fittipaldi. O Daytona Speedway também é um templo das duas rodas, com famosas corridas de motovelocidade e motocross.

Ainda peguei o pessoal treinando para a Daytona500, uma
das mais importantes da NASCAR, que será no próximo dia 22 

No sábado (07/10) antes de sairmos da marina nos abastecemos de verduras e frutas na feira (Farmer's Market) no parque ao lado. Fomos para uma ancoragem antes das gêmeas Seabreeze Bridges, não sem antes passar por três outras pontes, sendo duas basculantes. O vento acalmou, os dias continuaram ensolarados e mais quentes, então fomos conhecer a praia.

Detalhe numa das pontes 

A praia (atrás da cerca azul é uma calçada pública)

Uma imagem da segunda ancoragem 

Uma panorâmica de cima da Seabreeze Bridge
(o TinguaCat esta quase no meio da foto)