domingo, 17 de novembro de 2013

The Wave Muscat Campeão da Extreme Sailing Series

Terminou hoje o Act 8 Florianopolis da Extreme Sailing Series, que vem a ser a última etapa do circuito destes velozes catamarans monotipo de 40 pé (12 m), com a vitória da equipe suiça Alinghi, após a disputa de 28 regatas. Foram 4 dias com ventos fortes, muito fortes e fracos, do quadrante Norte, do Sul e até do Leste, mar liso e com marolas. No campeonato a equipe omanita The Wave Muscat foi campeã pelo desempate, por ter vencido mais etapas durante o ano que a Alinghi.


O inglês Leight McMillan skipper do campeão The Wave Muscat

Achei sensacional o formato com regatas curtas, rápidas e com muitas manobras, disputadas muito próximas ao público. Com catamarans de alta performance e grande plasticidade em suas velejadas em um casco só.  Um lindo espetáculo, muito profissional. 

Foto aérea de Mané Ferrari
 
Tive a oportunidade me oferecida pelo Ricardo Amatucci do Jornal Almanáutica de participar como correspondente. Isto me facilitou conseguir velejar uma regata, como guest sailor, num destes veleiros, uma experiência indescritível.

No sábado (16/11) com vento Sul rondado e com fortes rajadas o SAP Team capotou

Vale a pena acessar o site do evento e ver os vídeos. Abaixo algumas fotos que dão uma idéia do evento.

Uma das 28 largadas
 
 Rumo a bóia de sotavento

 Disputa acirrada

 Velas rizadas no nordestão de sexta feira (15/11)
 
 Briga na bóia

 Mais disputa

 Alinghi e Red Bull disputando a ponta

 Red Bull montando a bóia num casco só

Equipe brasileira que se esforçou mas não conseguiu acompanhar os demais




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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Eu Andei de Extreme40

Todos sabem que adoro cruzeirar, sair de veleiro por aí meio sem hora e sem rumo, mas também gosto de regatas a vela. E hoje participei como guest sailor (velejador convidado) de uma regata da etapa de Florianópolis da Extreme Sailing Series. Incrível ! Espetacular! Não é uma experiência para se contar, é para se viver.

 Pronto para embarcar com os amigos Júnior e Wagner

No catamaran do RealTeam

Olha nós lá!

 Barco leve com muita vela

 A regata é rápida mas intensa

Fiz a segunda regata da série de hoje, primeiro dia de regatas, no catamaran Extreme40 do RealTeam, equipe suiça com alguns franceses, que nesta etapa estréia o antigo trimmer da vela mestra Arnaud Psarofaghis como timoneiro. Vento Nordeste de 14-15 nós na raia montada próximo a Av. Beira Mar Norte fazia os barcos andarem muito e no través num casco só. Regata muito rápida, cerca de 12 minutos para as quatro pernas, com muitas manobras. Ficamos em 5º lugar, mas isto não teve a menor importância...

Obrigado Ricardo Amutucci pela oportunidade, ao me inscrever como correspondente do Jornal Almanáutica.



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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Tudo Pronto para a Extreme Sailing

Ontem e hoje foi de muito trabalho para as equipes de apoio da Extreme Sailing Series, que montaram a Race Village, na Praça Portugal (Av. Beira Mar Norte), e os catamarans das demais equipes, já que o da equipe convidada da casa foi montado semana passada no Veleiros da Ilha. Enquanto isto o Team Brazil treinava duro com sua tripulação completa. Veja no final do post a programação desta oitava e última etapa, em Florianópolis.

 Race Village montada

 Team Brazil treinando, ainda sem as velas oficiais

Team Brazil com tripulação completa (Foto Marcelo Gusmão Reitz)

 
Finalizando a montagem dos Extreme40

 Barco sendo içado para ir para a água

 Indo para a água

Team Land Rover quase na água

 Tudo pronto para o Act 8 Florianópolis

 
Todos na água
Final de tarde


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domingo, 10 de novembro de 2013

Extreme Sailing Series em Floripa

Florianópolis foi escolhida para sediar o Act 8 da Extreme Sailing Series, nos dias 14 à 17/11. Vem a ser a última e decisiva etapa do campeonato de vela disputado com velozes catamarans de 40 pés. A Extreme Sailing Series é disputada desde 2007 em 8 etapas ao redor do mundo, neste ano em Muscat (Oman), Singapura, Qingdao, Porto, Cardiff (UK), Nice e Florianópolis. É um formato diferente em termos de vela que alia velejadores de ponta em barcos de alta performance com entretenimento para o público. A raia é pequena, não mais de 1000x 1000 m, e muito próxima de terra, isto é do público, com até 8 regatas de 15-30 minutos no mesmo dia.



O barco é um catamaran de 40 pés (12,2 m), com 7 m de boca (largura) e 1400 kg inspirado nos catamarans da Classe Tornado, que por muitos anos foram classe olímpica. Todo em carbono com velas mestra, buja e gennaker e tripulação de cinco membros (timoneiro tático, trimmer da mestra, trimmer da buja e proeiro). Para incrementar ainda mais a integração com o público em cada barco vai um convidado.





A arena (Race Village) do Act 8 esta sendo montada na Praça Portugal (praça do trapiche da Beira Mar) na Avenida Beira Mar Norte. Além da área técnica das equipes e arquibancadas contará com uma série de opções para lazer e entretenimento, incluindo música, barracas de comida, DJ e comentários ao vivo ao longo das regatas, academia de ginástica ao ar livre e área dedicada às crianças. As atrações ainda incluem o NeilPryde Windsurf Racing Series e regatas com Optimist, Laser e Snipe.


Race Village em montagem

Para cada etapa a organização leva um barco para uma equipe da casa. Em Florianópolis teremos o Team Brazil que será tripulado por Clinio de Freitas, sua esposa Cacau, André Mirsky e Daniel Santiago do Rio de Janeiro e os catarinenses Bruno Di Bernardi e André Chang.

 O barco do Team Brazil

O campeonato deste ano é liderado pela equipe The Wave,Muscat de Oman, mas as equipes Alinghi e Red Bull também podem ser campeãs. Abaixo a lista das equipes que competirão em Floripa. O Team Brazil leva a pontuação obtida pelas equipes convidadas das etapas anteriores.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Diga Não ao IPVA Para Embarcações

Tramita no Congresso Nacional a Proposta  de Emenda Constitucional (PEC) nº 140/2012 que altera o inciso III do art. 155 da Constituição Federal para determinar que seja o Imposto sobre Propriedade de Veiculos Automotores (IPVA) incidente sobre veículos automotores terrestres, aéreos e aquáticos. De gestação do SINDIFISCO (a serviço do Governo) e autoria de um Deputado Petista, que não vale nominar, a  indecorosa proposta deverá aumentar em 2,7 bilhões de reais a arrecadação de impostos.



Alegam os proponentes que embarcações e aeronaves injustamente não pagam o IPVA, como se suas alíquotas de impostos (IPI, ICMS, COFINS, de importação quando cabe e outros) não fossem as maiores e seus proprietários não pagassem elevado Imposto de Renda sobre os valores despendidos em sua aquisição. O IPVA para os veículos automotores terrestres é cobrado sobre o pretexto de financiar a infra estrutura para os mesmos. Todos sabemos das condições de nossas estradas e quando temos alguma em melhor condição é fruto da cobrança de pedágio. Só faltou colocar no arrazoado que vão fazer rodovias nos céus e mares.

Tentando enganar a população o SINDIFISCO clama por imposto justo. Imposto justo é aplicar com eficiência e honestidade  os 40% de tudo que o país produz que o Governo arrecada para si. Justiça é diminuir esta escorchante carga tributária que não nos propicia saúde, educação, segurança, infra estrutura minimamente aceitáveis. Ao contrário, só faz por utilizar de todos os subterfúgios imagináveis para aumentar a sanha arrecadadora, com elevações indiretas da carga tributária com correção abaixo da inflação da tabela do Imposto de Renda, aumentos escandalosos dos valores tributados (como nos laudêmios e no IPTU da cidade de São Paulo) e agora ampliando a aplicação de impostos.

E se você não tem embarcação nem aeronave não pense que não tem nada a ver com isto. O Governo se sentirá à vontade para ampliar ou criar novos impostos, que aí sim lhe atingirão diretamente. Sem falar nos efeitos econômicos que certamente acarretarão mais inflação. Portanto, não deixe de assinar a petição promovida pela ABVC (Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro) e outras entidades.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Alguns Dias no Kyriri-ete

No último dia 17/10 embarquei no Kyriri-ete (Multichine28), do amigo Giovani Dal Grande, que estava na bela sede do ICRJ, na Praia Grande em Angra dos Reis. Enquanto eu chegava nosso amigo Saul Capella Neto estava desembarcando. Foram nove dias pela Ilha Grande e Paraty.


 O Kyriri-ete na ancoragem do Abraão

A primeira parada foi na Tapera do Sitio Forte para entregar a Telma (do Restaurante Recanto dos Maias) a encomenda que trouxe de Floripa: duas dúzias de ovos de Faisão, de quatro espécimes diferentes, enviados pelo pai do Giovani, para incrementar sua criação. A caminho do Abraão estivemos na Lagoa Azul, onde nadamos e almoçamos. No Abraão pegamos 2,5 horas de forte Sudoeste, na madrugada de terça-feira (22/10). As rajadas chegaram na casa dos 40 nós. Jogamos mais de 40 m de corrente e uma segunda âncora e o Kyriri segurou bem. Já um BB36 ancorado próximo a nós, com tripulação de argentinos, garrou feio e teve a genoa de enrolar esfarrapada. Pelas 8h da manhã entrou outra pauleira que durou só uns 20 minutos. Suspendemos âncora e velejamos num contra vento até Jurumirim, com vento SW variando de 8 a 14 nós. Deu até para experimentar a nova trinqueta, que havíamos acabado de instalar na parada do Sitio Forte.


Nas ruínas do Aqueduto, na Ilha Grande

Em Paraty aproveitei para ver um Lagoon380 à venda e o CatFlash35 Synapse, recentemente testado pela Revista Náutica, sobre o qual quero fazer um post. Enfim, deu para curtir um pouco da região (já que este ano não levamos o Tinguá para lá) e a hospitalidade do Giovani.

Traineira Bruguilu III de quem compramos camarões

Mais imagens aqui.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sérgio Marques - Construtor de Catamarans

Na minha estada em São Luís do Maranhão conheci Sérgio Marques, um construtor de catamarans. Muito mais, Sérgio é um estudioso, conhecedor e apaixonado por estes barcos. O mar e os barcos só entraram em sua vida quando aos 18 anos foi num barco à vela conhecer a Ilha dos Lençóis. No ano seguinte já encomendaria seu primeiro pequeno catamaran ao construtor João Bastos.

E não parou mais. Autodidata obstinado e com espírito de cientista, mesmo sem formação específica na área, foi aprendendo na teoria e na prática, com muita experimentação, solucionar problemas como locação do centro vélico, estabilidade longitudinal, compensação dos lemes, resistência dos materiais, cortes de velas. Aprendeu a fazer velas e acabou por montar uma veleria para atender a demanda do primeiro grupo de velejadores amadores da comunidade. Em 1987 fundou um pequeno estaleiro para construir seu primeiro projeto o catamaran Taaroa 750, de 7,50 m, em strip planking de cedro/epóxi/fibra de vidro, fato inédito na região. Assim surgiram vários modelos de Taaroas e mais recentemente a linha BV, do seu estaleiro e veleria Bate Vento Sailmaker & Catamarans. Os catamarans projetados e construidos por Sérgio na Bate Vento desmistificam o mito de que multiscascos não conseguem ter um bom rendimento contra o vento. A mastreação e o sistema vélico, o uso das bolinas e a leveza da estrutura dos BVs  demonstram na prática o desempenho que os multicascos podem atingir.



 Sérgio (calção amarelo) coordenando os últimos ajustes num BV36 recém concluido

Para conhecer melhor esta figura admirável recomendo ler seu livro "O Morubixaba na Rota dos Navios Negreiros" que narra uma viagem sua com a esposa e mais dois amigos ao Caribe, iniciada após o Natal de 1998, a bordo do Taaroa900 (31 pés) Morubixaba, de sua propriedade e construção.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Os Estaleiros de Catamaran do Maranhão

O principal motivo da minha visita a São Luís do Maranhão foi para conhecer os estaleiros que lá fabricam catamarans. Como comentei no post Os Catamarans do Maranhão a produção destas embarcações vem se desenvolvendo muito por lá, na tecnologia de construção, nas características técnicas que propiciam maior desempenho, na navegabilidade e no acabamento e conforto de seus interiores. Este último item vem sendo fomentado pelo mercado comprador, atualmente mais concentrado na Bahia e Pernambuco. Visitei os três maiores estaleiros, que conseguem tocar a construção de várias unidades ao mesmo tempo. No entanto, existem vários pequenos construtores navais individuais que constroem sob encomenda projetos próprios ou de terceiros

O construtor naval Gaudêncio e seus filhos constroem atualmente os catamarans denominados Pérola38, como o nome diz de 38 pés de comprimento. A meu ver são os que conseguiram o melhor leiaute interno. No entanto, o estaleiro não tem evoluído nas técnicas construtivas construindo seus barcos utilizando a metodologia strip-planking para as obras vivas (embaixo da linha d'água) e chapas de compensado naval fibradas nas demais partes e mastros de madeira. Também, considerei que as modificações são introduzidas mediante cópia de outros modelos, sem nenhum estudo mais aprofundado do resultado em termos de navegabilidade, confiabilidade e até segurança. Durante nossa visita haviam quatro Pérolas38 em construção.

Pérolas38 em construção no Estaleiro Gaudêncio

Os Pérola38 tem as "bananas" mais largas

O Estaleiro Maramar Náutica é o que possui maior estrutura em instalações. Fabrica os modelos Praia nos tamanhos de 28, 30 e 47 pés e, agora, também um modelo de 34 pés derivado do sucesso de vendas Praia30. Bem organizado, com uma boa estrutura administrativa encontramos em construção dois Praia47, sendo um sem velas para charter, e o outro o barco do velejador Fernando Previdi e mais dois Praia30. Os barcos são construidos em fibra de vidro com espuma de Divinycell a partir de moldes (formas). O estaleiro fabrica ainda embarcações à motor.

 Praia30 em fase final, na Maramar Náutica

O gigante Praia47 em construção, na Maramar

O terceiro estaleiro é o Bate Vento Sailmaker & Catamarans, do velejador e construtor naval Sérgio Marques. Sem dúvida é o de maior avanço técnico e o que "puxa" o desenvolvimento deste segmento. O estaleiro, que também tem uma veleria, começou com a linha Taaroa e um modelo de 7,50 m. Hoje produz a linha BV com modelos de 26, 36, 43 e, em lançamento, um 45 pés com fly. A Bate Vento utiliza moldes para a construção em fibra de vidro com espuma de Divinycell, técnica na qual Sérgio é mestre obtendo barcos fortes, confiáveis e com baixo peso relativo. No dia seguinte a nossa chegada colocaram na água o BV36 Papangu, que vai para Recife, e tinha no estaleiro um 36 só a motor e quatro 43 em construção.

Um BV43 em construção, no estaleiro Bate Vento

Formas dos diversos modelos, no Bate Vento

 No interior de um BV43

Nos estaleiros mannhenses a construção  é totalmente artesanal e cada unidade fica diferente da outra, principalmente no seu interior, pois é praxe a customização das unidades por seus proprietários, que em alguns caos fazem as vezes até de projetistas. Outro fato que me chamou a atenção, apesar da grande quantidade de embarcações em fabricação (para os padrões brasileiros) leva-se de 1 a 1,5 ano para a entrega de um barco.
 
Mais imagens aqui. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

12ª Regata Mormaii

A Regata Mormaii já é tradicional na Copa Veleiros da Ilha de Oceano. Normalmente disputada em Novembro neste ano ocorreu no sábado (05/10), valida pela 6ª etapa, com percurso de 30 mn deste o trapiche da Avenida Beira Mar Norte até a Praia de Bombinhas. Dia bonito e ensolarado com ventos do quadrante Sul de inicio com 10-14 nós, mais fracos após a Ponta de Jurerê e da metade em diante, já em mar aberto crescendo de 16 até 24 nós e ondas de até 2 m. 

 Logo após a largada

Acostumado que em todas as regatas que passam pela Baía Norte deixa-se a Ilha de Ratones Grande por Boreste segui por ali, mesmo ficando com pouco vento na sombra da ilha. Esta regra é colocada para não dar vantagem aos barcos de quilha retrátil que cortam caminho por cima da Banco da Daniela. Mas desta vez o Aviso de Regatas foi omisso e a maioria dos competidores deixou a ilha por Bombordo...

Durante a regata

Estávamos com a tripulação reduzida, somente quatro (Jorge Calliari, Érico Couto Jr., Leone Martins Jr. e Eu), e sem proeiro numa regata com muito vento de popa. A maioria da flotilha optou por seguir junto a costa enquanto nós optamos por orçar para fora arribando mais tarde para contornar a Ponta das Bombas, o que se revelou acertado quando o vento cresceu e passamos a andar mais rápido que todos os que navegavam grudados na costa. Infelizmente, o vento e o mar cresceram demais e pelo nosso través nos obrigando a arribar antes da hora e baixar o balão.


Já dentro da Enseada de Bombinhas (Foto de Cris Pessini)
 
Mesmo assim, concluímos a regata em primeiro na classe RGS Cruzeiro com o tempo de 05:07:38h, ficando em 2º lugar entre os 8 inscritos da classe. A premiação e confraternização aconteceram no Recanto do Marujo, a beira mar, num lindo final de tarde. Ótima regata, boa organização da Vice-Comodoria de Eventos do Veleiros da Ilha e calorosa recepção pela Secretaria de Esportes do Município de Bombinhas.


Local da premiação e confraternização

Jorge e Érico voltaram por terra. Leone e Eu dormimos a bordo, ancorados na Praia da Sepultura, e retornamos com o Tinguá no domingo cedo, com muito vento Sul pela proa.

Clip do esportesdomar.com.br
 
Mais imagens aqui e ali.
(Atualizado em 10/10/13 17:34) 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Os Catamarans do Maranhão

Os catamarans chegaram ao Maranhão na década de 60, do século passado, com Manuel "Português" que veio para lá numa dessas embarcações de sua fabricação, chamada Taaroa. Razão pela qual taaroa é usado como sinônimo de catamaran no Maranhão. Pois bem, Manélis, como é conhecido por lá, passou a velejar com seu catamaran e construir outros a semelhança ao longo do litoral maranhense. As principais características destes barcos eram os cacos em "V", revestidos com compensado naval, vigas maciças de madeira dura, envergando um mastro de madeira, geralmente bem alto, com velas de algodão ou algum brim, tipo Terbrim.


Alguns catamarans produzidos no Maranhão, na Ponta da Areia, São Luís

Lá as marés apresentam as maiores oscilações do país, chegando a variações de seis a oito metros e atingindo, às vezes, centenas de metros de recuo nas praias. Tal fato proporciona mudanças fantásticas nas paisagens, com rios e igarapés que secam completamente ou ficam com poucas dezenas de centímetros de lâmina d'água. Por isso os catamarans ganharam força na região. Os multicasco suportam esta situação de enchentes e vazantes com tanta frequência e navegam em aguas rasas. Um monocasco tradicional de quilha pode ficar comprometido ao tombar toda vez que a maré seca, além do incomodo e dos riscos desnecessários que o catamaran supera claramente por causa de sua estrutura.

De tal modo que a construção de multicascos prosperou na região. O Maranhão já possuia uma tradição na costrução naval de embarcações de madeira como canoas, escunas e as chamadas Costeiras, muito utilizadas na região no transporte de pessoas e mercadorias. Ainda hoje, estima-se em cerca de 550 os carpinteiros navais no estado. São em geral pouco letrados e aprenderam o ofício com os mais velhos, mas constroem embarcações de excelente navegabilidade. A construção dos multicascos foi sendo aperfeiçoada por estudos autodidatas, experimentações, "fazendo besteiras e depois corrigindo" como o próprio Manélis conta. Ficou famosa na região a frase do mestre carpinteiro Pedro Alcântara,  já falecido: " O barco é feito assim todo torto para andar direito na água".


Uma Costeira maranhense

Hoje se produzem catamarans com técnicas mais apuradas e modernas e características próprias que lhes conferem excelente desempenho nas condições meteorológicas da região, como em nenhum outro local do Brasil.

BV36 um dos modernos cataramans produzidos no Maranhão