terça-feira, 10 de abril de 2018

Conhecendo o Tingua2

O Tingua2 como vocês sabem é um novissimo Neomarine HS38. Resultado da iniciativa de alguns velejadores aqui de Florianópolis, liderados pelo construtor e velejador Alexandre Meinecke e o Comdte. Celso Muller de Farias, é um projeto totalmente novo (veja aqui como tudo começou). Foi pensado, projetado e construído para ser um veleiro cruiser-racer moderno, inovador, versátil, rápido e confortável. Sendo um projeto novo e diferente a medida que vamos conhecendo-o encontramos maneiras de melhorar algum detalhe ou desenvolver e acrescer novas coisas. Mesmo o Tingua2 estando à venda não deixamos de melhorá-lo e equipá-lo ainda mais.



Uma ótima maneira de conhecer com maior rapidez um veleiro e testar seu desempenho são as regatas. Sendo assim participamos nos últimos dias de duas regatas, as duas primeiras etapas da Copa Veleiros da Ilha de Veleiros de Oceano 2018, organizadas pelo ICSC - Veleiros da Ilha, a Regata Fortalezas em 03/03 e a Regata Cidade de Florianópolis em 24/03. Sem a preocupação principal da competição nos inscrevemos na classe Bico de Proa e fizemos questão de utilizar o barco em condições normais de uso, isto é com todos os seus equipamentos e acessórios, tanques com bastante água e diesel, não retiramos um prato se quer. Nestas duas regatas tivemos ventos fortes e pudemos comprovar as excelentes condições marinheiras do Neomarine38, como o perfeito desempenho no contra vento, com ótimas orça e velocidade, a firmeza do barco, a manobrabilidade. E não quebramos nada no barco.

Foram dois primeiros, aqui na premiação da Regata Fortalezas

quarta-feira, 7 de março de 2018

A Volta

Dizem que não se deve zarpar em uma sexta feira, mas já o fizemos muitas vezes e desta vez a velejada foi maravilhosa. O vento ainda estava NE na casa dos 20 nós e iria rondar para E e diminuir para 12-15 nós perto do final do dia. E assim foi. Com todas as velas em cima e mar com pequenas marolas foi “morro abaixo” navegando numa média em torno de 8 nós. Devido as condições do Atlântico, com ondas maiores e curtas nestes dias, ao invés de retornarmos por Marathon pegando o Hawk Channel (Atlântico) optamos por descer junto a costa do Everglades, seguir pela Florida Bay e pegar a ICW (Intracoastal Waterway) na altura de Peterson Key e dali seguir a mesma rota de quando descemos de Miami. Como as boias das armadilhas de caranguejos não nos permitem navegar à noite programamos o pernoite no East Cape já no final do Everglades, num trajeto novamente mais longo, de umas 75 mn. Dia seguinte saímos cedo novamente e fomos dormir ancorados no Blackwater Sound, próximo ao Jewfish River, em mais umas 48 mn feitas com todos os panos, enquanto foi possível utilizar a vela de proa, com vento Leste sempre acima dos 12 nós, com períodos chegando aos 18-19.

Rota da volta

"Ladeira a baixo" 

Amanhecer na ancoragem no East Cape 

Cruzando com outros veleiros na Florida Bay

Cut interligando os sounds de Tarpon e Blackwater

No domingo (21/11) fizemos as últimas 42 mn até Miami, ainda com bom vento E. Deixamos a ancoragem depois das 8h e paramos logo em seguida na Gilbert’s Marina para completar os tanques de diesel e água. Desta vez optamos por ficar numa poita da Dinner Key Marina no charmoso bairro de Coconut Grove, onde chegamos antes das 15h.  A Dinner Key pertence a municipalidade de Miami, tem ótimas instalações, mais de 200 poitas a $25 o  pernoite. O único senão é não ter internet nas poitas. Nestes dias a Dinner Key estava sediando a etapa de Miami da WorldCup de vela.  Centenas de barcos das várias classes monotipo treinando ou fazendo as regatas classificatórias, sendo que as regatas finais ocorreriam de 26 a 29 de janeiro.


Chegando na Dinner Key Marina 

Por do Sol na Dinner Key 

Coconut Grove 

Os monotipos no Regata Park, na Dinner Key Marina 

Um Nacra17 saindo para treinar


 Equipe japonesa de Prancha a Vela

Queríamos ficar mais alguns dias em Miami, mas o tempo não nos ajudou. Na quarta feira entrava vento N na casa dos 20 nós o que seria pela proa no trecho pelo Atlântico entre Miami e Palm Beach, além de ondas maiores, girando para NE e E nos cinco dias seguintes sempre na casa dos 20 nós. Então deixamos a Dinner Key no final da tarde de segunda feira para dormir no Marine Stadium em Vitoria Key e assim ganhar uma hora, pois teríamos mais de 70 mn até o destino. Zarpamos às 6:30 h da terça feira (23/01) e pegamos um mar baixo mas com marolas curtas por boreste, o que no catamaran não é uma navegada das mais confortáveis. O vento era bom de SE (pela aleta de BE) de 16-18 nós. No entanto, durou só até umas 9:30h baixando para 8-10 nós e rodando mais para a popa deixando-nos sem genoa e tendo que ajudar com o motor. Nas proximidades da barra de Palm Beach o vento voltou a crescer e demandamos a barra com as velas e 22 nós de través. Ancoramos no nosso conhecido North Lake Worth por volta das 17h. Logo ao ancorar uma boa chuva para dessalgar o barco.


Partimos no dia seguinte cedo pela Intracoastal Waterway (ICW) para Vero Beach, cerca de 55 mn. Mesmo com vento Norte pela proa pois em Vero Beach estaríamos numa poita com mais proteção para os ventos fortes dos próximos dias e infra estrutura completa. Passamos alguns dias em Vero Beach, uma cidade que gostamos muito. No dia 01/02 fizemos as 12 mn até a Harbortown Marina em Fort Pierce onde deixamos o TinguaCat.

Na poita com um Lagoon "irmão"

Super Lua na ancoragem em Vero Beach 

Super Lua ao amanhecer

Manatee ao lado do barco, em Fort Pierce




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Costa do Golfo

Nesta temporada temos tido frentes frias fortes que provocam uma semana ou mais de ventos do quadrante Norte mais fortes. Nos dias de entrada da frente são acima dos 20 nós e não raro com rajadas acima dos 30 nós. Depois eles "estabilizam" numa faixa entre 16-23 nós. Mal havia terminado uma frente fria (que iniciou quando estávamos em Miami) quando chegamos em Marathon na sexta feira (05/01) e dia seguinte já entrou outra. Somente na quinta feira (11/01) o vento mudaria para Leste na casa dos 15 nós por apenas 2,5 dias. Aproveitando a janela resolvemos deixar Marathon na quinta com destino a Marco Island, logo após o Everglades, na Costa do Golfo da Florida.


Deixamos a poita perto das 07:30h da quinta feira (11/01) e paramos na Burdines Waterfront para completar os tanques de diesel e os de água. Em seguida seguimos para atravessar a Seven Mile Bridge para o lado interno, o do Golfo do México. Do outro lado seguimos no rumo da marca Green 15 da ICW e dali rumamos NNE até nossa ancoragem para pernoite na Ponce de Leon Bay no Everglades, num total de quase 70 mn, num dia ensolarado com vento Leste de 10-15 nós e mar liso. E muitas centenas de bóias de armadilhas de crabs exigindo atenção o tempo todo. Dia seguinte saímos cedo para completar as restantes 46 mn até Marco Island. Pouco vento pela manhã e ventos nas proximidades dos 20 nós com chuvas esparsas a partir das 12h. Barra bem sinalizada e fácil de demandar. Jogamos ancora na Factory Bay em Marco Island por volta das 15:30h.


Cruzando a Seven Mile Bridge do Atlântico para o Golfo do México

Campo minado, as bóias das armadilhas de caranguejos e lagostas

Ancoragem para pernoite na Ponce de Leon Bay, no Everglades 

Chegando na barra de Marco Island

Na ancoragem em Marco Island nossa antena BadBoy captava o wifi sem senha da Rose Marina ali próximo. Era na Rose Marina que deixávamos o dinghy quando íamos  em terra ao custo de $5 o dia. Conforme o previsto na metade da tarde de sábado a nova frente fria entrou com ventos N próximos dos 30 nós. Neste sábado aproveitamos meus pontos com a Enterprise Rent a Car e alugamos um carro para conhecer Marco Island e no domingo ir até o Everglades, a cerca de 40 km, fazer um passeio de airboat e ver os Alligators.  Vimos poucos no passeio, mas na volta, às margens da rodovia, havia dezenas aproveitando o Sol do dia frio. Fomos almoçar no recomendado City Seafood em Everglades City, uma pequena cidade incrustada no Everglades, para experimentar a carne deles.


Sunset na ancoragem na Factory Bay, Marco Island

Os Pelicanos estão em todos os lugares

Passeio de airboat no Everglades

Alligator no Wooten's, Everglades 

Filhote de alligator

Nosso desejo era navegar até a Baia de Tampa, mas o forte vento Norte destes dias nos impediram. Conseguimos conhecer Naples, Bonita Springs e Fort Myers. Na sequencia acima de Marco Island no rumo Norte. Ficamos apaixonados por Naples, uma cidade linda, ajardinada, limpa, organizada. Em Fort Myers fizemos uma visita interessante, a Edison and Ford Winter Estates. Trata-se das propriedades  vizinhas de veraneio de Thomás Edison e Henry Ford com museu, jardins e ainda o laboratório que Edison montou ali para pesquisar uma planta que pudesse produzir borracha nos EUA. Esta região da Costa do Golfo é conhecida por Paradise Coast e, nesta época do ano, é cheia dos "snow birds" como o pessoal chama os americanos do norte e canadenses que fogem do frio.




Algumas imagens de Naples 

A City Dock Marina de Naples, na Naples Bay, o lagoon interno

Praia no Golfo em Naples

Fort Myers Beach 

Pelicano no pier de Fort Myers Beach 

As casas de inverno de Edison e Ford

Estudando as previsões de tempo decidimos que era hora de iniciar o caminho de volta, para não corrermos o risco de ficarmos "presos" em Miami. Aproveitamos o último dia de vento do Norte e zarpamos de Marco Island no dia 19 de janeiro

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Florida Keys

As Florida Keys são um arquipélago composto por cerca de 1700 ilhas com início a cerca de 25 km a sudeste de Miami, estendendo-se ao longo de um suave arco, primeiro em direção sul-sudoeste, e depois em direção oeste, até Key West, a mais ocidental das ilhas habitadas, e as desabitadas Dry Tortugas. As ilhas perfilam-se ao longo do Estreito da Flórida, dividindo o Oceano Atlântico do Golfo do México, definindo desta forma uma das margens da Baía da Flórida. A ponta sul de Key West situa-se a apenas 157 km de Cuba. As Florida Keys são uma das áreas mais atingidas por furacões em todo o mundo, já que o arquipélago está localizado no centro da rota dos furacões que atingem  o sul dos Estados Unidos e o Caribe.



O recente furacão Irma, em setembro de 2017, atingiu fortemente a região, principalmente nas áreas de Marathon e Pine Key. Esta era uma preocupação nossa. Tínhamos planejado velejar na região nesta temporada antes do furacão e ficamos preocupados de como estaria a estrutura na região. Pelas informações que obtivemos a situação estaria praticamente normalizada. Verdade, nos surpreendemos com a recuperação. Vimos muitas marcas deixadas pelo Irma, como avarias em edificações, barcos e trailers destruídos, alguns comércios que não reabriram, entulhos amontoados em alguns lugares e muitos telhados em reconstrução. Mas, esperávamos por uma destruição muito maior. Key West não foi tão atingida como as noticias na TV nos fizeram crer e hoje tem poucas marcas da passagem do Irma.


Pequena marina destruída na entrada do Boot Key Harbor

Este veleiro que foi parar no pátio da marina, foi retirado na semana em que
lá estávamos 

Entulhos do Irma ainda não retirados

Estabelecemos nossa "base" no Boot Key Harbor, um lagoon protegido na cidade de Marathon, uma das mais conhecidas nas Florida Keys, que por sua vez fica na ilha chamada Vaca Key, a cerca de 50 milhas de Key West. Ali existem várias marinas, abastecimento de combustível e nas cercanias restaurantes, loja náutica,  a cerca de 1,3 km um mercado Publix, drogaria Walgreens e comércio variado. Ali está também a Boot Key Harbor City Marina, marina do município, que administra mais de 250 poitas. Por $22,5/dia ou $115/semana (mais 7,5% de imposto) com direito a bons chuveiros, lavanderia (coin laudry), dinghy dock, pumpout na poita e internet, mas esta só na sede da marina. Nos barcos nem com nossa antena BadBoy pega. A água como em todas as Keys é paga. Nas duas vezes em que completamos os tanques de combustível nas Keys pagamos $0,15/galão no Boot Key Harbor e depois em Key Largo um valor fixo de $10. 


TinguaCat na poita R9 no Boot Key Harbor 

Vista da ancoragem no Boot Key Harbor


A sede da marina com o imenso dinghy dock

Fomos a Key West, que já conhecíamos de alguns anos atrás, de onibus ($8 ida e volta, idoso paga $2) e fizemos alguns outros poucos passeios. Pegamos alguns dias mais frios com fortes ventos de Norte de modo que a badalada Sombrero Beach ali perto só conhecemos de dinghy atravessando do lagoon para o mar pelo Sister Creek, que aliás é perfeitamente navegável por até 1,80 m de calado, encurtando o caminho de entrada para quem vem do Norte. Recomendamos comer o Reuben Lobster um sandwich delicioso com muita lagosta no restaurante da Keys Fisheries (uma espécie de cooperativa de pescadores), bem perto da marina.


Museu de Arte e História, em Key West 

Bares e restaurantes na Duval Street, uma das principais atrações de Key West 

A Sombrero Beach, em Marathon


O sandwich de lagosta

Milhares de armadilhas de apanhar lobsters e crabs nas
proximidades da cooperativa de pescadores 

Uma armadilha

Talvez pelo clima que este ano está com seguidas e fortes frentes frias, mas esperávamos mais das Florida Keys para um cruzeiro de barco. Até a decantada Baía Honda, ali ao lado de Marathon, não empolgou. O decantado Caribe Americano ficou aquém das nossas espectativas. Mas, de verdade, esperávamos mais praias e pontos de mergulho, semelhante ao Caribe, e eles são poucos. O que predomina são os manguezais (mangrove). Por outro lado, há muita água para se navegar, mesmo que em sua maioria rasas o que limita para barcos a vela. A estrutura náutica, como de resto em todo os Estados Unidos, é boa e variada. Outro fato é que tudo nas Keys é mais caro que o normal, inclusive em Marathon existe uma taxa extra de 2,15% sobre as compras com cartão de crédito.

Em compensação o Por do Sol eram sempre maravilhosos: