domingo, 16 de outubro de 2016

O Primeiro Furacão

No início da semana passada começamos a ficar apreensivos com a trajetória do furacão Matthew, que estava sendo "empurrado" por outro furacão o Nicole para a Costa Leste da Florida a partir da sua região central.  Como dito aqui o TinguaCat esta na St. Augustine Marine Center, na cidade de mesmo nome bem no norte da Florida, uma região muito pouco afeita a furacões.

Os dias foram passando e as previsões se confirmando até que no final da manhã de sexta feira (07/10) o Matthew, um furacão de categoria 4, atingiu St. Augustine, com muito vento e chuvas que provocaram inundações na histórica cidade. O TinguaCat estava em terra preso por cintas, as hurricane straps, e lá também estava o Bulimundu, do amigo John Vieira, mas só conseguimos ter notícias na segunda feira quando a marina nos informou que os barcos estavam bem. Um grande alívio mas ainda ficavam muitas dúvidas: Algum destroço levado pelo vento poderia ter danificado alguma coisa? Será que o sensor de vento aquentou? E as placas solares que são móveis? E o dingue?

Estas perguntas só foram respondidas hoje quando estivemos na marina e encontrei o TinguaCat em perfeito estado, sem nenhum arranhão, com tudo em seu lugar, nem mesmo as capinhas das catracas foram perdidas. Muito bom! O Bulimundu também não sofreu nenhum dano.

TnguaCat em perfeito estado

Mas o Matthew não foi fraco, não. Houve inundação na área da marina e vários dos galpões sofreram estragos, principalmente nos telhados. Em outras marinas da região também ocorreram muitos problemas, em especial com barcos que ficaram em piers com mais de dez veleiros afundados.

E a cerca da marina virou rede... (Foto de Zack van der Berg)






Estragos na marina municipal, no centro da cidade

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Eleições no Veleiros da Ilha

Como tradicionalmente acontece no mês de Agosto a cada dois anos, no sábado dia 6 tivemos concorridas eleições no meu clube náutico, o ICSC-Veleiros da Ilha. Só que desta vez havia novidades. Conforme estipulado pelo novo estatuto do clube, aprovado em Novembro de 2015, as eleições não serão mais em chapa única. Objetivando dar independência aos Conselho Deliberativo e Fiscal os membros destes dois conselhos passam a ser eleitos por votação individual. Sou membro do atual Conselho Fiscal e desta vez me candidatei ao Conselho Deliberativo e tive a honra de ser um dos eleitos, para o biênio 2016-2018. O Comodoro Alexandre Back e seus Vice-Comodoros foram reeleitos para mais um mandato de 2 anos.



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Conheça o Aventura

Como já contei aqui, participei da última Semana de Vela de Ilhabela na tripulação do veleiro Aventura, do Comandante José Guilherme Bastiani, o Chicão, competindo na classe Clássicos. Foi a segunda vez que o evento de Ilhabela contou com os clássicos em uma classe própria. Nos últimos anos tem havido um interesse maior no Brasil por estes veleiros. De tal modo, que vários veleiros legendários tem sido recuperados do abandono e restaurados, exemplo de alguns classe Brasil. Houve uma organização por parte dos proprietários destes barcos que criaram uma associação (https://www.facebook.com/abvclass/) e um calendário de eventos, notadamente regatas, onde se destaca a regata de clássicos de Búzios, disputada no final de novembro de cada ano.

Velejar num veleiro clássico, como o Aventura, é bastante diferente. Quer pelos conceitos de construção, como armação e quilha por exemplo, quer pelos equipamentos e ferragens. No Aventura não há self tailing nas catracas, stoppers ou mordedores. Mesmo deslocando cerca do dobro de um veleiro moderno de mesmas dimensões ele tem bom desempenho no través e nos ventos médios em diante e é bastante seco para seu perfil baixo.

O Aventura é um projeto de muito sucesso do famoso escritório naval norte americano Sparkman & Stephens. É o desenho 1054, conhecido por Finisterre (nome do primeiro barco construído), um yawl centerboard de 38' 8" (um 12 m). Foi construído em Porto Alegre entre 1955 e 1957 pelo competente engenheiro naval alemão Robert Funk, todo em madeira (como Cedro Rosa e Cabreúva), inclusive os mastros,  para o jornalista Breno Caldas. Conheça mais deste verdadeiro clássico da vela brasileira nestes links:

http://sparkmanstephens.blogspot.com.br/2011/03/design-1054-finisterre.html

http://sparkmanstephens.blogspot.com.br/2011/06/design-1198-aventura.html

http://www.sparkmanstephens.info/doc/xxxxxm2FgKofLBMqvVwg1wx5arXyMH2Y.pdf

http://www.popa.com.br/docs/cronicas/aventura.htm

Um vídeo para conhecer mais do Aventura:



A seguir várias fotos do Aventura, na Semana de Vela de Ilhabela de 2016:

Foto: Instagram Hélio Viana 








terça-feira, 12 de julho de 2016

Voltando de Ilhabela no Terroso

Esta Semana de Vela de Ilhabela foi especial. Além da oportunidade de participar na tripulação do veleiro clássico Aventura, do Comte. José Guilherme Bastiani (Chicão), na ida de Florianópolis para lá levei o catamaran Lagoon450 (veja post aqui) do amigo e Cmte. Guilherme Stark Bernard. Para completar, tive a oportunidade de voltar também navegando. Foi no Terroso, um Carabelli53, do Comte. Carlos Augusto de Matos que disputou a classe IRC.

Terroso competindo na SVIlhabela, onde foi 3° na IRC A

O convite partiu do amigo e Comte. Saul Capella, responsável por trazer o veleirão de volta a Floripa. Na tripulação mais o amigo Thiago Farias e o Andreis Castro. Pena que com o pouco vento pudemos velejar poucas horas, Mas a travessia foi muito boa e rápida. Saímos do Yacht Clube de Ilhabela após a festividade de premiação, às 22:55h de sábado (09/07) e pegamos a poita do Terroso, na Sede Jurerê do ICSC-Veleiros da Ilha, às 08:20h de segunda feira (11/07). Foram 35:20h para as 280 milhas náuticas (cerca de 520 km).

Aproveitando o vento fraco com a genoa

Por do Sol no mar, sempre maravilhoso

Como em todas travessias que faço nesta região a visita dos golfinhos




segunda-feira, 11 de julho de 2016

43ª Semana de Vela de Ilhabela

Depois de três anos ausente voltei a disputar a Semana de Vela de Ilhabela, no período de 01 a 09/07, desta vez na tripulação do veleiro clássico Aventura, do comandante José Guilherme Bastiani, conhecido por Chicão. O Aventura é um yawl de 38 pés modelo Finisterre, projetado pelo famoso escritório naval Sparkman & Stephens, construido em 1957, do qual falarei mais num próximo post. Na tripulação, além do Comandante Chicão e Eu, o casal Hélio Viana e Mara Blumer, nossa proeira Renata Liu, Diogo Nunes e Antônio Felipe de Lima e Silva que revezou com José Ricardo Malheiros.


O Aventura na poita

Foram seis regatas, iniciando pela longa, a Regata Ilha de Toque Toque por Boreste, de 45 km. A qual não concluímos pala parada do vento, Depois fomos terceiros colocados em todas as outras, exceção da terceira regata onde nossa tática não funcionou e fomos os últimos. Uma alegria ter ido ao podium em Ilhabela mais uma vez com o terceiro lugar na classe Clássicos.

Aguardando a hora de largar 


Em plena regata 


Hora do lanche na Regata Ilha de Toque Toque (Foto de Hélio Viana)


Com a vela balão na regata


Ricardinho no tope do mastro do Aventura trocando a lâmpada de fundeio (Foto: Hélio Viana)



AriesIII, um lindo German Frers 43', vencedor da Clássicos, tripulado pelo casal e dois filhos



A tripulação depois da premiação. Hélio Viana está atrás do celular.

Navegar um veleiro clássico tem suas peculiaridades. O Aventura é todo em madeira, inclusive os mastros e os moitões, não tem  self tailing nas catracas, nem stoppers e mordedores, tem um segundo mastro na popa que usa uma vela chamada de mezena. Mas, mesmo com velas bastante usadas e cerca de 11.000 kg de deslocamento tem uma velocidade surpreendente.

Catracas do Aventura

A maior parte da tripulação ficou numa casa alugada, onde a Mara comandou alguns ótimos jantares, os cafés da manhã e os sanduíches nas regatas (sempre variando o recheio), contando com o auxílio da Renata. Vantagem de ter a presença feminina na tripulação. Mas o comandante salvou a ala masculina fazendo um ótimo churrasco.

Registro ainda a presença dos 8 veleiros do ICSC-VI que conquistaram os dois primeiros lugares no Campeonato Brasileiro e na Semana de Vela na classe C30, a mais competitiva. Mais um vice na RGS Geral e RGS C, terceiro na IRC A (com o Terroso). E no vencedor da classe ORC Geral o timoneiro e mais dois tripulantes também eram do Veleiros da Ilha. Além de outras colocações abaixo do podium.

Zeus Team, do Veleiros da Ilha, Campeão Brasileiro e Vice na Semana de Vela na C30

Foi uma semana excelente com dias lindos, nenhuma chuva, temperatura agradável em alguns dias e mais fria em outros, ventos fracos, médios e fortes. E a satisfação de estar outra vez em Ilhabela - um lugar que eu amo - cada dia mais bela e melhor. Agora com todos os ônibus do transporte coletivo novos, com wifi e ar condicionado e, em processo de instalação, transporte público marítimo e internet pública nos principais locais da cidade.

Caminhadas matinais pela linda orla de Ilhabela

Navio Escola Cisne Branco prestigiando o evento (Foto: organização)

sábado, 2 de julho de 2016

Levando o Bébé para Ilhabela

Estava programado para viajar para Ilhabela na sexta feira 01/07, para participar da Semana de Vela na tripulação do clássico Atrevida, do Comandante José Guilherme Bastiani (Chicão). Mas, no sábado 25/06 meu amigo Guilherme Bernard me ligou pedindo se podia levar seu catamaran Bébé III, um Lagoon450, junto com sua tripulação. Convite aceito, zarpamos da sede Jurerê do ICSC-Veleiros da Ilha às 18:45h da quarta feira (29/06). Na tripulação o Comandante Augusto Bruciapaglia e os marinheiros Fabricio Bueno e Cristian Rohden.

Tempo fechado, pouco vento, pouco mar 

Golfinhos na entrada do canal em Ilhabela


Conforme a previsão tivemos muito pouco vento, em geral contra, e mar baixo. Não vimos nem sol, nem lua, nem estrelas a travessia inteira. Pelo menos não pegamos nevoeiro nem chuva. E o barco se comportou maravilhosamente. Fizemos todo o trecho com a vela grande aberta no primeiro rizo e só conseguimos usar a genoa por umas 3 ou 4 horas. Encontramos vários grupos de pesqueiros arrastando rede, sempre a noite e por várias vezes fomos brindados pela companhia de golfinhos. Sempre sinal de boa sorte. A partir da metade da viagem diminuímos o ritmo para chegarmos de dia. Entramos no Canal de São Sebastião às 06:30h da manhã de sexta feira (01/07), 35:45h após a partida.

Veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, ancorado em frente ao clube em Ilhabela 

Bébé já na poita no YCI


sábado, 18 de junho de 2016

Visitando o TinguaCat

Estou nos Estados Unidos para uma pequena temporada de duas semanas, contando os dias de viagem. Preparação para a temporada de furacões, renovação de seguro, troca do bímini e muitas "coisitas más". Estou a bordo do barco que está no seco.


TinguaCat com os hurricane straps, para o caso de algum furacão

Na sexta feira (10/06), pela manhã, chegou aqui na marina o Bulimundu com o Comandante John Vieira e o Carlos "Portuga" Santos. Depois de ter saído do Brasil no final de 2010 e ter ficado pelo Caribe e América Central o Bulimundu veio para cá saindo de Varadero, em Cuba, fazendo escala em Bímini, nas Bahamas. Vai passar a temporada de furacões aqui na St. Augustine Marine Center também.

Linha de catamarans no South Field da marina

A St. Augustine Marine Center fica no San Sebastian River que é um afluente do Matanzas River, o rio principal que passa pelo downtown da cidade e desemboca no Oceano Atlântico. O San Sebastian é curto mas tem um bom calado e por isto possui em torno de oito marinas nas sua margens. 


Hidden Harbor Marina 

River's Edge Marina, ao fundo a St. Augustine Marine Center 

Hurricane Patty's um dos mais famosos bar de velejadores, as margens do San Sebastian

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Velejando com Propulsão Elétrica

São muitos os velejadores que sonham substituir seus motores diesel por motores elétricos, utilizando uma energia limpa, renovável e, mesmo a motor, navegando silenciosamente. Nada mais de motores barulhentos, sujos, com muita manutenção, carregando litros e litros de combustível inflamável. Podemos dizer que ainda é um sonho, só que agora o limite não é tão tecnológico mas mais financeiro. Já há sistemas de propulsão elétrica para veleiros sendo comercializados e barcos os utilizando normalmente, é verdade que a autonomia ainda deixa a desejar e, praticamente, exige um gerador AC diesel ou gasolina no sistema (o que não nos livra definitivamente do combustivel fóssil). Um exemplo é o catamaran Aventura33 Hybrid que já navega há mais de 3 anos com esta tecnologia, tendo percorrido mais de 7.000 milhas náuticas.


O Aventura33 Hybrid

Uma das empresas que se destacam na área, com sistemas voltados para veleiros, mono e multicascos, é a Oceanvolt com seu sistema SEA, que aqui são as inicias para Silente Electric Autonomy. É o sistema que equipa o Aventura33. Vale a pena dar uma passeada pelo site deles. Fiz um pedido de cotação para a instalação dos sistema num catamaran Lagoon380, como o TinguaCat, no site, e recebi uma educada resposta com mais informações mas ainda sem falar em valores. Eles devem ser altos mesmo...


Esquema para propulsão elétrica de um multicasco

O sistema SEA utiliza modernos e eficientes motores elétricos acoplados em saildrives (rabetas), que quando não em uso podem regenerar energia pelo deslocamento do barco navegando. O ponto fraco de todo sistema de propulsão elétrica é a autonomia, limitada pelas baterias. A Oceanvolt já utiliza baterias modernas de íons de Lítio que são menores, carregam mais rapidamente, duram muitos ciclos a mais e pesam bem menos do que as convencionais.

Outro fabricante que vem se destacando na propulsão elétrica náutica é a alemã Torqueedo, muito conhecida pelos pequenos motores de popa elétricos, mas que fabrica sistemas completos com motores inboard de 40 a 80 Hp equivalentes e uma saildrive de 40 HP para veleiros.



Catamaran com saildrive Torqueedo de 40 HP equivalentes

Como sabemos a tecnologia não para de avançar e os preços tendem a diminuir...quem sabe ainda navegaremos por estes mares utilizando somente energia limpa.

domingo, 12 de junho de 2016

Um Pequeno e Inteligente Catamaran

Outro dia descobri na revista Multihull um pequeno catamaran que achei fantástico. Trata-se do Aventura 33 um catamaran de apenas 9,98 m, com 5,30 m de boca (largura) e só 0,90 m de calado. E ele ainda é bonito com um design harmonioso e ergométrico, com muitas boas idéias, excelente aproveitamento de espaço, simples mas com bom acabamento. Também é muito flexível podendo ser produzido em versão hibrida com motores elétricos, com cana de leme ou roda, aberto, com 2 ou 3 cabines e com 1 ou 2 toilettes.





O Aventura33 é projeto francês produzido pela STGI Marine na Tunísia.  O site é http://www.aventura-catamarans.com. Mais detalhes da versão hybrid aquiAbaixo três vídeos sobre o barco.








terça-feira, 31 de maio de 2016

Encontro Nacional dos Velejadores

Na semana passada participei do XIV Encontro Nacional dos Velejadores, realizado pela ABVC, na Marina Bracuhy JL, em Angra dos Reis (RJ). Desta vez fui de carro com o Cmdte. José André Zanella. Viajamos no dia 23/05, numa viajem longa mas tranquila. Ficamos a bordo do Guga Buy, barco do Cmdte. Zanella que seu filho Eduardo já havia levado até lá na semana anterior.

 Bracuhy sempre lindo

Ruínas do antigo engenho no Bracuhy 

Chegando na Praia do Dentista, em dia para velejadores

O Encontro ocorreu entre os dias 26 e 28/05 com uma programação de palestras, oficinas e diversão. Entre as palestras a muito concorrida Volta a América do Sul, em que os Cmdtes. José e Eduardo Zanella contaram como foi esta incrível aventura (inclusive com o contorno e visita ao Cabo Horn) a bordo do Guga Buy, um veleiro normal de cruzeiro.

Local do encontro na Marina Bracuhy

Grade de Programação 

Palestra dos Zanellas

No encerramento show com a Banda do Cais, formada por velejadores