segunda-feira, 15 de maio de 2017

Bate e Volta a Ábacos, Bahamas - Parte 2

(Vide a Parte 1 aqui)

Nesta época, primavera lá e já com horário de verão (eles seguem os EUA), o dia escurece após às 19:30h. Antecipamos nosso roteiro e fomos dormir numa ancoragem em frente a New Plymouth, a maior vila de Green Turtle Cay distante 14,8 mn. Colocamos o dingue na água e fomos em terra fazer um reconhecimento. No dia seguinte, depois do café, fomos explorar a ilha. Nesta e nas duas próximas ilhas que conhecemos as vilas principais ficam em baías ou sounds bem protegidos, mas é proibido ancorar nelas. Só em marinas ou poitas pagas. No entanto, as ancoragens próximas a estes locais foram muito tranquilas com os ventos de quadrante leste. Outra característica é que o meio de transporte principal são go karts (os carrinhos de golf) elétricos ou a combustão. As estradas são estreitas e automóveis só os de serviço e alguns poucos pequenos. Toda casa tem seu go kart na frente. Alugamos um com capacidade para nós quatro por $43 o dia (não faziam por períodos menores) e percorremos toda a ilha.


Ancoragem em frente a New Plymount, Green Turtle Cay 

Por do Sol na ancoragem de Green Turtle Cay 

No pier público 

New Plymount às margens da baía interna

Uma das praias do lado de fora (Norte)


 Black Sound onde ficam os barcos e marinas


Barco que abastece as ilhas

A primeira parada foi na BTC, a companhia telefonica das Bahamas, para comprar um chip, que não havia à venda em Spanish Cay. Já eram dois dias sem ineternet e o Zany que não larga do WhatsApp (até ganhou o apelido de PicaPau), estava quase em crise de abstinência. O chip com plano de 2 GB de dados mais voz e mensagens custou $27 e a qualidade é boa e o alcance excelente, em geral melhor do que numa cidade como Florianópolis.

Por volta de meio dia zarpamos rumo ao próximo destino Great Guana Cay a 10,5 mn, enquanto Zany iniciava o preparo do almoço. Neste trecho, devido a um shifting Sand (banco de areia), saímos para o mar aberto pelo Whale Cay Channel para logo em seguida retornar. Antes de retornar para as águas internas o sensor de temperatura do motor de bombordo apitou, constatei pouca saída de água e imediatamente o desliguei. Ao invés de pararmos em Great Guana ancoramos em frente na pequena e desabitada Spoil Cay, bem próximo a uma praia com cerca de 1,4 m de profundidade. Além de resolvermos o problema do motor eu queria trocar os anodos da rabeta. O dia estava ensolarado, tomamos banho, almoçamos, descansamos e, então, trabalho. Vimos que o problema do motor era o rotor da bomba d'água, como imaginamos. Enquanto o Júnior trocava o rotor eu montei um sistema com compressor 12 V e dois reguladores que tenho para trocar os anodos. Apesar da água transparente e da baixa profundidade foi mais difícil que da outra vez pois havia muita corrente. Trabalho feito rumamos para Man-O-War Cay a outras 10 mn de distância. Ancoramos numa baía mais aberta e tranquila a menos de uma milha da entrada do porto, já escuro.


Great Guana Cay e Spoil Cay 

Spoil Cay

Dia seguinte mudamos a ancoragem para a entrada do porto e descemos em terra. Alugamos um go kart, desta vez por $30 por 6 horas, e fomos conhecer a ilha. O diferencial desta ilha é a tradição na construção e reparo de barcos, de fibra ou madeira. São muitos pequenos estaleiros localizados a beira d'água. Depois de conhecermos a ilha rumamos para o próximo destino, Hope Town em Elbow Cay a somente 3,5 mn. Ancoramos bem na entrada do sound da cidade em frente ao farol. O nome do cay é significativo pois é aqui que a cadeia de ilhas vira em direção ao Sul.


Man-O-War Cay e nossas ancoragens

O porto de Man-O-War

Tradição na construção de barcos

TinguaCat ancorado junto a entrada do porto 

Bom lugar para o "descanso eterno" 

Lignum Vitae a árvore nacional das Bahamas 

Albury Sail Shop, famosa loja e fábrica de artesanato

Hope Town foi o lugar que mais gostamos nesta região. É pouco mais que uma vila com casas pequenas e coloridas agrupadas em pequenas ruelas com muitas lojinhas, bares e restaurantes, nas margens do sound cheio de barcos de um lado e com praias do outro, tudo com muito bom gosto e gente de muitos lugares. Ali também tem os go karts mas o transporte dominante é a bicicleta. A cidade também oferece dois piers públicos, o que não tinha em Man-O-War.


Elbow Cay onde está Hope Town


O farol na entrada do harbour de Hope Town

 Hope Town Harbour



Veja o detalhe dos abacaxis nas janelas do sótão



No sábado (29/04) depois do café da manhã rumamos para Marsh Harbour distante 7,5 mn. Como mudamos o rumo para SW e S e o vento E era de 15-16 nós fomos velejando. O porto fica numa enseada maior, com permissão para ancorar, onde ficam quatro marinas de bom tamanho, que servem também de base para as empresas de charter (The Moorings, Sunsail e Dream Yachts). Fomos direto na Conch Marina completar os tanques de diesel antes de ancorarmos. Marsh Harbour é a principal cidade de Ábacos e a terceira maior das Bahamas, mas não passa de uns 7.000 habitantes. Uma cidade normal que tem aeroporto internacional com voos para Nassau e os Estados Unidos e um bom comércio, com mercados de bom tamanho e nível e preços um pouco melhores do que nas outras ilhas. E dela que parte o abastecimento para as demais ilhas da região. No entanto, a cidade em si é sem graça, suja e com mais pobreza. Salvam-se as praias voltadas para o outro lado da peninsula em que esta situada, na Great Ábacos Island. Tem inclusive um grande resort com uma boa marina, mas pelo que vimos os turistas não costumam permanecer por ali. É apenas um lugar de chegada e saída e de abastecimento, notadamente para o pessoal que se utiliza de embarcações. Fizemos um tour pela cidade contratando um táxi por $40 a hora. Ali não tem os go karts.


 Marsh Harbour e a nossa ancoragem

TinguaCat visto da Harbour View Marina 

Experimentando Conch a vinagrete, um caracol típico do Caribe

Pelo desejo da tripulação, antecipamos nosso retorno para o domingo (30/04). Zarpamos da ancoragem em Marsh Harbour às 07:15h com o vento E mais forte, na casa dos 20 nós, mas agora de popa até em casa. Foi uma ótima velejada com os ventos E e SE variando entre 18-24 nós (rajadas de até 29 nós), com um pequeno período de ventos fracos, com todas as velas em cima não precisamos usar o motor. Voltamos a pescar e logo fisgamos uma boa Barracuda que foi solta. Estávamos na região de corais e não quis arriscar, pois as Barracudas comem peixes pequenos que se alimentam nos corais e concentram a toxina Ciguatoxina em seu organismo, a qual causa a Ciguatera uma intoxicação alimentar bem complicada.  Não matamos mais nada. Ao cair da noite quando recolhemos a linha vimos que não havia mais isca, a linha estava rompida provavelmente pela mordida de algum peixe. Perdemos nossa isca matadora que brincávamos era especial por que tinha o anzol enferrujado.


A Barracuda que soltamos 

Entramos na boa barra de Fort Pierce, com vento de 24 nós e bastante corrente, e ancoramos em frente a uma praia próxima às 11:15h. Foram 28h para as 205 mn, uma boa média de 7,3 nós. Já ancorados liguei para um 0800 do Custons and Border Protector (CBP), a aduana americana. Ao adentrar os EUA a embarcação deve informar sua chegada e os seus dados e da tripulação através deste 0800. Você recebe um protocolo que deverá ser informado em um escritório do CBP em até 24h para concluir os trâmites. Depois de almoçar rumamos para a marina, distante menos de milha. E aí foi a faina, agora para deixar o barco por mais alguns meses.


Barra de Fort Pierce

Fort Pierce Inlet com a ancoragem da chegada e a Harbortown Marina

Terminamos pela metade da manhã de terça feira (02/05), pegamos o carro na locadora e saímos com a bagagem toda para Boca Ratón. Na saída passamos no aeroporto de Fort Pierce para concluir a entrada no país. Em Boca ficamos na casa do amigo John Vieira, gastando o tempo e os dolares nas compras. Retornamos do aeroporto de Miami na sexta feira de manhã.



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