domingo, 24 de abril de 2011

De Novo: Um dia sim, um dia não

Depois de dias bons e bonitos nas duas últimas semanas, este Feriadão de páscoa foi um dia sim, um dia não. Isto é um dia de tempo ruim e o seguinte de tempo bom. A quinta-feira amanheceu com chuva e cara de inverno, mas a tarde estiou e aproveitei para levar o Tinguá para a sede Jurerê do Veleiros da Ilha, em solitário. Vento fraco norte, portanto na cara. Pela altura da Ponta de Jurerê virou NE e chegou aos 12-13 nós permitindo utilizar as velas no último trecho.

Ilha do Arvoredo na proa

A sexta-feira, conforme as previsões, amanheceu maravilhosa. Saímos cedo para a Ilha do Arvoredo. A família toda mais nossa sobrinha Nelci, que daqui há duas semanas se muda em definitivo para Montreal. A ida foi uma motorada, a princípio com uma leve brisa e depois com um NE de 8-10 nós. Além dos barcos das operadoras de mergulho encontramos três veleirões, creio que do Iate Clube de Porto Belo, dois Beneteau 50' e um Jeanneau 39i'. Mais tarde chegaram o Aysso e muitas lanchas.

Veleiros ancorados no Arvoredo

Fui fazer snorkel com meu filho Gabriel, mesmo a água não estando muito clara, mas retornamos em pouco tempo pois começamos a sentir coceiras pelo pescoço e rosto. Provavelmente causadas por uma espécie de água viva, que vista do barco parece um pequeno pedaço de sacola plástica boiando.

O Aysso iniciando seu retorno

No final da tarde retornamos numa velejada gostosa até a Praia do Tinguá, onde pernoitamos. Lá estavam o Revanche, Vento Solar, Longitude e Quintanares do clube, mais o Terral da Marina de Santo Antônio e um veleirão de nome Bellamore e inscrição de Itajaí. Fomos acompanhados por cerca de oito lanchas. Elas estão aprendendo a pernoitar também...

O tempo fechou novamente, tivemos algumas chuvas esparsas à noite, amanheceu fechado e carregado com nuvens de chuva, com a frente fria entrando antecipadamente. Tomamos o café da manhã e resolvemos antecipar nosso retorno. Deixei a esposa e sobrinha na sede de Jurerê para pegarem o carro e rumei para a sede centro com os filhos Gabriel e Rafael. Para não ser diferente com vento na cara muito fraco até as Ilhas Ratones onde cresceu até os 13 nós, estabilizando depois em 10-11 nós.

sábado, 16 de abril de 2011

Cadê os Bruma19?

A previsão era de ventos fracos de 3-4 nós, mas a 2ª etapa do Ranking de Minioceano 2011 da Avelisc, na Lagoa da Conceição, largou com NE de 8 nós. No inicio da segunda perna o NE caiu e rapidamente entrou um sul já com 8-9 nós, que permaneceu variando entre 8-12 nós.

Infelizmente na Bruma19 somente o Mutley foi para água. Há oito Bruma19 dentre os associados da Avelisc, mas infelizmente só o Mutley compareceu nesta etapa. Uma pena. Corro na classe desde 2006 e ela sempre foi das mais numerosas e sempre com o título disputado até a última etapa. Cadê vocês Imagine, Beagle, Koan, Maneiros, Endorfina, Teimoso, Kiwi...


Meu filho Gabriel (11 anos) que não gosta muito de disputar regatas foi meu companheiro nesta etapa e se saiu bem no comando da genoa. A minha maior satisfação foi, na volta a marina, ouvi-lo dizer que adorou.

domingo, 3 de abril de 2011

Domingão na Costa da Lagoa

Depois de muito tempo hoje tivemos um domingo maravilhoso. Um típico dia de outono em Florianópolis com céu limpo, temperatura amena e vento médio. Resolvemos ir para a Costa da Lagoa com o Mutley. Para quem não sabe a Costa da Lagoa é uma comunidade de pescadores situada nas encostas dos morros no fundo da Lagoa da Conceição, onde só se chega a pé (por trilhas) ou de barco. Depois da sua "descoberta" na década de 90 recebe muitos turistas em suas trilhas e principalmente em seus simples restaurantes de frutos do mar. Muitos "urbanos" construiram lá para morar ou veranear.

A localização da Costa da Lagoa

Pegamos o Mutley, na Marina Verde Mar, ao lado da entrada do Canal da Barra, e fomos velejando em "asa de pombo" aproveitando o gostoso sul de cerca de 7-9 nós, até o Restaurante Lagoa Azul, nosso velho conhecido. Mais tarde chegaram numa das baleeiras adaptadas para o transporte de passageiros minha filha, genro e os netos Isabella e Enzo.

No Mutley com os netos Isabella e Enzo

Depois do camarão a milanesa, iscas de Carapeba (estavam muito boas) e robalo grelhado - todos pescados nas proximidades - retornamos com mais uma tripulante (a Isabella) e agora com o vento contra na faixa dos 9-11 nós. Mas logo o vento caiu para menos de 7 nós e tivemos que ajudar com o valente Honda 2 hp para chegarmos na marina até as 18 horas.

O almoço no Lagoa Azul

O único senão do dia foi o congestionamento para voltar para casa. Levamos 1,5 hora da marina até o centrinho da Lagoa, coisa de meia dúzia de quilometros.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Regata Cidade de Florianópolis

Após um ano sem o Tinguá participar de nenhuma regata incentivei o Jorge a participarmos da Regata Cidade de Florianópolis. Uma regata festiva disputada no dia 23 de março aniversário da cidade. O Jorge anda numa carga muito grande de trabalho e a regata seria um bom "desestressante" (com quantos esses? bem, a palavra não existe mesmo...). O Tinguá pouco tem participado de regatas pois a classe BRA-RGS desestimula a participação de veleiros mais novos e modernos, mesmo que voltados primordialmente para o cruzeiro. No caso específico dos Skipper30 além da pesada penalidade pela idade ainda leva um aleatório 2% de acréscimo no seu tempo corrigido. A outra opção, a regra ORC, não se coaduna com o nosso perfil mais cruzeirista: teríamos que promover uma série de alterações no barco (a começar pela colocação de um traveller atravessado na metade do cockpit) e manter uma tripulação de bons velejadores e nós preferimos que ela seja de bons amigos...

A regata inicialmente marcada para as 12:00h sofreu um Recon (atraso) da CR de cerca de 2:30h. No inicio pensávamos que fosse por causa da maré baixa que dificultava a saída pelo assoreado canal do ICSC-VI, mas a maré subiu, os barcos todos aguardavam e nada da CR. Depois na confraternização correu o comentário que o atraso foi para propiciar ao prefeito um cenário com os veleiros quando da entrega da revitalização (políticos chamam assim tudo que é conserto ou pequenas melhorias) do passeio da Avenida Beira Mar Norte, na metade da tarde. Pelo sim, pelo não o fato é que com o NE de mais de 15 nós a regata terminaria antes da tal inauguração.

Na regata nós, mais do que relaxados com a espera, quando tivemos que "trabalhar" nos atrapalhamos todo na subida da genoa e largamos atrasados, sem genoa e no lado errado da linha. Até que recuperamos bastante, mas com nosso TMFAA e um tempo de regata que foi bem menos do que o de Recon não ficou nada bonito.

Esqueci de dizer que a regata tinha patrocinadores que ofereceram 10 mil reais em prêmios (4 mil distribuidos para os três primeiros de cada classe e seis cheques de R$ 1.000,00 a serem sorteados entre aqueles que completassem a prova). Não preciso dizer que alvoroço isto causou. Foram quase 40 barcos na raia, alguns não aguentaram esperar outros não conseguiram se encaixar numa das duas classes em disputa (ORC e RGS), mas tentaram. Perdemos até nosso proeiro que a última hora resolveu participar com seu saveiro maranhense, na tentativa de concorrer ao sorteio.

André e seu saveiro maranhense (Foto de Kriz Sanz)

E no sorteio o primeiro a ganhar o "checão" (literalmente) foi o Bruxo do meu amigo Luís Schaefer, aquele que tem o melhor anjo da guarda de que já ouvi falar. Quando fui cumprimentá-lo e comentar da sua sorte, eis que o Tinguá é sorteado. Bastou encostar no cara...

Recebendo o "checão" do Vice-Comodoro Celso Farias (Foto ICSC)

terça-feira, 22 de março de 2011

Palestra do Comandante do Alma Mía

Ontem à noite no ICSC-VI assisti uma palestra do velejador argentino Rodolfo Calcagni, do veleiro Alma Mía. Rodolfo contou como construiu sozinho, durante 5 anos, seu veleiro Van der Stadt 34' em aço e convenceu mulher e o casal de filhos adolescentes a viajarem até o Caribe, onde o Alma Mía permaneceu por duas temporadas. No momento está retornando para Rosário, sua cidade na Argentina, após ter feito a travessia em solitário do Atlântico, desde as Ilhas Canárias até Vitória (ES) sem escalas.

As imagens da travessia Fortaleza - Tobago, com escalas em Iles du Salut e Kourou, deram para recordar da nossa recente travessia a bordo do Guga Buy, em dezembro passado.

Foto da Sec.Eventos do ICSC-VI

sábado, 19 de março de 2011

Decisão Equivocada

Hoje teve a primeira etapa do Ranking de Minioceano 2011 da Avelisc, na Lagoa da Conceição. Conforme as previsões o dia amanheceu com os ventos da "cabeça" da frente fria, que entrou ontem no final do dia, "roncando". E previsões de rajadas bem acima dos 20 nós para o horário da regata. Ainda o proeiro oficial do Mutley, Daniel Zohar viajando. Mesmo assim fui para a marina com meu filho Gabriel para ver no que dava.

Na Marina Verde Mar, que fica ao lado do raso canal de entrada no canal própriamente dito que liga a Lagoa ao mar e onde o sul entra na "cara", deu para ver que as condições eram bastante dificeis para os barcos menores e mais leves como os Brumas, Microtonners, Tches. Enquanto as tripulações do Liberté, Mano's, Bilitote e Sopravento esperavam alguma decisão da direção da Avelisc, decidi não participar. Meus filhos gostam de cruzeirar mas relutam em velejar em regatas e colocar o Gabriel naquela situação iria fatalmente aumentar esta dificuldade.

Pauleira na abertura do Ranking de Minioceano, na Lagoa da Conceição

Numa decisão a meu ver equivocada a regata foi mantida, com pouquissimos barcos (veja aqui comentário e as fotos no www.esportesdomar.com.br).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Charada

Adoro o Hagar e esta tirinha está tão boa que não resisti e roubei do blog do Osvaldo Hoffmann (www.zimbros.blogspot.com). A sua "almiranta" mataria esta charada?

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carnaval - Um dia sim, um dia não

Desde domingo (27/02) o vento predominante aqui na região de Florianópolis é de sul-sudeste até leste. E a previsão é de que se mantenha assim pelo menos até dia 17. Isto em pleno verão. De chuva nem é bom falar. Chove todo santo dia, como agora enquanto escrevo. Ao menos no carnaval foi um dia sim, um dia não. Isto é um dia lindo sem chuvas ou com chuvas só no inicio do dia e um dia de chuvas esparsas por todo o dia. Quer dizer esparsos os períodos sem chuva. O problema é que os sites meteorológicos previam bastante chuva para os dias que foram de sol e poucas chuvas para os que acabaram por ter muita.

Trouxe o Tinguá, com meu filho Gabriel, na terça-feira (01/03) para a sede centro do ICSC-VI para limpeza geral. Na sexta o Tinguá voltou para a água. O sábado amanheceu chuvoso e protelei levá-lo para Jurerê para a tarde, quando o tempo abriu, mas aí a "lombeira" decorrente do preparo do churrasco comemorativo ao aniversário do Gabriel, na sexta, falou mais alto. O domingo amanheceu chuvoso mas a disposição já era outra. Depois de esperar a maré subir pois o Tinguá estava com 30 cm de quilha enterrados na lama, no pier norte, rumei sozinho para Jurerê. Vento SE fraco e maré contra, ainda com algumas chuvas esparsas, cheguei em Jurerê por volta das 14 horas. Justamente quando iniciava o desfile dos barcos do CarnaMar, organizado pelo clube. Mesmo sozinho e sem uma gota de álcool entrei no final da fila. Fraco nesta primeira edição com 12 veleiros e outras tantas lanchas, mais alguns jet-skys, muitos tendo entrado na brincadeira por que estavam ´por ali mesmo, o evento promete pegar para os próximos anos.

A segunda (ao contrário das previsões) foi maravilhosa e fomos cedo para o Magalhães, onde fizemos churrasco com minha filha, genro, netos e meu sobrinho Tassinho com a n
amorada, que vieram de lancha. Dormimos lá na companhia do veleiro Iwa (Brasília32) e da " escuna maranhense" (que não sei o nome) do italiano André. A noite rolou outro churrasco, regado a bons vinhos, no Iwa, com o Marcos e esposa de anfitriões. Choveu bastante a noite e o dia amanheceu com cara de poucos amigos. Queria ir ao Arvoredo levar os meninos para fazerem snorkel, pois a água devia estar muito limpa com tantos dias de ventos do quadrante sul, mas a previsão do BuoyWeather não era animadora no quesito mar.

Mesmo assim suspendemos a âncora antes das oito horas e rumamos para as pontas das Canas e do Bota, numa gostosa velejada com vento S de 10-14 nós. O mar pareceu bem melhor do que a previsão mas o céu estava muito carregado e logo a Ilha do Arvoredo desapareceu com a chuva. Demos meia volta na Praia da Lagoinha e resolvemos rumar para nossa poita em Jurerê e ir para casa. Deixamos o Tinguá justo no intervalo entre uma chuvarada e outra e fomos curtir o final do feriado em casa. Bem, a quarta-feira de cinzas foi maravilhosa. Mas aí a família já tinha vários compromissos...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Guga Buy já está em Sint Maarten

Falei com os Zanellas (pai e filho) pelo Skipe nesta terça e eles já estão em St.Maarten, numa marina dentro do lagoon, na companhia de outros veleiros brasileiros como o Travessura, Bulimundu e Luthier. Rumaram direto da Martinica para lá numa travessia que creio ser de umas 250-280 mn. Por falar neles o Zanella passou a atualizar o blog do Guga Buy (link aí a direita) com os relatos da viagem pelo Caribe.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ponto Negativo para o SPOT

Usamos o localizador via satélite SPOT, no Tinguá, há três anos sem nenhum problema e tínhamos total confiança no sistema. Durante minha recente estada no Caribe tive um problema em que precisei de atendimento e o mesmo foi demorado e inadequado.

Tudo começou quando estava editando uma profile, ainda em Chaguaramas, Trinidad e Tobago, quando o sinal de internet caiu. Na manhã seguinte ao tentar acessar nossa conta SPOT novamente a senha não foi aceita. Nem a resposta a pergunta de segurança do esqueci a senha. Até que bloqueou a conta. Naturalmente sabia muito bem a senha, bem como a resposta a pergunta. Abri um case no site e recebi de imediato um destes emails resposta automatizados com o número do case, informando que um atendente responderia assim que possível e informando que poderia contactar a Central de Atendimento por tal endereço de email ou por um número 0800 do Brasil. Como não conseguiria uma ligação para 0800 do exterior enviei um email informando da situação, do case aberto e da minha impossibilidade em usar o 0800. Bem como informei meus dados, número do aparelho, etc.

Para resumir, só resolvi a situação ao retornar ao Brasil, no início de fevereiro, no tal número 0800. Fiquei durante o resto da viagem no Caribe impossibilitado de usar o equipamento, pois eles tentaram me contactar, somente vários dias depois, pelo celular e meu telefone residencial no Brasil. Mesmo tendo explicado no email que não estava usando celular e estava fora do país. A justificativa é que são procedimentos para a minha segurança. A burocracia supera o real objetivo do aparelho. Então, se você tiver problema no seu SPOT e não tiver sinal de telefone pode jogá-lo na água pois não vai servir para mais nada...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Do Caribe para o Tinguá

Chegamos do Caribe e encontramos o Tinguá "louco" para navegar. Jorge está trabalhando ainda mais que o normal na mudança de local e de processos em sua empresa e o Tinguá ficou 3 meses sem ver água salgada. Embarcamos já na sexta-feira à noite, mesmo com o tempo chuvoso que encontramos em Floripa. Por conta de um temporal armado e também para dar uma carga adequada nas baterias, dormimos no pier da sede centro do ICSC -VI, foi a primeira vez.

Sábado cedo rumamos para a Praia do Tinguá onde havíamos combinado um chuirrasco com minha filha, genro e netos que foram de lancha. No domingo velejamos pela baía de Canasvieiras, paramos para o Gabriel pescar e almoçarmos junto a Ilha do Francês. Deixamos o Tinguá na poita G5 da sede oceânica de Jurerê no meio da tarde para fugir da chuva. Que até agora não parou...

Hoje recebi uma notícia muito triste. O falecimento do velejador e amigo Vail Mony Filho ontem em Angra, devido a um infarto.
Morreu fazendo o que mais gostava. Amigo, alegre, sempre de bem com a vida Vail deixa um grande vazio. A Helena e demais familiares nossas condolências.

Vail e Helena e os amigos Zanella, Janjão e Zé Toriba no CCL2010

Charter nas BVI - 3 (Dicas)

Meu projeto inicial era fazer o charter nas Grenadines, iniciando-o depois do Natal. Esperava nesta época velejar com os brasileiros que subiram para o Caribe nesta temporada, como o Guga Buy, Flyer, Temujin, etc. Mesmo iniciando os contatos em Setembro não conseguimos veleiros (a não ser muito grandes) para esta época. Outra dificuldade eram as passagens aéreas.

Acabamos por mudar a data e o local. Optamos pelas Ilhas Virgens Britânicas (conhecidas pela sigla em inglês BVI) um tradicional local de charters no Caribe. Contribuíram na decisão a opinião do amigo velejador Cleidson Nunes (o Torpedinho), do Recife, e o relato do Philip Connoly , de Itajaí, que com amigos fez um charter lá em 2009, publicado na Velejar (números 45,46 e 47). Foram muitas horas de pesquisa na internet e inúmeros emails, mas como vocês já sabem o resultado compensou.

Escolhemos a Conch Charters por ter preços melhores que as gigantes do setor (The Moorings e Sunsail) e pela referência do Philip. É uma empresa pequena (30-40 barcos) mas muito organizada e eficiente, com barcos bem cuidados. O período de Dezembro a Abril é a alta temporada no Caribe. A Conch tem alguns períodos, chamados season special, onde a duração do charter é extendida em alguns dias pelo valor da semana. Pegamos um destes períodos e fizemos 10 dias de charter pelo valor de 7, no caso da alta temporada. Maio é um bom mês para um charter lá, pois é média temporada, tem season special e ainda não é temporada de furacões.

Considere um acréscimo de cerca de 15% do custo do aluguel do veleiro em seguro e taxas diversas. Além do seguro paga-se ao governo uma taxa de licença (Cruising Permit) de US$ 2/pessoa/dia e a Marine Conservation Permit (aquela taxa dos parques nacionais) fixada conforme o número de passageiros/barco/semana, no nosso caso US$45. Some-se ainda 20 dólares pelo tanque cheio do dingue e mais 20 pelo celular disponibilizado com os mesmos 20 dólares de crédito. Dentre os opcionais oferecidos o sleep aboard a US$ 25 por tripulante e a compra das provisões mediante o envio de uma relação antecipada. A Conch fornece free equipamentos de snorkel (menos tamanhos infantis) e pode sob consulta providenciar outros equipamentos e serviços, como traslado do aeroporto.

Resolvido o charter é preciso ver as passagens aéreas. Pesquisei muito, com voos via Miami, Caracas, Panamá e as variações a partir destes locais. Há muito poucas opções de voos do Brasil para o Caribe, mas há pouco tempo a Gol/Varig passou a operar três voos para lá (Curaçao/Aruba, Barbados e Sint Maarten, e agora também um charter para Punta Cana). São a melhor opção tanto em custo quanto em tempo e propiciam o menor número de escalas/conexões. Mas só há uma frequência por semana, aos sábados. Dentro do Caribe, principalmente para as ilhas com aeroportos menores como Tortola, a empresa regional LIAT é a que tem o melhor numero de opções e preço. Voa com turbo hélices Dash8 Série100 (29 lugares) e Série300 (48 lugares).


Um Dash8 no Aeroporto de Tortola

Nas BVI a língua é o Inglês, a mão de direção também, mas a moeda corrente é o Dólar Americano. A comida, tanto nos mercados como nos restaurantes, é mais cara que os nossos padrões. Procure fazer seu rancho na loja do centro de Road Town da RiteWay, a rede mais em conta, que leva as compras até a marina sem custo. Para reabastecer aconselho Cane Garden Bay e o mercado da Marina Leverick, pois nas outras marinas os preços são maiores.


Guia e o mapa da Conch Charters que tem fotos aéreas e rotas sugeridas

Sugiro um roteiro que dá a volta na Ilha de Tortola no sentido anti horário com parada nos pontos mais badalados, como o que fizemos, mostrado no mapa abaixo. Usei o guia náutico "To The Virgin Islands" de Nancy e Simon Scott, comprado de antemão na Amazon, que dá todas as informações de navegação, ancoragem, atrações e facilidades de cada local. No entanto, a Conch fornece, no briefing, um mapa visual e muitas informações além de manter um exemplar de um guia náutico da região no barco.


Nosso roteiro com os pontos de pernoite


Como comentei, em todos estes locais há poitas disponíveis ao custo de US$25 por pernoite. Durante o dia pode-se usar as poitas a vontade sem custo. Elas são instaladas e mantidas por uma empresa privada com excelente qualidade. Também pode-se ficar ancorado, excessão de alguns locais, como Machionnel Bay na Cooper Island, onde é proibido jogar âncora. Nos parques nacionais as poitas são livres (paga-se uma taxa obrigatória no inicio do charter), mas é proibido ancorar, pescar e pernoitar.

As poitas tem até manilha

Em todos estes locais há bons bares/restaurantes sempre com pier para os dingues e wireless grátis. O sistema é americano com cardápios diferentes para o lunch e para o dinner. A happy hour começa às 4 da tarde (até as 6 costuma ter incentivos nos preços dos drinques) bastante animada, em alguns com música ao vivo. No Caribe são muito comum os punchs, drinques a base de rum e sucos de frutas. Nas BVI há um punch tradicional conhecido por Painkiller. Gostossíssimo é preparado com suco de abacaxi e laranja, leite de coco, gelo, noz moscada on top e navy rum. O atendente vai te perguntar "What number?" O Painkiller pode ser numero 2, 3 ou 4 conforme o numero de onças (1 oz imperial = 28,4 ml) de rum. Manda logo um número 4...

Caneca para Painkiller do Pusser´s

Em vários locais há marinas que oferecem toda a estrutura com poitas, pier, combustível, água, gelo, banhos, recolhimento de lixo, bar/restaurantes, hotel, mercado, lojas. Todos serviços pagos. Algumas dicas: na Leverick Bay Marina na baía de North Sound na Virgin Gorda , se usares uma poita (US$ 25 o pernoite) tens direito a 200 galões de água e um sacão de gelo free, bem como o uso dos banheiros. O lixo é cobrado a razão de 2-3 dolares por saco. Compre sacos grandes para economizar ou descarte-os em Cane Garden Bay onde existem conteiners públicos ou guarde-os até o final do charter para descartá-los na marina da Conch.

Em North Sound recomendo ainda uma visita ao Saba Rock, construido sobre uma pequena ilhota, bar/restaurante, hotel e gift shop muito bonito e animado. Para quem pernoita em suas poitas também franqueia água e gelo. Em Marina Cay o Pusser's tem uma comida de primeira e o melhor Painkiller que experimentamos. E foram muitos...

O Saba Rock na North Sound, Virgin Gorda

Também valem a visita o Foxy's em Jost Van Dyke e o Pirates Bight, em Norman Island. Um lugar que não é badalado e gostamos muito foi a Guana Island: a Monkey Point é um ótimo ponto para snorkel e a White Bay tem uma linda praia pouco movimentada.

Em frente ao Foxy's na Great Harbour, de Jost Van Dyke


Da onde vem o nome Guana Island
Fotos do charter nas BVI em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao/BVI2011.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Charter nas BVI - 2

O charter e o restante da viagem pelo Caribe (St.Maarten/St.Martin e Barbados) foram tão bons que não sobrou tempo para postar. Não vou fazer uma descrição detalhada do charter, mas um relato geral e depois vou publicar um post com dicas baseadas na nossa experiência, pois várias pessoas já me pediram informações.

Final de tarde no Francis Drake Channel, visto de Cooper Island

Nove dias foi pouco para conhecer tudo. As Ilhas Virgens Britânicas (BVI) são como a região de Angra dos Reis, só que com vento e pouca chuva. A vegetação não tem a exuberância da Mata Atlântica (lá as ilhas são de origem vulcânica) mas a água é ainda mais transparente e com aqueles tons de azul do Caribe. São muitas ilhas, inúmeras praias e baías, muitos pontos para mergulho e snorkel e uma estrutura turística voltada para os veleiros e iates invejável. Ah! Não tem aquela quantidade de lanchas de Angra. Lá os veleiros dominam com poucas lanchas pequenas, quase nenhuma na faixa dos 40-50 pés e grandes iates, que não incomodam pois se movimentam pouco. Tortola, a ilha principal e maior, faz as vezes da Ilha Grande. Ao redor dela ficam as outras, com excessão de Anegada a mais distante, com destaque para as ilhas Virgin Gorda, Jost Van Dyke, Norman, Peter, Cooper e Guana.


Pelo tempo que dispunhamos optamos por contornar Tortola no sentido anti-horário e conhecer os pontos mais badalados. Tortola é oito vezes menor que a Ilha de Santa Catarina e alongada no sentido nordeste-sudoeste. Os ventos predominam de sudeste até norte, principalmente entre leste e nordeste. Sempre na faixa de 10-25 nós. Só pegamos ventos mais fracos no final da tarde de sábado e no domingo antes das chuvas. Fora algumas chuvas rápidas durante a noite só tivemos chuva no domingo (7º dia) no inicio da manhã, depois limpou e voltou a chover à tarde, limpando novamente antes de escurecer.


Meninos se divertindo no único dia chuvoso (notem a bandeira do Brasil)

Dormimos em Peter e Cooper Island, duas noites em pontos diferentes da baía North Sound em Virgin Gorda, na Marina Cay (pequena e muito charmosa), em Jost Van Dyke uma vez próximos a Green Cay e na outra na Great Harbour (única noite na âncora) e na última noite em Norman Island.

Ancoragem na Machionnel Bay, em Cooper Island

Visitamos a formação de grandes pedras chamadas The Baths, na Virgin Gorda. Fizemos snorkel na Great Harbour e na Deadman's Bay, em Peter Island, no Colquhoun Reef, em North Sound, na Marina Cay, na Monkey Point, em Guana Island, na Sandy Spit, em Green Cay, na Sandy Cay, nas rochas The Indians e nas The Caves, em Norman Island.

The Baths, no sul da Virgin Gorda

Sandy Spit em Green Cay

Saída da maior das The Caves, em Norman Island

Pelican Island e as rochas The Indians

Na ida a Miami comprei uma câmera digital muito interessante. A TX5 da Sony é fina, fotografa embaixo d'agua até 3m, faz fotos panorâmicas, tem maior resistência a variações de temperaturas e quedas. No PicasaWeb tem várias fotos submarinas feitas com ela.

Raia com Olhete em Marina Cay

Velejamos por entre as ilhas The Dogs e conhecemos Soper's Hole, uma abrigada baía com grande estrutura náutica. Estivemos também em Cane Garden Bay uma praia bonita na Ilha de Tortola, mas convencional. Só nos abastecemos no mercado e já zarpamos.

Entrando na abrigada Soper's Hole, que tem grande apoio náutico

Cane Garden Bay fica na ilha principal e tem acesso fácil de carro

As distâncias entre as ilhas são pequenas. A maior foi de 18 mn entre Marina Cay e Cane Garden Bay, mas paramos para fazer snorkel em Monkey Point, na Guana Island. Não fomos as Ilhas Virgens Americanas apesar de passar a 1/2 milha da costa de St.John's. Teríamos de fazer imigração dos dois lados e as ilhas tem muito menos baías e praias do que as BVI.

Monkey Point, em Guana Island

Em todos os locais, que não são parques nacionais, existe alguma estrutura. Ao menos um bar/restaurante de praia ou um hotel quase sempre com pier para desembarque. Nos mais movimentados marinas com hotel, poitas, água, combustível, gelo, banhos, lojas, mercado, restaurantes. Mas as ilhas são pouco ou nada habitadas.

Restaurante, bar e hotel Saba Rock, na North Sound, Virgin Gorda


Soper's Hole Marina & Wharf

Gabriel no famoso bar de praia Foxy's em Great Harbour, Jost Van Dyke

Vários locais, principalmente os com fundo de corais, são parques nacionais. Neles não se pode ancorar, pescar e pernoitar. Mas o órgão responsável disponibiliza poitas para os barcos e um cabo entre duas bóias "apoitadas" para amarrar os botinhos. Paga-se uma taxa por isto por período do charter.

The Caves, em Norman Island, um dos parques nacionais

Os meninos se divertiram pescando. Apesar de pouco experientes e equipados conseguiram pegar alguns peixes, todos saboreados a bordo. Via-se muitos peixes rondando o veleiro, mas fisgá-los sem iscas adequadas não era nada fácil. Durante as velejadas, nos deslocamentos, eles sempre corricavam.

Gabriel e Guilherme com o primeiro Bonito pego no corrico

Só usamos o motor nas chegadas e saídas (mais por segurança) e nos deslocamentos o mantíamos em ponto motor para carregar as baterias, principalmente por causa da geladeira já que não tinhamos placa solar ou outro recurso e não paramos nenhuma vez em pier a não ser para reabastecer de água e completar o diesel antes de entregar o barco. Era só na vela.

Gui e o Moyo na Leverick Marina abastecendo de água

O "Moyo" (Beneteau 403) se comportou muito bem. Muito confortável e funcional, gostoso de velejar. Já estamos sentindo saudades. D.Claci até falou que dava para morar...e Eu descobri que meu tamanho é 40'...

Muitas fotos e alguns clips em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Charter nas BVI - 1

Cheguei no Grantley Adams Interl. Airport, em Barbados, no meio da tarde e fiquei aguardando a chegada, no voo da Gol, da Claci, minha esposa, e os filhos Gabriel (10) e Rafael (8). Juntos nossos amigos Carlos Augusto e Ana Paula, mais o Guilherme (8), donos do Beagle na Lagoa. O aeroporto é bem amplo e aberto, com muitos voos de companhias americanas, europeias, regionais e agora também da Gol/Varig.


Vista aérea do sul de Barbados

Como nosso voo, no domingo (23/01), saia às cinco da tarde pudemos conhecer um pouco de Barbados, na região de Holetown onde estávamos hospedados. Tive uma impressão inicial muito boa. Praia bonita, água azul transparente e muita estrutura turística. As crianças não resistiram a água caribenha e entraram no mar de bermudas e tudo.


Os meninos na praia de Holetown


O voo até Tortola, a ilha principal das Britsh Virgin Islands (BVI), num turbohelice Dash8 da LIAT (a maior empresa regional do Caribe) durou 4h mesmo com 3 escalas. A primeira foi em Antigua onde ocorreu um fato inusitado. Todos os passageiros tiveram de descer do avião e passar na imigração e por uma inspeção de segurança super rigorosa para retornar, quase correndo, para a aeronave. E nem um carimbo no passaporte... Depois fizemos as outras escalas em St. Kittis e St. Maarten, trechos com 20 a 30 minutos de voo.


Embarcando para Tortola, nas BVI



Chegamos na base da Conch Charter, na Marina Fort Burt em Road Town, para nosso sleep aboard por volta das 22:20h. O sleep aboard é, mediante uma taxa, dormir no barco na noite anterior ao inicio do charter. Alem de economicamente ser bem mais em conta do que pagar hotel, já se conhece o barco e acomoda-se a bagagem. Não havia ninguém na base da Conch. Na porta do escritório um quadro dando as boas vindas a nós e a outro cliente, o nome do barco e sua localização na marina. O nosso veleiro tem o nome "Moyo", um Beneteau 40'(12m) fabricado nos EUA, estava com as luzes acesas, ar condicionado ligado e um rum caribenho em cima da mesa de boas vindas. É um veleiro 2006 com bandeira canadense em ótimo estado, super espaçoso e confortável (tem boca de 3,98m), com 3 cabines de casal e 2 banheiros, um no salão e o outro na cabine de proa. Muito bem equipado com piloto de quadrante, charterplotter, tridata, velas boas, enrolador de genoa, lazy jack, pequeno inversor (400W), shore power com rede de 110v em todos os cómodos, refigerador com congelador, ar condicionado, boiler, holding tank, todo o material de cozinha, churrasqueira, roupas de cama e banho, caixa de ferramentas, peças e óleos sobressalentes do motor e um inflável de fundo rígido Caribe de 2,80m com um motor Tohatsu de 9,8HP.


Este é o Moyo o 'nosso' Beneteau 40' veja clip aqui


Na segunda cedo fomos ao centro de Road Town, a capital das BVI, tomar café, comprar as provisões no mercado e providenciar uma licença de pesca. Nas BVI turista maior de 18 anos precisa ter a licença, que custa 45 dolares. Se não tiver e for pego leva multa e apreensão do equipamento e embarcação. Com isto foi a manhã. Almoçamos no The Pub, anexo a marina, para depois termos o briefing. No briefing o pessoal da empresa mostra todos os detalhes de funcionamento do veleiro na primeira parte e na segunda dá informações e dicas sobre navegação, ancoragens, lugares a serem visitados. Esta parte foi com a Irene que fala português.


O movimentado porto de Road Town, capital das BVI.


Finalmente prontos e liberados alguém do staff da Conch tira o veleiro do pier e leva-o até a saída da baía, que eles chamam de Road Harbour, pois é preciso desviar um baixio bem em frente e pegar o canal. No nosso caso o Ross só tirou do pier e já nos entregou o Moyo. Agora realmente o charter começava e rumamos para a Peter Island a cerca de 5 mn, atravessando o Francis Drake Channel. Lá na Great Harbour pegamos uma poita e passamos a noite na companhia de muitos veleiros e alguns iates.


Rumo a Peter Island com Tortola ao fundo


Duas características para o resto do charter. Na maioria das ancoragens há poitas disponíveis a US$ 25 por pernoite, que alguém vem cobrar no barco ou você paga no bar/restaurante responsável pelas mesmas. Em alguns locais não se pode usar ancora e nas áreas de parques nacionais não se pode permanecer a noite. A outra é que venta muito, aliás o ventilador não desliga nunca, de 15-25 nós e na madrugada dá umas rajadas que ultrapassam fácil os 25 nós. Dormir na poita dá uma tranquilidade...


Tortola ao fundo vista da nossa ancoragem na Great Harbour, Peter Island



sábado, 22 de janeiro de 2011

Trinidad 2

Na terça-feira (05/01) o Guga Buy foi retirado da água pelo travel lift da Marina Power Boats e escorado para verificar uma folga no leme e o hélice feathering que desde que pegou um cabo na chegada a Fortaleza não vinha se comportando bem. O comandante e o Eduardo continuaram a pesquisar o melhor lugar para adquirir vários equipamentos.

O Guga Buy saindo da água

Na quarta tivemos o primeiro churrasco na marina para comemorar o aniversário da Miriam do Flyer, só com os brasileiros. Por falar em comida, outro dia resolvemos experimentar a comida que eles vendem em barracas na rua. Em geral postadas em frente a locais com muitos trabalhadores como o portão das marinas maiores. Como em todos os restaurantes fast food, é servida numa quentinha de isopor e o freguês come por ali mesmo ou leva pelo equivalente a 4,40 reais. Era arroz com um molho marrom com um tipo de vagem muito condimentado, galinha ou carne ensopada e salada. Muitos locais falam em beef no cardápio, mas a carne aqui vem sempre em tiras, cubos, como hamburger ou moída. Saudades de um filé...

A churrascaria dos brasileiros

Barraquinha de venda de comida

Na sexta (07/01) passei a máquina no cabelo que já estava incomodando de grande. Foi número 1 e 2 nas laterais e 3 no topo.

Almoçando no Lighthouse depois de cortar o cabelo

No sábado rolou mais um churrasco 0300, desta feita com a participação de vários velejadores: os franceses, sempre mais numerosos, amigos da Virginie e mais o casado com uma malaia muito simpática do barco Mary Ane (Nissan54), a Helen e o Frank o casal alemão do Bogomil, que saiu com a gente de Fortaleza, mais um casal formado por um americano e uma marroquina, que conhecemos no Réveillon e as nossas tripulações, inclusive do Temujin. Como sempre muitas caipirinhas de cachaça do Eduardo. Teve um francês que perdeu o rumo, só foi encontrado de manhã e nem ele sabe onde dormiu...

Fábio, do Flyer, com Helen e Franck, casal alemão do Bogomil

Morando no barco no seco, voltei a dar minhas caminhadas todas as manhãs e passei a sentir falta de cidade, o que não acontece quando estou no mar. Sábado fui conhecer o maior shopping daqui no caminho para Port of Spain. No domingo, por sugestão do Lúcio, fomos almoçar comida chinesa no The Shangai Experience, que fica no Movie Towne, várias salas de cinema rodeadas de comércio, principalmente de alimentação.

Vista panorâmica de Port of Spain

Lúcio e Natália, do Temujin, nos levaram neste restaurante porque eles servem uma refeição chinesa chamada Dim Sum, que vem a ser uma refeição leve para comer de manhã até o inicio da tarde. É uma variedade enorme servida em pequenas porções, as quentes que são cozinhadas no vapor, vem numas pequenas panelas inox. O carrinho passa e você vai apontando (para os chineses não é má educação) o que quer. Ah! A tradução de Dim Sum seria "que toca o coração". Gostamos muito e aprendemos mais um pouco da cultura chinesa, em Trinidad...

O Dim Sum, pena que só fotografei depois de comermos

O comandante concluiu que valia a pena ir a Miami, inclusive porque precisávamos de um hélice novo. Embarcamos na terça (11/01) conforme o post anterior. Chegamos de volta na sexta-feira (14/01) quase seis da tarde, depois de cumprir os trâmites burocráticos de imigração e aduana para a entrada dos equipamentos sem pagar impostos. Parece coisa de Português mas para sairmos para Miami tivemos de ir duas vezes na imigração aqui em Chaguaramas. A primeira para pegar um documento a ser confirmado pela marina de que o barco se encontra na mesma. A segunda para carimbar o tal documento, uma via é devolvida a marina, e dar a nossa saída do barco preenchendo um outro documento como se estivéssemos chegando de avião. Na volta depois de ter entrado no aeroporto com aquele formulário tradicional, passa-se de novo na imigração de Chaguaramas e preenche-se um documento como se tivéssemos saído, aí você esta no barco de novo. Difícil de entender, não? Já a aduana para os equipamentos não pagarem os impostos locais, é outra burocracia. Registra-se as notas fiscais na aduana do aeroporto e depois na de Chaguaramas os fiscais verificam as mercadorias e dão a liberação.

Logo o Eduardo foi experimentar o hélice novo e não serviu. Provavelmente o antigo dono torneou o eixo para a colocação do hélice antigo. Foi preciso um torneiro mecânico e só ficou pronto na terça (18/01). Montamos o hélice e mais problemas, as pás estavam duras de rodar e o eixo precisava ser prolongado. O PJ da CaribProps resolveu o problema no hélice e pudemos colocá-lo e ao leme na tarde de quarta. O prolongamento demorou mais.

Hélice MaxProp novo

A diversão tem sido as "festas". No domingo os franceses fizeram crepes na nossa churrascaria. Ficaram deliciosos. Na segunda churrasco "transnacional" com picanha e costela do Uruguay e linguiça da Argentina, cachaça do Brasil, cerveja de Trinidad e vinho do Chile e comensais franceses, americano, marroquina, espanhol, malaia, caboverdeano e brasileiros (catarinenses, gaúchos, paulistas, mineiros, paranaenses e cearense) . Aliás, conseguimos encontrar uma casa de carnes muito boa, inclusive com preço menor que o nosso. Coisa de velejador...

Vai um crepe?...

... ou uma costela?

O hélice novo foi instalado, o leme verificado e no lugar e a envenenada pronta, faltavam ainda instalar o novo piloto, o charterplotter e o prolongador do eixo do pé-de-galinha, mas mesmo assim o Guga Buy foi colocado novamente em seu habitat na quinta-feira (20/01) e rebocado até a Marina CrewsInn.

Foi tanto tempo em terra que achamos este ninho na vela grande

O final de tarde em Chaguaramas...

...e a noite na CrewsInn.

Aluguei um carro e fui conhecer a costa norte da Ilha de Trinidad. Carro é elogio, um verdadeiro "pau velho"com 236 mil km bem rodados... de uma locadora conhecida com várias lojas, inclusive no aeroporto onde o devolvi. E aqui em Trinidad a mão é inglesa. Mas valeu a pena conhecer. Estradinha serpenteando pelas encostas dos morros cobertos de floresta tropical com um visual maravilhoso do mar. Em Maracas Bay, uma linda baía com uma bela praia, comi o aqui famoso sanduiche de Tubarão. Um pão redondo como de hamburguer, mas completamente diferente de tudo que já experimentei , com duas postas de peixe crocante que dizem ser de Tubarão e um bufet de molhos e saladas para você mesmo completar seu sanduiche. Gostei!

A La Vache Bay

Esta é a praia de Maracas Bay

E este o sanduiche de Tubarão. Muito bom!

Depois de 2 meses desembarquei do Guga Buy, estou seguindo daqui a pouco para Barbados para encontrar minha esposa e filhos, mais o Carlos Kindlein, esposa e filho. De lá vamos para Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, fazer um charter de veleiro. Agradeço ao amigo e Cmde. José Zanella, e seu filho Eduardo, pela oportunidade e pela excelente convivência nestes dois meses.

Mais fotos em www.picasaweb.google.com/lflbeltrao nos álbuns Trinidade2010 e Trinidad2011.
Veja video do Guga Buy sendo retirado da água aqui.