sexta-feira, 12 de maio de 2017

Bate e Volta a Ábacos, Bahamas - Parte 1

Desembarcamos em Miami, antes das 6h da manhã de domingo (23/04), Idelfonso Witolaswski JÚNIOR, ZANY Leite e Eu. SAUL Capella o outro tripulante estava em outro vôo e só chegaria por volta de meio dia. Pegamos o carro alugado e fomos para as lojas náuticas de Fort Lauderdale, todas abertas  no domingo. Nos encontramos com Saul e o amigo John Vieira no Restaurante Picanha Brasil, em Boca Raton, para almoçar. Depois seguimos para a Harbortown Marina em Fort Pierce onde o TinguaCat estava, cerca de 120 km mais ao Norte. O objetivo uma navegada na região de Ábacos, nas Bahamas.

Segunda feira foi dia de faina no barco para toda a tripulação. Lavagem externa, limpeza interna, ajuste das inúmeras coisas que precisam ser alteradas para deixar o barco por longos períodos, ida ao mercado fazer as compras para a travessia. Júnior ainda subiu no mastro para verificar as adriças que estavam muito pesadas. Elas estavam entrelaçadas nas polias do topo do mastro. No final do dia ainda fomos até Vero Beach, distante uns 28 km mais ao Norte, com melhor comércio e um outlet para os "meninos" irem as compras. Na terça-feira (25/04) depois de devolver o carro, encher 4 camburões de 5 galões de diesel (já tínhamos os 2 tanques de 100 litros e 2 camburões cheios) e fazer os últimos ajustes zarpamos da marina às 11:30h.


Júnior no topo do mastro, na Harbortown Marina 

Manatees na marina 

Tripulação pronta para zarpar

Tudo é muito caro nas Bahamas então leva-se tudo que for de comer e beber e o máximo de diesel possível. O mesmo pacote de pão de $2,99 no Walmart custa mais de $8 lá, por exemplo. Um pacote de 24 latas de cerveja nos Estados Unidos que compramos por $19 sai $62 num distribuidor nas Bahamas, nos bares e restaurantes $6 ou mais a lata ou long neck. O diesel que pagamos $2,80/gl na marina (não é a mais barata) fica por não menos de $4,30/gl.

As previsões eram de ventos Oeste (W) em torno de 15 nós, portanto pela popa pois seguiríamos um rumo de Oeste para Leste (E). Mas durou muito pouco. Poucas milhas após a barra ele enfraqueceu e entrou de Leste, pela proa portanto. Leste e Sudeste (SE) é o vento predominante na região e assim foi durante toda a nossa navegada. Fomos com ele pela proa até a última ilha que visitamos, na média nos arredores de 15 nós com períodos menores e outros maiores. Velejamos apenas pequenos trechos quando o rumo era mais para o Norte (N). O TinguaCat nunca "bebeu" tanto diesel. O Little Bahamas Bank fica a cerca de 60 mn da costa da Florida e no caminho atravessamos a poderosa Corrente do Golfo. Na minha outra ida as Bahamas (veja iniciando por este post http://veleirotingua.blogspot.com.br/2016/01/chegamos-nas-bahamas.html) nosso destino foi a cadeia de ilhas de Exumas e atravessamos o Great Bahamas Bank, mais ao Sul. O Little Bank tem profundidades melhores do que o Great (os nomes referem-se ao tamanho, não as profundidades) em geral entre 4 e 5 m. Nas rotas de navegação, naturalmente.


Uma visão geral da rota percorrida

Se motorávamos com a mestra em cima e pouca ajuda do vento, na pescaria foi só alegria. Com menos de 2h da linha na água pegamos o primeiro Bonito, que é uma espécie de Atum pequeno. Minutos depois outro de maior tamanho. No inicio da quarta feira (26/04) logo após colocar a linha na água fisgamos um lindo Red Snapper (no Brasil conhecido por Cióba), com uns 5 a 7 kg. Os Bonitos renderam três shashimis e o Snapper um dos filés ao forno e uma moqueca com o outro filé e postas das proximidades da cabeça. Os sashimis foram preparados pelo Júnior que foi quem tirou os peixes da água, mas a cozinha ficou a cargo do Zany.


O primeiro Bonito, o menor 

O Red Snapper 

Filé do Snapper no forno 

Sashimi de atum

Por do sol na travessia 

Amanhecer na travessia

Ábacos, como de resto a maioria das regiões das Bahamas, é um conjunto de pequenas ilhas baixas de areia sobre um recife de coral, conhecidas por cay (pronuncia-se key). Fica no Little Bahamas Bank e é formada por uma cadeia de cays protegidas por arrecifes ao Norte e Leste e duas ilhas grandes ao Sul (as Great e Little Ábacos Islands). Entre elas a a continuação do Little Bank. O mar é transparente com fundo de areais claras e restos de corais, muitas vezes com uma gramínea característica, e baixas profundidades. Vista de longe a água apresenta vários tons de azuis, tanto mais claros quanto menor a profundidade. É uma das regiões mais procuradas por navegadores americanos e canadenses em sua maioria, mas encontramos alemães, franceses, suíços, italianos e até o catamaran brasileiro Itacaré.


Os vários tons de azul da água 

Uma visão de Ábacos, com a marcação em Spanish Cay 

Itacaré, de um casal brasileiro com dois meninos, em Green Turtle Cay

Chegamos em Spanish Cay a primeira ilha com custons às 14:45h, portanto 27h15m para as 150 mn, uma média bem baixa. A intenção era de ficar na Spanish Cay Marina, na qual atendia o simpático oficial da aduana, mas a pedida de $110 dolares mais impostos por uma noite e uma única lancha na marina nos fizeram desistir. Morremos com $53 e centavos para a marina pela parada de cerca de uma hora para fazer a entrada e mais $320 para o Governo das Bahamas. São $300 dolares com direito a 3 tripulantes pelo barco no nosso tamanho pelas licenças de cruzeiro e pesca e mais $20 pelo quarto tripulante. Sendo que as licenças valem por 90 dias se sair e voltar para lá ou um ano se o barco permanecer lá todo período. O dolar local é 1:1 com o americano. Não é preciso trocar moeda pois o dolar americano é aceito em qualquer lugar.


Velejando no Little Bahamas Bank
(Continua na parte 2)

Nenhum comentário: